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Ídolo de Botafogo e San Lorenzo fica dividido na torcida e manda recado para Tanque

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Duas paixões. Lobo Fischer segura a camisa do San Lorenzo e do Botafogo Foto: Arquivo
Duas paixões. Lobo Fischer segura a camisa do San Lorenzo e do Botafogo Arquivo

RIO – Botafogo e San Lorenzo se enfrentam nesta terça-feira, às 20h, no Maracanã. Dois dos mais tradicionais clubes de seus países, o alvinegro e o “azulgrana” compartilham muito mais do que a obsessão por vencer pela primeira vez a Libertadores. Entre os jogadores que atuaram nas duas equipes estão Oscar Basso, nos anos 40 e 50, e, mais recentemente, Pipa Estevez e a dupla de ataque Herrera e Loco Abreu. Nenhum deles jogou tantas vezes e fez tantos gols como Rodolfo José Fischer, ou simplesmente Lobo Fischer. Ídolo do San Lorenzo e autor de dois gols na histórica goleada do Botafogo sobre o Flamengo por 6 a 0, em 1972, ele compara os rivais de amanhã.

– São dois clubes que tiveram na história jogadores de grande qualidade. O San Lorenzo guarda muito carinho com seus ex-jogadores. São muito queridos e reconhecidos pelo clube e pela torcida. É uma das particularidades do clube, o que deixa o jogador muito feliz. Neste aspecto, é o melhor clube da Argentina – conta Fischer, por telefone ao GLOBO. – O Botafogo também reconhece seus grandes jogadores. Os torcedores sabem que neste clube jogaram os melhores do mundo, como Gérson, Dirceu, o grande Amarildo, Nílton Santos, um cara sensacional, e o pássaro Garrincha. Cheguei a bater bola com ele – orgulha-se.

Nascido há 69 anos em Oberá, em Missiones, o argentino mora atualmente em Monte Grande, na província de Buenos Aires. Filho de pai brasileiro, ele domina o português graças às frequentes visitas a parentes que moram no Sul do Brasil. Mas o Rio virou uma lembrança distante. Fischer não visita a cidade desde 1979, quando jogava pelo Once Caldas, da Colômbia.Recordação de ex-companheiros

No Botafogo, atuou de 1972 a 1975, fez 180 jogos e 68 gols. Ele fala com orgulho dos ex-companheiros Wendel, Cao, Britto, Valtencir, Mauro Cruz, Osmar, Carlos Roberto (“baixinho que jogava mucho”), Nei Conceição, Zequinha, Roberto, Jairzinho e Ademir (“um garoto de Ribeirão Preto que era muito gente boa”). Ao falar de Marinho, o argentino faz questão de citar o nome inteiro: Francisco das Chagas Marinho. Outro a quem guarda boas recordações é “Ferretón”, como se refere a Ferreti. Com o time, foi vice-campeão brasileiro em seu primeiro ano. No seguinte, Fischer fez quatro gols pela Libertadores.

– Tomamos um gol no último minuto para o Colo Colo, no Chile. Se ganhássemos, chegaríamos na final. Foi uma lástima que não nos classificamos às finais contra o Independiente – lamenta Fischer, que fez um dos gols no empate por 3 a 3, em Santiago. — Nem sempre dá certo, mas havíamos feito uma boa campanha.

Além das recordações, Fischer guarda uniformes dos times que passou. Num assalto em sua casa há 20 dias, no entanto, uma perda irreparável: foram levadas fotos de sua temporadas cariocas. (“Nessa Argentina ruim dos tempos atuais acontecem essas coisas”, reclama). Apesar da distância de General Severiano, guarda carinho daquele tempo.

– Não me sinto esquecido. Cada um faz sua vida e a vida do Botafogo continua. Às vezes, tenho contato com brasileiros e eles se lembram que eu joguei pelo Botafogo. Sou muito agradecido pelo clube – diz.

Começo difícil e recado para Tanque

Quando fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de ir para Quito, há duas semanas, o Botafogo fez uma homenagem ao ex-goleiro Manga, que vive no país. Na última rodada da fase de grupo, em 9 de abril, o alvinegro visitará o San Lorenzo, em Buenos Aires. É de se esperar que o clube preste uma homenagem ao ex-jogador. Apesar da passagem mais marcante pelo San Lorenzo, onde é o quarto maior goleador da história (143 gols em 275 jogos, entre 1965 e 1972), Fischer fica em cima do muro quando é perguntado sobre sua torcida amanhã.

– Sou torcedor do San Lorenzo, onde comecei profissionalmente e de onde fui para a seleção. Mas sou torcedor do Botafogo também. Quando vejo que vence, fico contente – explica Fischer, que comentou o Grupo 2, que tem ainda Unión Española, do Chile, e Independiente del Valle, do Equador. – Se der a lógica, Botafogo e San Lorenzo vão se classificar. São os mais fortes.

Palco do confronto pela Libertadores, o Maracanã é logo lembrado por Fischer pela goleada sobre o Flamengo (“Foi um vitória histórica: dois gols meus, três do Jairzinho e um do Ferretón”). Ele faz questão de dizer que, em sua passagem pelo clube, foi feita uma pesquisa na arquibancada do estádio que o colocou como um dos preferidos da torcida. Nem sempre foi assim. Apesar das credenciais apresentadas ao ser contratado pelo clube, ídolo do San Lorenzo e jogador da seleção argentina, a adaptação não foi imediata.

– Foi um pouco difícil o começo. O jogo brasileiro é de muito toque para trás, a bola vira muito de um lado para o outro. O jogo argentino é mais frontal – analisa. – Tive inconvenientes, mas, quando entendi o jogo, deu certo.

Estrangeiro, centroavante e com apelido marcante. É impossível não ver semelhanças entre a passagem de Lobo Fischer com a de Loco Abreu, atualmente no Rosário Central, na Argentina. Pelo Botafogo, o uruguaio fez 63 gols em 107 jogos. Hoje, Tanque Ferreyra tenta seguir os passos da dupla. Se as primeiras duas partidas não animaram a torcida, Fischer aconselha o compatriota, que veste “sua” camisa 9:

– Ele deve tratar de não baixar a cabeça. É lutar e lutar muito para ganhar a torcida com boas atuações. Quando uma coisa não dá certo, a gente tem que seguir lutando.

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