O comunicado de Flamengo, Fluminense e Vasco emitido na noite da última segunda-feira foi recebido como uma declaração de guerra à Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), mas a batalha, por enquanto, deve ficar apenas nas ideias. Com a reeleição de Rubens Lopes à presidência da federação nesta terça, o trio deve se manter como oposição, mas sem tomar qualquer atitude mais agressiva contra a instituição.

A possibilidade de uma radicalização nas conversas com a federação foi descartada veementemente pelo presidente do Fluminense, Peter Siemsen, o único a se pronunciar abertamente após a eleição na Ferj. O Tricolor foi também o único clube a não mandar representantes para a reunião onde foi realizado o pleito que mantém Rubens Lopes no comando até 2016.

“Precisamos que a Federação conduza essa mudança [no futebol carioca]. É muito difícil na estrutura politica atual fazermos essa mudança. Só se montássemos uma liga, aí teríamos um enfrentamento e isso não é bom para ninguém. Nós [clubes] nos unimos em uma situação importante. Vamos sentar e conversar [com a Ferj] até para evitar uma situação mais radical que não é boa para ninguém”, disse Peter Siemsen, já adotando uma posição de diálogo com a federação a partir de agora.

Ao contrário do Fluminense, Flamengo e Vasco preferiram não se pronunciar ao serem procurados pela reportagem do UOL Esporte. O Rubro-negro reiterou sua posição de oposição à federação, mas não quis falar sobre a reeleição de Rubens Lopes. A dupla, no entanto, seguirá cobrando mudanças no futebol carioca, como no manifesto da última segunda.

Flamengo e Vasco enviaram representantes à cerimônia que reelegeu por aclamação o atual presidente Rubens Lopes até 2018. Os advogados Fernando Lamar (Vasco) e Bernardo Aciolly (Flamengo) não votaram na chapa única de Rubinho, mas também não fez qualquer tipo de objeção formal à decisão, o que possibilitou a eleição por aclamação.

Ainda assim, o presidente do Fluminense viu como válida a manifestação dos clubes. Para Peter Siemsen, a ideia era mostrar a insatisfação dos grandes clubes cariocas com o atual formato do Campeonato Carioca, que chega às semifinais com baixa média de público.

“Por bem, os clubes entenderam que o momento era uma situação em que a maneira de deixar claro que queríamos mudanças era não votar e listando pontos que consideramos importantes. A partir dai teremos um desafio que é a parte dois, sentarmos juntos e trabalharmos para propor soluções e até acompanharmos o desenvolvimento da gestão da federação. Até para sabermos se estávamos certos ou não. Gostaríamos muito que essas mudanças acontecessem no próximo mandato do presidente Rubens Lopes”, deixou claro Peter.

Aliado de Rubinho, o presidente do Botafogo, Mauricio Assumpção, foi o único a não participar do manifesto envolvendo os outros grandes clubes cariocas. A tendência é que o Alvinegro fique isolado na política dentro da federação com o novo posicionamento dos rivais.

Fonte: UOL