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Juca Kfouri: ‘Jair deu opinião corporativista e xenófoba. Perdeu chance de ficar calado’

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Por FogãoNET

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Jair Ventura, o jovem e bem-sucedido treinador do Botafogo, disse ontem num programa de TV, da Fox Sports, que discorda da contratação do técnico colombiano Reinaldo Rueda pelo Flamengo porque “tira o espaço” dos profissionais brasileiros.

Jair falou demais e deu bom dia a cavalo como diziam nossas avós.

Duas vezes!

A primeira ao dar uma opinião corporativista e xenófoba, que não cabia antes e cabe ainda menos neste mundo globalizado.

Ele parece ter esquecido dos estrangeiros que jogam em seu time, como o excelente goleiro paraguaio Gatito Fernandez, o bom zagueiro argentino Carli e o meia chileno Valencia.

Se esquece, ainda, que seu pai, Jairzinho, o Furacão da Copa, não só jogou no exterior como foi treinador nos Emirados Árabes, no Japão, na Grécia…

A segunda vez em que Jair Ventura perdeu a oportunidade de ficar calado aconteceu porque, exatamente amanhã a noite, o seu Botafogo vai jogar contra o Flamengo de Rueda, pela semifinal da Copa do Brasil, e no estádio Nilton Santos, a casa botafoguense.

Suas declarações ficaram longe de ser as mais adequadas para dar boas vindas ao visitante estrangeiro que, além do mais, certamente tem o que ensinar no Brasil, técnico campeão da Libertadores no ano passado, pelo Atlético Nacional colombiano.

Jair Ventura faz um trabalho excepcional no Glorioso, é um dos mais promissores treinadores da nova geração nacional, tem apenas 38 anos e fará muito bem se hoje pedir desculpas a Rueda.

ATUALIZAÇÃO ÀS 11h30:

Jair Ventura acaba de emitir a seguinte nota:

“Observando a repercussão de minha declaração sobre a contratação do treinador colombiano Reinaldo Rueda, avaliei que talvez não tenha sido bem claro quando me expressei.

Quero esclarecer que acho legítimo o direito de qualquer clube brasileiro contratar um treinador estrangeiro. Há muitos profissionais competentes em outros países, com condições de repetirem aqui o sucesso que tiveram em outros lugares, como é o caso de Reinaldo Rueda, que tem um currículo admirável.

O que questiono e me deixa triste é ver que treinadores brasileiros são vistos com desconfiança e encontram dificuldades para trabalhar no exterior. Além de questões legais, como não reconhecimento de nossa habilitação profissional no mercado europeu. Nossa licença não é aceita na Europa, ao contrário da dos argentinos, por exemplo. Temos que refletir, discutir e buscar maneiras de mudar essa situação.

E como posso criticar os estrangeiros, se convivo com vários no Botafogo? Eu mesmo morei mais de nove anos fora do país quando jogador e tive essa vivência. Reitero que defendo uma maior valorização dos treinadores brasileiros, de competir em igualdade de condições com os estrangeiros no mercado externo. Infelizmente, a nossa licença ainda não nos dá esse direito.”

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