Depois dos confrontos envolvendo torcedores de Botafogo e Flamengo na tarde do último domingo (12), no Estádio Nilton Santos, o presidente alvinegro Carlos Eduardo Pereira garantiu que o Rubro-Negro não joga mais no local. No entanto, sem o Maracanã, o campo do time da estrela solitária torna-se a principal opção para partidas dentro do Rio de Janeiro, principalmente os clássicos. Conforme previsto, as semifinais e final da Taça Guanabara seriam no bairro do Engenho de Dentro. Mas com a negativa da diretoria do Bota, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), a entidade já admite outras possiblidades, conforme dito pelo diretor de competições Marcelo Viana em entrevista ao programa Arena Transamérica, da Rádio Transamérica.

– Nós entendemos que não é o momento de falarmos sobre isso. Isso é uma questão que vai ser levada à nossa presidência porque entre presidentes, eles se entendem. A princípio, oficialmente, o Botafogo não nos informou sobre essa posição. Hoje, os ânimos ainda estão muito elevados. A situação muito complicada e tensa de ontem ainda fala mais alto. Então, vamos esperar os acontecimentos, esperar que o presidente Rubens Lopes, da Federação, e Carlos Eduardo Pereira, do Botafogo, sentem e cheguem a um entendimento. Embora o regulamento determine que semifinais e finais sejam no Maracanã, e na sua ausência no Nilton Santos, sempre buscaremos o diálogo com o proprietário do estádio. Então, esse é o posicionamento da Federação: vamos ouvir o Botafogo e tomar um posicionamento no final – afirmou, posteriormente explicando como funciona o regulamento do Carioca, e confirmando que há a possibilidade de não ser no Estado do Rio:

– Existe, hoje ela existe. As semifinais e finais têm que ser realizadas dentro do Estado do Rio de Janeiro, mas dentro de uma possibilidade que não deixe outra opção, tudo pode acontecer. Agora, é sentar e tentar resolver o melhor para o futebol do Rio de Janeiro. Nós estamos fazendo um campeonato interessante, com competitividade, treinadores dando declarações elogiando o campeonato, uma frequência de público razoável para um período do ano em que o sol é muito forte, as praias estão aí, os blocos de carnaval, ensaios de escolas de samba, competindo com o futebol. Então, dentro desse quadro, a presença de público tem sido dentro de um conceito bem razoável. Não vamos estragar isso, vamos conversar e chegar num melhor entendimento para as semifinais e finais da Taça Guanabara.

“PM não sugeriu que jogo não fosse realizado”

Falando ainda sobre as cenas lamentáveis que ocorreram no entorno do Engenhão, na partida que culminou na vitória do Flamengo por 2 a 1, Marcelo Vianna reforçou o discurso de que, segundo a Polícia Militar, responsável pela segurança dentro e fora dos estádios em eventos esportivos, através do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), as condições para a realização do jogo eram as esperadas, sem anormalidades.

– Por entendimento da PM, o clássico foi realizado dentro de uma situação normal de jogo. A situação envolvendo o conflito entre torcidas organizadas, infelizmente, não é exclusivo da partida de ontem. A gente entende e sabe o momento que a cidade está atravessando, de insegurança. Infelizmente, a Polícia Militar tem enfrentado problemas de deslocamento, entrada e saída dos batalhões estão sendo bloqueados por manifestantes. Em determinado momento, isso pode ocasionar um determinado atraso para que a polícia consiga se posicionar nos estádios. Mas, efetivamente, a Polícia Militar ontem, o tempo inteiro, garantiu a realização da partida. Em nenhum momento ela emitiu nenhuma nota ou fez alguma declaração, nem sequer sugeriu que a partida não fosse realizada. E nós estamos em contato o tempo inteiro. A gente entende que a PM tem a expertise de segurança no Estado e ficamos o tempo inteiro linkados. seguindo as orientações dos policiais – esclareceu.

No fim das contas, o confronto entre torcedores acabou com a morte de um alvinegro, entre outros feridos. Apesar disso, Marcelo Viana garantiu segurança para as próximas partidas, começando já por quarta-feira (15), quando o Botafogo enfrenta o Olimpia (PAR) pela Copa Libertadores da América, às 21h45min, em partida que contará com transmissão da Rádio FutRio.

Confira outros pontos da entrevista:

Possíveis restrições às semifinais por conta dos incidentes de Botafogo x Flamengo
– Eu já havia realizado uma reunião com o comandante operacional e o major Silvio, comandante do GEPE, e a partida semifinal no sábado estava apoiada pela polícia. Eles só tinham a restrição de que as duas partidas não fossem realizadas no sábado, e isso efetivamente não será. Uma será no sábado e outra na quarta-feira de cinzas a noite. Então agora a gente lógico, vamos voltar as conversas com a Polícia Militar para ver se algo mudou com esse fato, para depois tomarmos a decisão que a gente entender necessária e que a polícia também entender necessária.

Normalidade de eventos esportivos no Rio, seguindo já na quarta-feira
– Por enquanto, a Polícia Militar mantém a realização das partidas. Hoje, tivemos a reunião de segurança do jogo Botafogo x Olimpia (PAR), a Polícia Militar se fez presente, o comandante Sílvio, o terceiro batalhão, todos eles participaram do planejamento do evento. Então, por enquanto, não temos nenhum ofício, nenhum comunicado da Polícia Militar, de que alguma coisa possa ter sido alterada em relação às partidas de futebol. Lógico que vamos nos antecipar e procurar o comando geral da Polícia Militar para poder decidir com calma como serão as realizadas as semifinais da Taça Guanabara.

Utilização de São Januário para as finais da Taça Guanabara
– Acho prematuro fazer qualquer afirmação nesse momento. Dentro da linha da minha primeira colocação, vamos esperar os ânimos acalmarem, os presidentes da Federação e do Botafogo conversarem, para depois chegarmos a um denominador comum, a uma decisão final de onde possa ser realizada a semifinal, caso o Botafogo mantenha realmente o veto às partidas serem no Nilton Santos. Quanto a São Januário, nesse momento não é uma opção, em função do que determina o regulamento do Campeonato, onde tem que haver a divisão igualitária, 50% para cada torcida envolvida no evento. Como São Januário só consegue dividir 90% com 10% para os visitantes, fica nesse momento descartado.

Fonte: FutRio