Henrique: ‘Oswaldo diz que, quando me lançar, é para estourar’

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Aos 22 anos, Henrique conhece bem os altos e baixos que o futebol pode proporcionar. Artilheiro, campeão e Bola de Ouro do Mundial sub-20, na Colômbia, em 2011, o atacante não conseguiu se firmar em nenhum dos quatro clubes por que passou como profissional antes de chegar ao Botafogo, onde ainda busca seu espaço. Em janeiro, ele chegou a General Severiano cercado de expectativas, mas ainda não convenceu.

Até o momento, foram nove jogos e nenhum gol. Recentemente, no entanto, Henrique vem se destacando nos treinamentos e recebeu uma nova chance do técnico Oswaldo de Oliveira. No último domingo, após um longo período de ostracismo, ele entrou contra o Grêmio e foi bem. Além da boa movimentação, arriscou uma bicicleta, que levou certo perigo.

Henrique Botafogo (Foto: Marcio Iannacca)
Henrique quer se firmar no Botafogo (Foto: Marcio Iannacca)

A ideia agora é buscar a sequência que não teve no São Paulo, no Granada (Espanha), no Sport e no Vitória. Henrique está confiante e garante: quando a oportunidade chegar, não a deixará escapar.

– É difícil, né? Você chega a um patamar, vive expectativas. Mas sei do meu potencial e confio nas pessoas que trabalham comigo. Eu sei que as coisas vão voltar a acontecer. Tenho fé em Deus que vão voltar. É ter a oportunidade. E quando as tiver, é agarrar e não deixá-las escapar.

Com contrato de quatro anos com o Botafogo, Henrique conta com a paciência e expectativa da diretoria do Botafogo, que espera que em breve o atacante, enfim, desabroche no futebol.

Confira o bate-papo com o Henrique.

GLOBOESPORTE.COM: Você está no Botafogo desde o início do ano, mas vem jogando pouco. Como está sendo sua adaptação ao clube?
Henrique:
Cheguei no início do ano. O time é muito bom, e o grupo me acolheu bem. Estou brigando, buscando meu espaço, querendo jogar. Todo jogador que jogar. Mas sei que tudo tem seu tempo. Estou conquistando a confiança de Oswaldo (de Oliveira), que é o mais importante, para poder dar sequência ao meu trabalho.

Esperava jogar mais?
Esperava jogar mais, ter mais oportunidades. Mas sei que o Botafogo tem muitos jogadores de qualidade, da confiança do Oswaldo. Tudo sempre tem dois lados. O lado do jogador e o lado do treinador. E sei que preciso entender também o lado do treinador. O Oswaldo vem sempre me passando confiança nos treinamentos, conversando comigo. Ele me fala que, quando me lançar, vai ser para estourar. Confio no Oswaldo, confio no trabalho dele, e estou esperando essa oportunidade.

Apesar de jogar pouco, você chegou e já foi campeão carioca.
Sou pé-quente, né? (risos). Ganhamos os dois turnos do Campeonato Carioca. Não teve nem final. Foi muito bom. Título é sempre muito bom. Estar no elenco e fazer parte deste grupo são coisas gostosas. Temos que continuar assim. Nosso elenco é muito bom e tem muito a conquistar ainda neste ano.

Após quase sete meses, já se sente adaptado ao Rio de Janeiro?

O Rio de Janeiro é realmente uma cidade maravilhosa. Vinha, às vezes, só para jogar. Agora, morando aqui, estou gostando muito. Tudo é muito bom. Minha esposa também está gostando muito. É difícil alguém morar no Rio de Janeiro e não gostar.

E como é a convivência com o Seedorf, um jogador que já conquistou quase tudo no futebol mundial?
Ele é um cara diferente. Nos treinos, a gente vê que a qualidade dele é acima da média, excepcional.  É um jogador de muita qualidade e é um jogador que passa muita confiança ao grupo, chama a responsabilidade. E isso é muito bom para os jogadores mais jovens. Ele influencia sempre pelo lado positivo. É um cara de caráter, de grupo. O Seedorf está ajudando muito o Botafogo.

Ele conversa com os mais jovens? Já te passou dicas?
Ele conversa bastante, sempre me passa dicas. Até pela experiência que ele tem. Todos conhecem a carreira do Seedorf, não preciso nem falar. É um jogador que já conquistou muitos títulos. Por onde passou, ele foi campeão. Ter um cara do peso dele é muito bom para o Botafogo. Vejo o Seedorf como um cara que tento me espelhar.

Você tem apenas 22 anos, mas já está em seu quinto clube como profissional. Por que ainda não conseguiu se firmar?
Tive uma carreira meio turbulenta, mas agora vai se acertar. Você não escolhe, você vive. São escolhas do dia a dia. Às vezes são certas, às vezes, erradas. Mas são escolhas que têm de ser feitas. Ainda estou novo. Tenho que correr atrás, tenho muito a conquistar. Tenho que continuar batalhando, continuar lutando, sempre focando no trabalho, que as coisas vão acontecer.

Em 2011, você foi campeão, artilheiro e Bola de Ouro do Mundial sub-20, na Colômbia…
É difícil, né? Você chega a um patamar, vive expectativas. Mas sei do meu potencial e confio nas pessoas que trabalham comigo. Eu sei que as coisas vão voltar a acontecer. Tenho fé em Deus que vão voltar. É ter a oportunidade. E, quando as tiver, é agarrar e não deixá-las escapar.

Após o Mundial, faltou valorização no São Paulo?
Acho que da parte do São Paulo, faltou. Todos os jogadores que se destacaram no Mundial sub-20 tiveram uma maior valorização em seus clubes. Faltou isso no São Paulo. Mas são águas passadas, agora sou Botafogo. Não tenho que lamentar e, sim, correr atrás.

Na época, o técnico era o Leão. Teve problemas com ele?

Nunca tive problemas com ele. Não sei dizer direto o que aconteceu. Foram problemas internos. Agora espero dar a volta por cima.

Alguns jogadores que disputaram o Sul-Americano sub-20 em 2011 contigo, como Neymar, Lucas, Oscar e Fernando, foram campeões da Copa das Confederações neste ano, com a seleção brasileira. O que passa na sua cabeça vendo o sucesso profissional de seus colegas de base?
Tive muita convivência com esses jogadores no Sul-Americano e no Mundial. Vejo esses jogadores chegando à seleção brasileira e lembro que estava com eles há pouco tempo. Sei que tenho a capacidade de chegar à Seleção um dia. Todo jogador sonha jogar na seleção principal, representar seu país e defender o Brasil. Todo jogador tem que ter isso na cabeça e, comigo, não é diferente. Ganhei com a sub-20 e agora viso a seleção principal. Tenho que trabalhar, passar etapa por etapa e confiar no meu trabalho, que as coisas vão acontecer naturalmente.

E como foi sua passagem pelo Granada, da Espanha?
Fiquei apenas quatro meses. Cheguei com o campeonato em andamento. Até se adaptar ao estilo de jogo europeu, demora um pouco. A dinâmica é outra, e não me adaptei tão rápido como eu pensava. O jogador, quando vai para fora, tem que ter um tempo, porque as coisas são bem diferentes. Só quem joga sabe. Mas foi uma passagem boa, ganhei experiência, joguei em grandes estádios, contra grandes equipes. Tudo é experiência na vida.

henrique botafogo duque de caxias carioca 2013 (Foto: Wagner Meier / Agif)
Henrique em ação pelo Campeonato Carioca (Foto: Wagner Meier / Agif)

Você foi muito novo para a Europa, mas retornou rapidamente. Se pudesse voltar atrás, adiaria um pouco sua primeira experiência fora do Brasil?
Se eu pudesse voltar atrás, seguraria um pouco. Acho que faltou um pouco de maturidade. Mas agora estou no Botafogo e espero ter uma sequencia, fazer boas partidas e sair valorizado. A melhor coisa é quando se sai valorizado.

A ideia, então, é se firmar no Botafogo?
Tenho quatro anos de contrato. Estou focado no clube. Eu me dou bem com o elenco, comissão técnica, diretoria, com todos. O ambiente é muito bom. Vou esperar minha oportunidade. Quando aparecer, não solto mais.

Você falou muito que, se tiver oportunidade, não vai deixar escapar. Acha que esse momento está chegando?
Esse momento está chegando, está cada vez mais perto. No dia que chegar, não saio mais.



Fonte: Globoesporte.com
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