Enquanto a carreira de Loco Abreu, de 42 anos, vai se encaminhando para o fim, a de seu filho Diego está apenas começando. O garoto, de 15 anos, é um dos artilheiros das categorias de base do Defensor Sporting. No Uruguai, o menino é apontado pela imprensa como uma das grandes promessas do futebol do país. Em entrevista exclusiva ao Esporte 24 Horas, o jovem declarou que espera responder positivamente a toda expectativa depositada nele.

“Eu gostaria de poder cumprir com essa expectativa que as pessoas têm em mim, mas sou um jovem que tem um sonho a igual a todos os adolescentes da minha idade, que é ser jogador profissional.”

Para quem ainda não o conhece, Diego, que atua como centroavante, pontuou as suas principais características em campo. O filho de Loco Abreu destacou a bola aérea e a qualidade para finalizar como seus pontos fortes.

“Me defino como um nove de área que tem um bom jogo aéreo, inteligente e ultimamente estou buscando sair mais rápido para o ataque. Considero que o meu ponto forte é na hora de finalizar as jogadas.”

Brasil e Botafogo

Loco Abreu durante a comemoração do título Carioca

Loco Abreu ao lado de esposa e filhos durante passagem pelo Botafogo (Foto: Reprodução Twitter | Diego Abreu)

Além de seu país natal, Loco Abreu, na América do Sul, atuou no Brasil e na Argentina. Assim como o pai, Diego também tem vontade de atuar nos dois campeonatos, que considera serem os melhores do continente.

“Tenho o desejo, sim, de jogar no Brasil. Da mesma forma que seria fantástico atuar na Argentina. Os dois países possuem campeonatos fortes e com uma intensidade no futebol que me chama a atenção. O Uruguai tem um bom campeonato, mas não está no mesmo nível de Brasil e Argentina.”

No Brasil, Loco Abreu defendeu Botafogo, Grêmio e Figueirense, mas foi no Alvinegro carioca que ele se constituiu em um dos grandes ídolos da história recente do clube. Diego disse que ficou surpreso com a rapidez como as coisas aconteceram para o pai por aqui.

“Sim, fiquei surpreso. Em 1998, ele jogou no Grêmio. Na época, ele teve poucas oportunidades após atuar no La Coruña. Quando surgiu a proposta do Botafogo, lembro que ele não pensou duas vezes. Achei que ele não seria bem recepcionado por causa da primeira passagem pelo Brasil, mas a torcida do Botafogo o recebeu de braços abertos.”

Apesar de ter conquistado apenas um título pelo Botafogo, o Campeonato Carioca de 2010, Loco Abreu caiu nas graças dos torcedores do Clube da Estrela Solitária. Diego descreveu a relação que seu pai construiu com a torcida alvinegra.

“Uma relação única. Meu pai deu muitas alegrias ao torcedor do Botafogo. Acho até que foi o clube que mais se identificou ao longo da carreira. Ele fez grandes amigos, é apaixonado pela torcida e adorou morar no Rio de Janeiro. Meu pai e minha família somos muito agradecidos por tudo que conseguimos durante a passagem dele pelo Brasil.”

Abreu jogou no Botafogo de 2010 a 2012, quando Diego ainda era criança (entre os 7 e os 9 anos). A maior recordação que Diego tem do pai com a camisa do clube é a mesma da torcida. Um momento inesquecível contra o Flamengo.

“A maior recordação que tenho da passagem dele pelo Botafogo foi a cavadinha contra o Flamengo, no Maracanã. Aliás, quem não lembra? (risos)”

Diego revelou que um dia pretende seguir os passos do pai e atuar no Botafogo. O jovem acredita que Loco Abreu ficaria orgulhoso de ver o filho defendendo o Alvinegro carioca.

“Tenho desejo de um dia poder defender o Botafogo. Acho que meu pai ficaria muito orgulhoso. Da mesma forma que tenho o desejo de poder atuar por outros clubes.”

O garoto ainda não vestiu a camisa do Botafogo como jogador, no entanto, a resposta dada sobre atuar pelos rivais é para ganhar pontos com a torcida. Diego descartou a possibilidade de defender Flamengo, Fluminense e Vasco.

“Não, obrigado! (risos) Com todo o respeito, não tenho interesse em jogar nesses três clubes.”

Pai e filho

Diego Abreu e Loco Abreu durante evento no Uruguai

Diego Abreu não esconde o desejo de seguir os passos de seu pai (Foto: Reprodução Twitter | Diego Abreu)

Diego contou como é sua relação com o pai, dono de um vasto currículo no futebol, e como o mesmo influenciou em sua decisão de se tornar jogador. Especialista da posição, Loco Abreu, obviamente, também dá conselhos ao filho.

“Nossa relação é muito forte. Conversamos bastante sobre vários assuntos, mas ele me deixa totalmente à vontade para tomar as decisões que julgo importantes para minha carreira. Quando conversamos, me diz: ”É fácil chegar, mas o difícil é se manter”. E é claro que ele fala: “Não saia da área.”

Inspiração e admiração

Além do pai, Loco Abreu, Diego revelou que se inspirou em outro uruguaio, que também vestiu a camisa do Botafogo, para se tornar jogador de futebol. E em relação a jogadores brasileiros, o jovem disse admirar o ex-palmeirense Gabriel Jesus.

“Minha inspiração desde pequeno foi Nicolas Lodeiro. Eu gostava como ele comemorava os gols. Isso marcou a minha infância. Brasileiro, eu admiro o Gabriel Jesus. Ele tem uma história de vida muito bonita. Um dia ele estava pintando as ruas do seu bairro e quatro anos depois estava jogando uma Copa do Mundo.”

Europa

Diego Abreu é o camisa 9 do time Sub-15 do Defensor Sporting

Diego Abreu, em pé da direita para a esquerda, é um dos destaques da base do Defensor (Foto: Reprodução Twitter | Diego Abreu)

Os clubes da Europa estão vindo cada vez mais cedo buscar os talentos sul-americanos para terminarem suas formações por lá. Vinícius Júnior, ex-Flamengo, é o principal exemplo recente. Diego afirmou que constantemente pensa em atuar na Europa, mas pontuou que ainda falta muito para isto acontecer.

“Todos os dias penso na possibilidade de poder jogar no futebol europeu. É onde jogam os melhores do mundo, mas agora estou vivendo ao máximo essa etapa da minha vida, até porque ainda falta muito pra isso se tornar realidade.”

Copa do Mundo

Diego Abreu em ação pelo Defensor Sporting

Diego Abreu é um dos artilheiros do time Sub-15 do Defensor Sporting (Foto: Reprodução Twitter | Diego Abreu)

Se considerarmos a idade atual de Diego Abreu, o jovem tem condições de atuar nas Copas do Mundo de 2022, 2026 e 2030. O centroavante afirmou que está trabalhando forte para vir a receber convocações para a seleção principal do Uruguai e, quem sabe, conseguir disputar um Mundial.

“Meus amigos da escola acham que terei condições de disputar a Copa de 2022. Estou trabalhando para receber algumas oportunidades na seleção principal até lá. Se Deus quiser poderei representar o meu país em um Mundial, mas tudo acontece com o tempo, foco, trabalho e dedicação.”

Dupla cidadania

Diego nasceu quando Loco Abreu jogava no México. Por este motivo, o jovem centroavante tem a dupla cidadania. Apesar da história do pai na Celeste Olímpica e de estar começando sua carreira no Uruguai, o garoto não descartou a possibilidade de defender a seleção mexicana.

“Meus amigos daqui do Uruguai querem eu jogue pela seleção daqui. Eu tenho um carinho muito grande pelo país, pela história e pelo que representa a camisa para o futebol mundial. Só que não posso desprezar a oportunidade de jogar pelo México. É um assunto muito delicado, que em algum momento terei de tomar uma decisão. Enquanto isso não acontece, sigo focado no meu trabalho e em jogar pelo Defensor Sporting.”

“Loquito” ou Diego?

Loco Abreu e Diego Abreu durante evento no Uruguai

Diego tinha 7 anos quando Loco Abreu se transferiu para o Botafogo (Foto: Reprodução Twitter | Diego Abreu)

Por fim, o jovem demonstrou personalidade. Perguntado se gostaria de ser chamado pelos brasileiros de “Loquito” ou se prefere ser conhecido como Diego Abreu, afirmou que não quer ficar na sombra do pai famoso.

“Eu gostaria de ser conhecido pelo meu próprio nome. Sei que serão inevitáveis as comparações da torcida e da imprensa com o meu pai, mas quero construir minha carreira e tornar meu nome conhecido pelo que posso produzir em campo e não por ser filho de um ídolo. Por tudo o que ele construiu ao longo dos anos jogando futebol, a responsabilidade de ter que defender o nome dele é enorme, mas me considero capaz de escrever o meu próprio nome na história do futebol”, encerrou.

Fonte: Esporte 24 Horas