Mais um escândalo assola o futebol brasileiro. Nesta quarta-feira, a Polícia Civil prendeu sete pessoas de uma quadrilha que manipulou resultados de jogos de futebol. Entre os alvos, estão partidas das Série A2 e A3 do Campeonato Paulista, além de divisões principais no Norte e no Nordeste. Entre os presos, está o goleiro Carlos Luna, que hoje está sem time, mas teve sua última passagem no América-SP, time que esteve em uma lista de clubes que admitiram ter recebido propostas para ‘entregarem’ partidas, em março do ano passado.

De acordo com a denúncia, o grupo fraudava resultados de partidas de divisões inferiores dos respectivos campeonatos estaduais. Eles pagavam a treinadores e atletas para “entregar” jogos e manipular os resultados. Ao ser preso em sua casa, no Jardim Nazareth, Luna disse que sempre foi honesto e não tinha nada a ver com o esquema. A polícia não informou qual seria o papel do ex-goleiro na fraude, alegando que a investigação está em segredo de justiça.

Com a prisão temporária de cinco dias, ele foi levado à capital para prestar depoimento. Familiares de Luna disseram que ele é inocente e que conversaram com um advogado para fazer sua defesa. A diretoria do América, que atualmente disputa a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, equivalente à quarta divisão estadual, não se manifestou sobre a prisão do ex-jogador, que saiu do clube no ano passado.

PRISÕES
Informações do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção á Pessoa, indicam que foram emitidos dez mandados de prisão temporária e dois mandados de busca e apreensão. A operação continua em andamento, com o inquérito sob segredo de justiça.

Em Bauru, duas pessoas – pai e filho – foram presas na operação, mas elas não fariam parte de clubes de futebol. Os nomes não foram divulgados. No Interior do Estado de São Paulo, também houve uma prisão em Sorocaba. Os detidos foram levados para a 5ª Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação apurou que o resultado dos jogos era manipulado para beneficiar asiáticos que faziam apostas pela internet. O dinheiro para comprar técnicos e jogadores vinha de bolsas de apostas da China, Malásia e Indonésia. O esquema era chefiado por um agenciador carioca e um ex-jogador de futebol que atuou na Indonésia.

ALVOS
Um dos jogos sob suspeita foi a derrota por 4 a 0 do Grêmio Barueri diante do Rio Preto. Atletas do time barueriense revelaram que o empresário Jaci Martinho de Oliveira, ex-gestor do clube, fez uma oferta para que a equipe fosse derrotada por um placar elástico. O jogo marcava 3 a 0 no placar, quando o atacante Gustavo, filho de Jaci, fez um pênalti que irritou os colegas e rendeu o quarto gol rio-pretense.

Dirigentes de outras equipes como, São José, São José dos Campos e Grêmio Catanduvense admitiram terem recebido ofertas parecidas, mas todos negaram ter aceitado. Muito dos contatos foram feitos por celular.

ASIÁTICOS COM ‘CABEÇAS’ NA OPERAÇÃO
Na maioria dos relatos, fala-se em apostadores chineses. As investigações apontam lideranças da quadrilha na Indonésia, Malásia e China. A maioria dos alvos estão em campeonatos com menos visibilidade e time com jogadores que recebem salários baixos.

No relatório das investigações estão incluído jogos como Botafogo 4 x 0 Quissamã e Vasco 1 x 0 Quissamã,, pelo Campeonato Carioca de 2013; Itapipoca 4 x 0 Icasa, pelo Cearense deste ano; Audax 3 x 0 Duque de Caxias, pela Copa Rio de 2015; e Sorocaba 0 x 9 Santo André, pelo Paulista Sub-20 de 2015.

Fonte: Futebol Interior