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Ex-técnico de Wallyson: ‘Deixa baixar a poeira e a fera vai pegar. Ele vai jogar muito’

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A defesa do Deportivo Quito ainda se pergunta: onde está Wallyson? Encontrar o camisa 19 do Botafogo não foi fácil na goleada alvinegra por 4 a 0, três gols dele. Novo herói instantâneo de um time que, no ano passado, se acostumou a ver jogadores importantes saírem e serem substituídos com sucesso, o potiguar poderia ser localizado nas horas seguintes tentando driblar a adrenalina para descansar no dormitório sem luxo na sede de General Severiano. Só ontem, o novo menino do Rio foi procurar um apartamento na cidade.

Natural da pequena Macaíba, no Rio Grande do Norte, o atacante de 25 anos acostumou-se a brilhar em momento importantes. Pelo Cruzeiro, na Libertadores de 2011, foi artilheiro da competição com sete gols. Comandado pelo técnico Cuca, o time caiu nas oitavas de final contra o Once Caldas, da Colômbia, e abreviou as chances de Wallyson aumentar seus números. No mesmo ano, marcou nos dois jogos da final do Mineiro contra o Atlético-MG e foi fundamental para o título.

Em Natal, batizou arquibancada

O brilho de Wallyson começou a aparecer mais cedo. Revelado no ABC — que veste um uniforme alvinegro igual ao do Botafogo —, ele não sentiu a pressão na decisão estadual que jogou em seu primeiro ano como profissional, aos 18 anos. No clássico local contra o América-RN, marcou quatro vezes, feito inédito.

— Ele arrebentou na final do Potiguar. O América-RN estava na Série A, e o pessoal fazia chacota, dizendo que o ABC era “fora de série”, porque não tinha campeonato nacional para jogar. Na decisão, vencemos por 5 a 2, quatro gols dele — lembra Ferdinando Teixeira, então técnico do ABC e hoje superintendente do clube. — Naquela época, ele era metade disso aí. Era magrinho, alto e habilidoso. Ele é um jogador frio que olha o goleiro. Na gíria do futebol, a gente diz que ele não abaixa a cabeça e solta a perna. É técnico, dribla em velocidade, e não é só para um lado.

O título deu vaga na Série C para o clube potiguar, que, com o atacante como artilheiro, subiu de divisão no mesmo ano. Foi sua última competição pelo ABC, onde ainda é ídolo. De Natal, foi vendido para o Atlético-PR em 2008. A negociação é mais uma história curiosa na carreira do jogador. Com R$ 600 mil que recebeu pela venda de parte dos direitos do atleta, o clube potiguar construiu o quarto e último setor de arquibancada que restava para concluir o estádio Frasqueirão. Desde então, o local é conhecido como “Módulo Wallyson”.

Na carreira do atacante, no entanto, nem tudo foi brilho. Em Curitiba, ele sofreu seguidas lesões. Em Belo Horizonte, teve uma fratura no tornozelo esquerdo, em 2011. O momento mais difícil aconteceu no ano anterior, quando seu pai morreu de câncer.

— Ele sentiu a morte do pai. Eles vieram de um local muito humilde e eram muito ligados. Foi um grande baque, mas agora ele já superou — garante Ferdinando Teixeira.

Para Húngaro, titular absoluto

Depois de marcar três gols e ser ovacionado no Maracanã, Wallyson se emocionou:

— Passam muitas coisas na cabeça de um jogador quando não acontecem as coisas como você quer, mas tem que ter cabeça fria, focar e treinar mais que os outros para as coisas acontecerem.

Nos últimos dois anos, ele passou por São Paulo e Bahia para tentar recuperar sua melhor fase, sem sucesso. No Botafogo, foi apresentado sem pompa a dois dias da estreia na Libertadores. Depois do jogo, Eduardo Húngaro avisou que ele é titular: “Se tiro, vou ser chamado de louco.”

— Cheguei um pouco atrasado. O Botafogo já tinha um grupo montado. Mas este ano estou focado, quero deixar minha marca e fazer história com a ajuda dos meus companheiros — avisou o atacante.

Quem o conhece aposta que Wallyson vai se encontrar no Rio:

— Calma… Isso que ele fez ainda não é tudo. Deixa baixar a poeira, e a fera vai pegar! Ele vai jogar muito no Botafogo — aposta Ferdinando Teixeira.

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