O atacante Jobson, que está na Arábia Saudita, recebeu a promessa de funcionários do Al-Ittihad de que terá o passaporte devolvido para que possa retornar ao Brasil. Em contato por telefone com o UOL Esporte, o centroavante se disse mais aliviado depois de enfrentar dificuldades nas últimas semanas.

“Estou mais avaliado e em breve terei minha documentação entregue”, afirmou Jobson, que recebeu apoio da embaixada brasileira no país. Ele havia rescindido o contrato com o Al-Ittihad há oito dias, de acordo com informações de seu advogado, Rodolpho Cézar, mas o clube retém seu passaporte.

Jobson afirmou que, com o salário atrasado desde o início do ano, ainda precisou arcar com as despesas de um hotel depois de ter rompido com o Al-Ittihad. “Eu paguei tudo aqui com o meu dinheiro e são quatro meses de salários atrasados”, resumiu.

O atacante, que pertence ao Botafogo, estava emprestado ao Al-Ittihad desde 2013. No último mês de abril, o comitê antidoping da Arábia Saudita disse que o jogador havia se recusado a realizar um teste em março e, por isso, seria suspenso por quatro anos.

Jobson não falou sobre a questão da recusa ao exame, mas disse que estava bem na Arábia Saudita. Ele contou que tinha boa relação com os torcedores do Al-Ittihad e reservou as críticas ao presidente do clube.

“Os torcedores estão com raiva do presidente porque ele faz isso com jogadores brasileiros. Nenhum brasileiro vai acabar querendo vir para cá, porque sabem dessa sacanagem de prender passaporte. Eles fizeram isso não só comigo, mas com vários jogadores”, revelou Jobson, que até citou um colega.

“O Leandro Bonfim [ex-Vasco] não quer renovar porque está com medo, depois que viu o que aconteceu comigo”, contou o jogador.

Por fim, Jobson revelou que a situação só não foi pior porque sua família não estava com o jogador quando ele passou pelas dificuldades. “Graças a Deus que o meu filho e minha esposa não estavam aqui comigo. Sozinho você supera, mas com o filho é difícil.”

Embaixada

O UOL Esporte também ouviu a embaixada brasileira em Riad que, segundo o secretário José Renato, foi avisada pelo jogador do problema e está aguardando a resolução do caso. “Deixei a embaixada à disposição para o que ele precisar”, afirmou.

Segundo o secretário, esse tipo de situação envolvendo Jobson na Arábia Saudita não é nova. “Em dezembro teve o caso do Rafael Bastos [ex-Vitória, que teve o passaporte retido pelo Al-Nassr antes de conseguir se transferir para o Levski Sofia, da Bulgária] e outros também”, disse José Renato.

O secretário ressaltou que o passaporte é um documento do governo brasileiro, mas evitou criticar diretamente o clube. “A situação é essa e a gente espera que se resolva rapidamente. O Jobson está bem, no hotel, e o importante é que a embaixada fez contato com ele e estamos à disposição”, concluiu o secretário.

Fonte: UOL