São poucos os botafoguenses que não lembram do atacante Caio, que ganhou destaque no Botafogo após marcar gols decisivos em 2010, quase sempre saindo do banco de reservas. Foi apelidado de Talismã pelo técnico Joel Santana ao fazer o seu gol mais marcante, o da vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo na semifinal da Taça Guanabara. Sete anos depois, o jogador, hoje aos 26, vive excelente fase no Al Wasl, dos Emirados Árabes, e conta ao EXTRA o motivo de não ter se firmado como titular no Alvinegro. Ele deixou o clube em 2012.

– Eu acabei estourando muito novo no Botafogo. Quando a gente estoura tão rápido, você acaba se deslumbrando um pouco. Depois que conquistamos o título em 2010, deixei a seriedade de lado, deixei de trabalhar mais do que os outros. Faltou aquele comprometimento a mais nos treinamentos – assume Caio, que chegou a ter alguns problemas com a diretoria alvinegra no fim de 2011 após ter sido cortado de uma partida.

– Hoje, me vejo muito mais maduro, muito mais profissional. Tenho três anos de casado também, minha esposa me ajuda bastante. Sou um Caio muito mais centrado e focado. O amadurecimento me ajudou bastante aqui no Mundo Árabe e é o segredo do sucesso – acrescentou o jogador.

Caio comemora com Joel gol pelo Botafogo em 2010
Caio comemora com Joel gol pelo Botafogo em 2010 Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo

Mais maduro, Caio aproveita para passar alguns conselhos ao atacante Sassá, que teve recentemente alguns problemas de indisciplina no Alvinegro Carioca.

– Manter os pés no chão, respeitar os companheiros e trabalhar duro, mais do que todos. Trabalhar, trabalhar e trabalhar é o segredo. Tenho certeza que, desta forma, ele vai dar a volta por cima pois tem muito talento. Já mostrou isso no Campeonato Brasileiro do ano passado, quando fez muitos gols – disse.

Com contrato até 2020 com o Al Wasl (clube que defende há três anos), Caio nem pensa em voltar ao futebol brasileiro no momento. Até porque, em Dubai, tem sido muito bem tratado pelos dirigentes, pela torcida e pelos companheiros.

– Tenho uma relação muito boa com todos. A torcida me recebeu com muito carinho desde o primeiro dia. Os companheiros, a gente brinca sempre. E os dirigentes, tenho aquela relação de respeito – disse.

– Presentes dos dirigentes já ganhei sim, não carros… mas já ganhei coisas legais, eletrônicos como celulares, relógios… Coisas que a gente não costuma ganhar muito no Brasil, mas aqui é comum. Sempre bom. Carro ainda não ganhei, mas estou buscando isso (risos) – acrescentou, por fim, o jogador.

Abaixo, o restante da entrevista.

Quem é o talismã do Botafogo atual?

“Acho que o Pimpão é o cara de sorte que vem dando a vida pelo Botafogo, fazendo os gols importantes. Então, acho que o Rodrigo Pimpão é o nome que eu acho que pode ser o talismã do Botafogo atual”.

Pensa em encerrar a carreira no Botafogo?

“O Botafogo é um clube gigante, pela grandeza, pela história… seria maravilhoso… Mas, acho que para eu falar isso agora é muito cedo, meio complicado… Mas se acontecer seria maravilhoso.. Qualquer jogador gostaria de atuar pelo Botafogo”.

Fala um pouco da sua relação com o Joel Santana.

“A minha relação com o Joel é fantástica… mês passado até conversei com ele no WhatsApp… Eu falo do Joel, já começo a rir porque a gente teve uma história muito legal junto. É um cara pelo qual eu sempre vou ter um carinho enorme e tenho certeza que ele tem um carinho enorme por mim. Realmente me abraçou, me deu várias oportunidades. O Joel, pela pessoa que é, pelo campeão que é, vou sempre ser eternamente grato. Fico rindo porque conversei com ele outro dia e tudo que ele fala é engraçado. Começo a lembrar das histórias e é bem legal as boas recordações”.

Conselhos ao Sassá

“O que eu falo para o Sassá é isso… Eu gostaria que alguém tivesse me dito isso no passado. Claro que minha família sempre me deu vários conselhos. Mas me faltou um pouco mais de foco, um pouco mais de seriedade nos treinamentos, trabalhar mais do que os outros jogadores para ter um sucesso maior do que eu tive no Botafogo. Meu conselho é apenas esse para o Sassá, manter os pés no chão e trabalho… trabalho, trabalho e trabalho que com certeza, quem trabalha certo, trabalha justo, os resultados vêm”.

Na semana passada, você virou notícia no mundo da bola após aplicar um belo lençol em um adversário…

“Eu recebi uma bola na direita… vieram dois marcadores em cima de mim. Tive que pensar rápido e usei um recurso… jogada típica de salão. Quando estou de férias, gosto de jogar muito no salão. Brincar com os amigos e costumo sempre fazer esse drible.. Na hora ali você tem pouco tempo pra pensar e tem que tirar uma carta da manga. Acabou sendo um bonito drible e teve uma bela repercussão. Fiquei muito feliz”.

Acompanha o Botafogo aí de Dubai?

“Acompanho bastante os jogos do Botafogo. Tem um aparelho aqui que consigo ver todos os jogos. Tem me ajudado muito… venho acompanhando o Botafogo. Fiquei feliz pelo desempenho na Libertadores…”

E a relação com os torcedores, como é?

“A relação é muito boa. Nas minhas redes sociais, sempre recebo mensagens dos torcedores. Quando estou de férias no Brasil, o carinho é imenso. Na minha própria cidade, em Volta Redonda, tem muito botafoguense. Então, o carinho sempre continua”.

Fonte: Extra Online