Em campo, o Botafogo terá um representante na Copa América: Gatito Fernández, convocado pelo Paraguai. Nos bastidores, porém, pode-se afirmar que Flávio Tênius, preparador de goleiros do Alvinegro, possui um trabalho consolidado em dois arqueiros que estarão disputando a competição internacional. Além do atual titular da meta do Glorioso, ele também trabalhou com Martín Silva, chamado por Óscar Tabárez para a seleção do Uruguai.

De forma exclusiva ao LANCE!, Flávio Tênius falou sobre a relação com cada um desses goleiros. Gatito, provavelmente, será o titular do Paraguai, que estreia na competição neste domingo, contra o Qatar, às 16h, no Maracanã. Martín Silva, por outro lado, é um dos atletas de confiança de Óscar Tabárez, mas não deve iniciar a competição no onze inicial.

– Eu trabalho com o Gatito desde 2017, quando ele veio para o clube. A relação é muito boa, eu não o conhecia, tinha noção apenas de informações. Na necessidade de contratar um goleiro, com a contusão do Jefferson, ele foi o que a gente conseguiu viabilizar a negociação mais facilmente e veio para o Botafogo. A partir daí, a nossa relação é muito próxima, como é com qualquer goleiro que eu trabalhei, é algo de muita confiança. Quase marido e mulher, às vezes eu estou mais com eles do que com meus filhos – analisou sobre o goleiro paraguaio.

– Depois que foi para o Libertad eu não falei com ele. Antes dele sair daqui nós conversamos, a gente trabalhou no Vasco em 2015, fomos campeões estaduais. Foi uma grata surpresa, era um goleiro experiente, já tinha duas Copas do Mundo e, mesmo assim, foi uma figura respeitada no Vasco, nossa relação foi muito boa. Ele é um profissional correto, atento e que entende a necessidade do aprimoramento, mesmo sendo mais velho, ele entendia que deveria buscar melhorar. Depois que saí do Vasco, nos falamos algumas vezes, é uma relação de respeito, muito profissional, ele é um cara sério – completou, falando sobre Martín Silva.

Gatito Fernández chegou ao Botafogo sendo preterido pela seleção nacional, em 2017. Com seguidas atuações positivas pelo Alvinegro, porém, o goleiro voltou a ser convocado e, acima disto, foi titular pela primeira vez no amistoso contra a Guatemala, no último domingo. Flávio Tênius comentou sobre a evolução de um dos destaques do time de General Severiano e seus métodos de treinamento.

– Ele chegou aqui e logo nós conseguimos implementar um trabalho, ele entendeu e conseguiu chegar à seleção, que era o sonho, e tem ajudado muito a gente também. O segredo é o goleiro entender o que você quer e eu não abro mão do trabalho. O goleiro joga em uma posição que ele é o último defensor da equipe, está a um metro do gol, então qualquer erro pode ser fatal. Temos que criar o hábito do gesto técnico, dos fundamentos, eu não abro mão de cuidar disso diariamente, tem que ter capricho. O atleta precisa de uma semana de treinamentos bem feita, porque o jogo é uma continuação do dia a dia dele. Vamos trabalhar aquilo que ele faz no jogo – analisou.

Com a linhagem de goleiros inserida em seu DNA, já que seu pai, Gato Fernández, foi um goleiro com certo sucesso na América do Sul, no século passado, Flávio Tênius elogia o atual titular do Botafogo e da seleção paraguaia pela regularidade e dedicação aos treinamentos.

– O Gatito é um cara muito profissional, ele veio de uma família de atletas, o pai dele foi um goleiro de sucesso, jogou na seleção, marcou época no país dele e aí foi legal porque, desde a chegada dele, a gente teve uma empatia grande, é um cara muito correto, está sempre atento e procurando melhorar. Ele sente necessidade das informações, acredita naquilo que a gente passa sobre os adversários e isso é muito legal, a evolução dele foi muito boa nesses dois e anos e meio, tanto que hoje ele é um dos grandes jogadores do Botafogo. Eu prego muito pela regularidade, com o goleiro sempre com boas atuações, não adianta jogar bem em um jogo e no outro falhar, o Gatito entendeu isso, é muito dedicado e nós vemos o resultado no desempenho dele – finalizou.

Fonte: Terra