Ex-presidente do Botafogo e atualmente membro do Comitê Executivo de Futebol, Carlos Augusto Montenegro voltou a criticar o Flamengo por querer o retorno do futebol em meio à pandemia do novo coronavírus.

O dirigente afirmou que se fosse outro clube seria criticado pela opinião pública, em pergunta do colunista do FogãoNET Carlos Eduardo Sangenetto, em live no Canal do Fabiano Bandeira.

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– Se quem estivesse na liderança por essa volta afoita, atabalhoada e de qualquer forma, fosse outro clube, a imprensa já teria crucificado há muito tempo. O Flamengo ganhou bastante recentemente por méritos próprios. Mas as instituições têm que ser grandes dentro e fora do campo. O Flamengo, até pressionado pela parte financeira, Gabigol custou R$ 95 milhões, o clube esperava receita de Libertadores e Campeonato Brasileiro, estádios cheios, patrocinadores, óbvio que está sentindo o peso. As televisões não estão pagando, jogadores comprados em dólar tiveram aumento de 40% e continuam com folha de pagamento implacável, de oito a dez vezes maior que o Botafogo, sem receita e desesperados. Não adianta desespero nessa hora, vida humana acima de tudo, tem que respeitar jogadores, comissão técnica e parentes. Isso é a primeira coisa, depois vem campeonato. Estamos vivendo pandemia que ninguém imaginava, não há vacina nem prognóstico. Hoje vi uma notícia que quem tem anticorpos não está imune. O Flamengo desde o dia 21 de abril quer voltar os treinos, aí morreu massagista que estava há 40 anos no clube, pensei que iam sossegar, mas na semana seguinte querem voltar, fazem teste e 28 pessoas estão contaminadas. É uma irresponsabilidade, propaga em progressão geométrica. Treina e leva para casa o vírus. Tira a pessoa de casa, arrisca a vida dela e de familiares. Comparo com universitários, que estão em casa protegidos, assim como os professores. Na hora que puderem voltar, a gente volta a treinar – afirmou Montenegro, que citou também o caso do Rio Grande do Sul.

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– Grêmio e Internacional também tentaram ser afoitos, havia três jogadores infectados. Prefeito e Governador mandaram parar tudo. Por que essa ansiedade e fobia de futebol ter que voltar? Não é atividade essencial. Sentimos falta, é claro. Vi todos os jogos do Campeonato Alemão esse fim de semana,foi chatíssimo, mais ainda sem torcida. Me chamou a atenção a quantidade de lesões, jogadores não estão acostumados a ficar tanto tempo sem treinar – destacou.

O dirigente defende que a paralisação seja usada para adequar o futebol brasileiro ao calendário europeu.

– Era chance de o futebol brasileiro entrar no calendário universal. É o único na contramão. Quando falo em mudança de calendário, as 27 federações ficam horrorizadas e arrepiadas. Não falo em matar o ganha-pão deles, falo em mudar de janeiro para agosto. Deixa de setembro a maio o Campeonato Brasileiro, com competições de mata-mata no meio, parando nas datas-Fifa, com todo mundo sabendo quando são as janelas. Não sei se o pessoal tem capacidade de pensar grande e no futuro. Não tem justificativa não mudar – explicou.

Fonte: Redação FogãoNET e Canal do Fabiano Bandeira