Governo reúne clubes e gestores por ingressos mais baratos

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O governo federal iniciou nesta quinta-feira um movimento para tentar garantir ingressos a preços mais acessíveis nas novas arenas do país. O tema foi discutido em reunião realizada no Ministério do Esporte, em Brasília, que contou com a presença de representantes de clubes, empresas gestoras e governos estaduais e municipais com participação na administração dos estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo de 2014.

– Nós temos por consenso que essas novas arenas valorizam nosso futebol, dão mais conforto e segurança aos torcedores. São consequências positivas para o futebol. Mas também há o risco de uma consequência indesejada, que é a exclusão de uma parcela dos torcedores, que são os de baixa renda – defendeu o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

Reuniao Ministro Esporte (Foto: Glauber Queiroz / Flickr / Ministerio do Esporte)
Ministro do Esporte, Aldo Rebelo (de paletó claro), em reunião para debater a redução do preço dos ingressos nos estádio de futebol  (Foto: Glauber Queiroz / Flickr / Ministerio do Esporte)

Durante o encontro, os responsáveis pelas arenas apresentaram planilhas de custos para a operação dos novos estádios e justificaram os valores cobrados nos ingressos. Nenhuma solução para redução dos preços foi proposta, mas as partes se comprometeram a buscar alternativas, que deverão ser apresentadas em uma nova reunião ainda no mês de outubro.

– Nós examinamos dados, números e ouvimos o depoimento dos clubes, das arenas e dos proprietários. É preciso levar em conta essa preocupação (com ingressos mais acessíveis), mas também outras que não são tão visíveis, como ter uma renda capaz de assegurar a viabilidade desses clubes e a operação dessas arenas. Sugestões serão enviadas por todos os integrantes da reunião, vamos produzir relatórios e fechar um conjunto de soluções possíveis e prováveis que serão encaminhadas para a Presidência da República – completou o ministro.

Aldo Rebelo ainda fez questão de destacar que altos preços, como os cobrados no jogo entre Santos e Flamengo, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, pela rodada de abertura do Campeonato Brasileiro, são uma exceção. Na ocasião, os bilhetes custaram entre R$ 160 (R$ 80 a meia-entrada) e R$ 400.

– O que testemunhamos aqui é que a média dos preços não corresponde à ideia que se faz dela. Nós tomamos como referência muitas vezes um caso exorbitante, como foi no jogo entre Santos e Flamengo, mas a média de preço nos estádios é muito inferior – disse Rebelo.

Presente na reunião, o ex-presidente do Corinthians e responsável pelas obras do Itaquerão, Andrés Sanches, informou que a média cobrada pelo clube paulista é de R$ 62 em jogos da Libertadores da América e R$ 42 em partidas do Brasileirão. Valores que, para ele, não são abusivos.

– É caríssimo, mas também acho tantas outras coisas caras no país. Para se ter grandes jogadores, garantias, segurança para o público, acho que de R$ 50 para baixo não é muito. Tem que se achar o bom senso – justificou Andrés, que revelou ainda que o clube paulista pretende manter 40% dos espaços da Arena Corinthians com preços de R$ 50 ou menos.

Presidente da concessionária que administra o Maracanã, João Borba disse que a média de preços cobrados no estádio carioca é de R$ 54 em jogos do Campeonato Brasileiro e R$ 40 em partidas da Copa do Brasil. Segundo ele, propostas para viabilizar ingressos mais baratos serão discutidas entre o consórcio e os clubes cariocas, e apresentadas posteriormente ao Ministério do Esporte.

– Recebemos essa colocação do ministro Aldo Rebelo e vamos apresentar em conjunto com os clubes algumas sugestões para o trabalho que demos início hoje. Temos que estudar bem antes, para não ficar falando apenas em hipóteses.

Além de Andrés e Borba, também participaram da reunião dirigentes de Bahia, Botafogo, Fluminense, Grêmio e da CBF, além de representantes dos gestores dos estádios da Arena Pernambuco, Fonte Nova, Mineirão e Mané Garrincha.

Sem dinheiro público

Em busca de alternativas para garantir preços mais acessíveis nos novos estádios, o ministro do Esporte garantiu que, por enquanto, não é cogitada a aplicação de recursos públicos como subsídio.

– Nós não pretendemos colocar dinheiro público para a aquisição de ingressos – afirmou Aldo Rebelo.

Porém, foi levantada na reunião a possibilidade de inclusão do futebol no projeto do vale-cultura, que concede benefício de R$ 50 por mês para trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos comprarem ingressos para festas populares, espetáculos de artes cênicas e música, exposições e cinema.

– Foi colocado na reunião que seria legítimo, se não de imediato, mas pensando em médio prazo, que o futebol também partilhasse esse vale-cultura, porque a Lei Pelé considera o futebol brasileiro como patrimônio cultural do país. Mas não foi cogitado como uma coisa imediata, apenas como ideia a ser amadurecida – concluiu o ministro.



Fonte: Globoesporte.com
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