Jogadores de 2002 veem crise igual a que levou à degola: ‘Não tinha como dar certo’

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O gol de Dill, no segundo tempo contra o São Paulo, foi o tiro de misericórdia de uma situação que vinha se desenhando há alguns anos no Botafogo. O dia 17 de novembro de 2002 ficou marcado como a mancha mais negra na história de um clube vencedor. Doze anos depois, embora ainda faltem muitos jogos, o cenário é parecido.

Assim como agora, em 2002 o atraso de salários era constante, jogadores viviam insatisfeitos, porque uns recebiam em dia e outros não, e treinos eram cancelados para amenizar as despesas do grupo e do clube.

Capitão na época do rebaixamento, o zagueiro Sandro vê muitas semelhanças e mostra preocupação. Para ele, onde falta dinheiro os problemas ficam impossíveis de serem contornados.

— Os jogadores não confiavam na diretoria, faltava credibilidade, não tinha como dar certo — recorda.

Na época, o Botafogo trocou de técnico cinco vezes na competição. Para assumir a três jogos do fim do Brasileiro, Carlos Alberto Torres recebeu R$ 45 mil na mão. Muitos jogadores chegaram durante a competição. Galeano, por exemplo, era o único a receber em dia, porque seu salário era pago pelo Palmeiras. O fato desagrava internamente. Faltava união, faltavam vitórias.

— Muita gente chegou sem o menor compromisso com o clube. Cada um pensava em si, não era um grupo. A estrutura era zero. Não tinha como treinar em dois períodos, porque a despesa de alimentação e transporte pesava no bolso — enumera Sandro.

Quem viveu de perto o drama do passado lembra que até água não tinha no Caio Martins, local de treinos, por falta de pagamento das contas. Muitas vezes não havia gelo para tratamento, remédios, esparadrapo… Hoje, a estrutura é melhor, mas o caos financeiro ainda assusta.

— É tudo muito parecido. Nunca vi um time com essa situação financeira ir para a frente — atesta Dé, treinador dos juniores na época e que sempre assumia o time quando um técnico era demitido.

Fonte: Extra Online

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