Flamengo e Botafogo mantiveram a rotina de desavenças com a Arena da Ilha como pano de fundo antes de se reencontrarem em campo neste domingo, pelo Brasileiro, em Volta Redonda. De forma velada ou através de indiretas em redes sociais, dirigentes dos dois clubes se alfinetaram sobre a diferença na condução das obras para colocar o estádio de pé. No entanto, nem o Botafogo, que atuou no local em 2016, nem o Flamengo, que alugou o espaço pelos próximos três anos, tornaram transparente as exigências cumpridas para utilizar o estádio da Portuguesa após reformas.

A reportagem solicitou por dias seguidos cópias dos documentos gerados pelas autoridades para a emissão dos laudos nas duas ocasiões. Nem os clubes nem o Corpo de Bombeiros, acusado da maior burocracia, enviaram. A corporação pediu que fosse pedido aos clubes. O Flamengo ficou de dar acesso a lista de exigências, mas não o fez. O Botafogo disse apenas que a posição do clube havia sido tornada pública através de seu presidente, que afirmou que todos os laudos estavam em dia para o uso do estádio em 2016.

A única posição dos Bombeiros foi quando questionados se houve diferença de tratamento nas avaliações das condições de segurança contra incêndio e pânico nas obras feitas pelos dois clubes. Através da assessoria, a corporação informou que “como o Botafogo jogou na Ilha no ano passado, o estádio estava regular e cumpriu as exigências para o cenário que apresentava na ocasião”. Ainda segundo o órgão, “existe variação dos dispositivos móveis e fixos de acordo com o tamanho do estádio, capacidade máxima de público, entre outros ítens”.

Apesar de não ter enviado detalhes e documentos, a reportagem apurou que no caso do Flamengo houve exigências dos bombeiros quanto ao tratamento anti-chamas das arquibancadas e o pedido por corredores e corrimãos nas mesmas. O clube ainda realizou a transposição de um canal de águas pluviais que o Botafogo ignorou. E instalou sapatas de contreto ao invés de madeira na estrutura de arquibancadas.

A reportagem então solicitou ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, CREA-RJ, as Anotações de Responsabilidade Técnica das obras feitas pelos dois clubes. A assessoria do órgão disse que os documentos estariam no site do CREA-RJ, mas não os enviou, da mesma forma que os clubes. Portanto, não se sabe por exemplo quem autorizou o Botafogo a montar arquibancada sem estudo de solo e desvio do canal. O Flamengo se manifestou em nota na última semana indicando que o tratamento foi mais rigoroso, e deixando no ar os critérios usados em outros casos.

“Para o Flamengo, não há preço para o bem-estar dos cidadãos cariocas. Por tudo isso, esperamos que o mesmo rigor aplicado para a aprovação do estádio do Flamengo na Ilha seja regra geral nas instalações esportivas de outros eventos”.

Fonte: Extra Online