Dezenove rodadas se passaram e o Botafogo ocupa a décima colocação no Campeonato Brasileiro. Com 27 pontos conquistados no primeiro turno da competição nacional, a equipe comandada por Eduardo Barroca está a cinco pontos do São Paulo, primeiro clube no G6, e a nove do Cruzeiro, que abre a zona de rebaixamento. O que deu certo e o que deu errado no Alvinegro até então? O LANCE! detalha.

É preciso entender o contexto da chegada de Eduardo Barroca. Sob o comando de Zé Ricardo, o Botafogo havia sido eliminado no Campeonato Carioca sem chegar a nenhuma semifinal de turno e na terceira fase da Copa do Brasil para o Juventude. O cenário, portanto, era de terra arrasada. Barroca, destaque com o time sub-20 do Alvinegro em 2016 e 2017, aceitou o primeiro convite para treinar uma equipe profissional na carreira.

Durante todo o campeonato, o Botafogo teve seu jogo baseado na formação 4-1-4-1. O primeiro volante – geralmente Gustavo Bochecha e Cícero – é móvel e possui responsabilidade na criação de jogadas desde o campo de defesa. Diego Souza, atacante, é marcado por recuar e aparecer no meio-campo para buscar triangulações, mas nem sempre está acompanhando de um companheiro.

PRIMEIRO CICLO: NECESSIDADE A CURTO PRAZO

Com a pressão fora das quatro linhas pela situação financeira e a dificuldade dentro de campo, Eduardo Barroca chegava para o seu primeiro desafio com a necessidade de mostrar serviço em curto período de tempo. A necessidade de vencer foi constatada pelo treinador desde o primeiro momento e o resultado não foi ruim.

Barroca optou por dividir o Campeonato Brasileiro em quatro ciclos. O primeiro correspondeu até a parada da Copa América, as nove primeiras rodadas da competição. Neste período, o Botafogo conquistou cinco vitórias e quatro empates, totalizando 15 pontos com oito gols marcados e oito sofridos. O resultado foi a sétima colocação na classificação.

O objetivo estava cumprido. Longe da zona de rebaixamento e conquistando resultados positivos contra equipes da parte inferior da tabela, Eduardo Barroca, com um jogo baseado na posse de bola e na criação de chances por meio de toques curtos, ganhou notoriedade junto à torcida.

Jogos do Botafogo no primeiro ciclo:
São Paulo 2 x 0 Botafogo
Botafogo 3 x 2 Bahia
Botafogo 1 x 0 Fortaleza
Fluminense 0 x 1 Botafogo
Goiás 1 x 0 Botafogo
Botafogo 0 x 1 Palmeiras
Botafogo 1 x 0 Vasco
CSA 1 x 2 Botafogo
Botafogo 0 x 1 Grêmio

SEGUNDO CICLO: CONTINUAÇÃO E META NÃO ALCANÇADA

Com praticamente um mês sem jogos por conta da realização da Copa América, a ideia de Eduardo Barroca era, com mais tempo livre, criar ainda mais entrosamento entre os jogadores e o estilo de jogo. Na visão do treinador, a prioridade é ganhar e, acima de tudo, controlar as partidas – para isto, o técnico considera que a posse de bola é uma formas de chegar a este ponto.

Em um primeiro momento, porém, a equipe não voltou a ter uma performance considerável. O Alvinegro acumulou duas derrotas e um empate nos três primeiros compromissos após a Copa América. Por mais que a equipe tenha melhorado na criação ofensiva, os resultados pararam de aparecer. Com o passar do tempo, a equipe reencontrou o caminho das vitórias.

A meta de Eduardo Barroca era conquistar a mesma quantidade de pontos do primeiro ciclo. O treinador falhou, já que o Botafogo fez 12 pontos no pós-Copa América, com três vitórias, três empates e quatro derrotas, marcando dez gols e sofrendo onze no período. Ao todo, o Alvinegro terminou o primeiro turno com 27 pontos e um saldo de -1 nos tentos.

Jogos do Botafogo no segundo ciclo:
Cruzeiro 0 x 0 Botafogo
Botafogo 0 x 1 Santos
Flamengo 3 x 2 Botafogo
Avaí 0 x 2 Botafogo
Botafogo 2 x 1 Athletico-PR
Corinthians 2 x 0 Botafogo
Botafogo 0 x 0 Chapecoense
Internacional 3 x 2 Botafogo
Botafogo 2 x 1 Atlético-MG
Ceará 0 x 0 Botafogo

O BALANÇO

Independente da situação, seja positiva ou negativa, o Botafogo se comportava da mesma maneira: buscava o gol a partir de toques curtos e a valorização da bola, com o objetivo de ter o controle das ações dentro das quatro linhas. Por vezes, o time esbarrou nas próprias pernas e na falta de criatividade para criar chances reais de gol.

Os números mostram. O Botafogo possui a quinta melhor média de posse de bola por partida, com 54%, mas é a penúltima equipe no ranking de chutes. O Alvinegro finalizou 174 vezes – o que dá uma média de 9,1 tentativas por duelo. Não à toa, o Glorioso possui o pior ataque, com 18 gols marcados, dos times na primeira metade da classificação.

O ataque do Botafogo, por vezes, parece improdutivo, mas a defesa não pode ser classificada deste jeito. Apesar de ter levado 19 gols até aqui, a equipe de Eduardo Barroca é a segunda em número de rebatidas, com 583 no total, e possui dois jogadores que se destacam no quesito: Gabriel, com 182, e Carli, com 80, são, respectivamente, o primeiro e o sexto jogadores com mais cortes.

A equipe se destaca ao defender a própria área, principalmente pelo alto, mas ainda encontra dificuldades para proteger de jogadas pelo chão. Além de ser o 17º na lista de desarmes, com 284, o Botafogo é a segunda equipe que mais permitiu finalizações para o time adversário: são 303 no total, com 105 certas e 198 erradas. A partir dos números, conclui-se que o adversário precisa chutar 15,9 vezes para marcar contra o Alvinegro.

O Botafogo, portanto, foi uma equipe que se defendeu melhor do que atacou nessa primeira metade de Campeonato Brasileiro. Apesar de ser uma equipe difícil de roubar a bola, a posse dela, por vezes, resume-se a toques no campo defensivo. Com os números de ser uma equipe que melhor defende a própria área, o Alvinegro, se quiser chegar à Libertadores, terá que mostrar serviço na segunda metade do gramado.

Fonte: Terra