À beira do campo principal do Engenhão, o presidente Maurício Assumpção sorria na tarde ontem ao conversar animadamente com membros da comissão técnica e seguranças ao fim do treino tático. Pouco depois, passou a falar com André Bahia e Dankler, que o observavam atentamente. A dupla estará hoje na zaga do Botafogo, que enfrenta o Figueirense, às 19h30m, em São Januário, naquela que será a última partida no Rio tendo Assumpção como mandatário do clube.

Na próxima terça-feira, o clube passará por eleições, em que os quatro candidatos negam como podem qualquer proximidade com o atual presidente. Entre as críticas, ele é apontado como o principal responsável por o clube ter perdido o controle de suas dívidas. Hoje, com ingressos a partir de R$ 5 (meia), a partida será em São Januário para que o alvinegro evite penhoras para pagar dívidas contraídas por Assumpção com Joel Santana.

Outra crítica que recai sobre o presidente é a qualidade do time na atual temporada. Além de ter feito apostas duvidosas no começo do ano, quando o clube contratou Jorge Wagner e Ferreyra, enquanto perdia Seedorf e Rafael Marques, Assumpção demitiu quatro jogadores em pleno returno do Brasileiro, num momento em que o Botafogo já não vivia boa fase. Desde que Bolívar, Emerson, Edílson e Júlio César saíram, o time só piorou. Jogou dez vezes, com duas vitórias, um empate e sete derrotas.

Os quatro ex-jogadores do Botafogo são responsáveis por 29% dos gols da equipe na Série A. Foram nove dos 31 marcados (Emerson, 6 gols; Edílson, 2; Bolívar, 1). Sem eles, o alvinegro passou em branco em cinco dos últimos dez jogos. A força ofensiva foi tão prejudicada que, dentre os jogadores que marcaram neste Brasileiro, apenas dois estarão em campo: o zagueiro André Bahia, com um gol, e o volante Bolatti, com dois. O argentino substituirá hoje o jovem Andreazzi, que não se recuperou de uma lesão muscular.

Olho nos concorrentes

Mesmo com três jogadores no ataque, nenhum deles balançou as redes no campeonato. Com o desfalque de Carlos Alberto — que também não fez gol na competição —, o trio será formado por Jóbson, Bruno Corrêa e Murilo. O último, que chegou no fim de setembro, comentou ontem sobre o momento difícil do elenco.

— Ninguém está feliz com esta campanha, principalmente no segundo turno. Foram muitas derrotas. O Mancini comentou, desde o jogo contra o Fluminense, que temos que tratar estes quatro últimos jogos como um campeonato à parte — afirmou Murilo. — Sabemos que tem muita gente rebaixando a gente, mas nós temos que acreditar.

Segundo o matemático Tristão Garcia, o Botafogo tem hoje 82% de risco de queda. O time está em 18º lugar, com 33 pontos. Além do jogo em São Januário, a torcida precisará ficar atenta a outros dois jogos, ambos às 21h. São confrontos diretos: no Barradão, o Vitória (15º, com 37 pontos) recebe o Coritiba (16º, com 37); no Heriberto Hülse, o Criciúma (20º, com 30) enfrenta o Bahia (19º, com 31). Amanhã será dia de torcer para o Fluminense, contra a Chapecoense (17º, com 36), no Maracanã.

Botafogo x Figueirense

Botafogo: Jefferson, Régis, Dankler, André Bahia e Júnior César; Marcelo Mattos, Gabriel e Bolatti; Jóbson, Bruno Corrêa e Murilo.

Figueirense: Tiago Volpi, William, Marquinhos, Thiago Heleno e Roberto Cereceda; Dener, França, Marco Antônio e Felipe; Pablo e Marcão.

Juiz: Anderson Daronco (RS).

Local: São Januário.

Horário: 19h30m.

Transmissão: Premiere e Rádio Globo (AM e FM).

Fonte: O Globo Online