Depois de se preparar às pressas para a série A2 do Campeonato Brasileiro em abril, o time feminino do Botafogo recomeça sua trajetória no Campeonato Carioca, com mais tempo e recursos. Após um campeonato nacional com 4 derrotas e 1 empate, o reforçado time das Gloriosas já mostra outra cara nesse 2º semestre: duas vitórias e vinte gols em dois jogos. 12 a 0 na estreia sobre o LDAC/Accel no CEFAT, em Niterói, e 8 a 0 no Karanba na última terça-feira, no CFZ, na Barra da Tijuca. As alvinegras lideram o Grupo C, com 6 pontos.

No Botafogo desde o fim de março, Rose de Sá, gerente do futebol feminino do alvinegro carioca, encontrou um terreno totalmente vazio para tentar estruturar tudo em duas semanas. Dias antes da estreia na série A2, Rose conversou com o Seleção Alvinegra, e explicou como conseguiu montar um time com o Botafogo lhe entregando o cargo 10 dias antes do campeonato. Agora, com 4 meses para reestruturar a equipe até o estadual, a gerente pôde mover ainda mais as suas peças e reverter o quadro do time. Mesmo com pouca estrutura, Rose carrega consigo uma bagagem multicampeã com passagens por clubes como Santos e Vasco, e uma linda trajetória de estruturação do futebol feminino no Norte do país.

Um dos temas mais abordados da entrevista foi o incentivo do time feminino por parte da torcida. Após a estreia com goleada no carioca, o jornalista e botafoguense Matheus Mandy fez uma sugestão em sua conta no Twitter: fazer da partida contra o América, na última rodada do carioca na fase de grupos, a preliminar do jogo entre Botafogo e Fluminense, no dia 6 de outubro, no Estádio Nilton Santos. Ambas as partidas estão marcadas para a mesma data. Questionada, Rose de Sá se animou.

“É uma ótima ideia. É a chance de apresentar as meninas para a torcida. O futebol feminino chegou ao Brasil para ficar. E chegou no Botafogo também para ficar. As meninas querem a torcida. Pedem isso o tempo todo”.  (Rose de Sá – Gerente de futebol feminino do Botafogo)

Rose de Sá, diretora do futebol feminino do BotafogoRose de Sá quer apresentar time feminino para a torcida do Botafogo (Foto: Vítor Silva/SSPress/BFR)

Confira todo o bate-papo completo com a diretora do Botafogo:

1- Quando chegou ao Botafogo em Março, faltavam menos de duas semanas para o início da série A2 e o sendo foi montado às pressas. O primeiro contato entre as jogadoras foi três dias antes simplesmente da estreia. Com mais tempo no 2º semestre e a experiência acumulada nos primeiros meses de clube, o que você procurou mudar/melhorar de imediato?

Eu cheguei faltando duas semanas pra um campeonato brasileiro. Montamos às pressas. Por isso fomos os últimos da chave. Agora, com mais tempo, pude trazer algumas meninas de São Paulo, da Europa, mais precisamente da Croácia, e está dando pra fazer um bom trabalho. Tanto para o carioca quanto para o ano que vem. Espero que a gente chegue entre os quatro ou até na final. Até mesmo as que chegaram pro brasileiro em março eram boas jogadoras, mas não houve tempo de adaptação física e preparação necessária. Agora, essas mesmas que chegaram no início do ano, estão contribuindo muito, além das novas.

2- Como vem acontecendo os incentivos financeiros para o fortalecimento do time?

O futebol feminino virou obrigatoriedade. Então, o Botafogo está ajudando mais por isso. Então, gradativamente, a gente vai tendo melhores condições. Mas o que eu busco é patrocínio. Fechamos com o Mano Maromba, que é uma marca de suplemento. Além de contribuir no patrocínio, ajuda nos suplementos alimentares. Estou tentando buscar mais patrocínio para alimentação, transporte. É tudo muito mais fácil em São Paulo. Porque aqui no Rio o futebol feminino está engatinhando, infelizmente.

Time feminino do Botafogo no Campeonato Carioca-2019Meninas do Botafogo golearam Karanba por 8 a 0 no CFZ, pelo Campeonato Carioca (Foto: Talita Giudice/BFR)

3- Você pôde montar um time um pouco mais forte para o campeonato estadual em relação à equipe feita em abril. O que buscou melhorar?

O futebol feminino aqui no Rio é muito atrasado em relação aos outros estados. Todos os outros estados ficaram antenados na obrigatoriedade da modalidade desde 2015, e já começaram a buscar patrocínios via leis de incentivo, recursos, tudo mais. Já o Rio, está pra trás.

4- Mesmo com goleadas avassaladoras nos dois primeiros jogos, a repercussão foi baixa. No que isso influencia em relação ao incentivo das atletas? Qual a diferença da visibilidade da modalidade no Rio para outros estados?

A cultura atrasada do futebol feminino no Rio choca até mesmo as novas meninas que vieram de outras regiões, por exemplo. Elas cobram da torcida não ir. Elas não entendem o porquê da ausência. Lá em Manaus, por exemplo, a gente colocava quase 30 mil pessoas no estádio. No Santos, 20 mil. No Rio, é mais difícil atrair o torcedor.

5- Há uma mobilização por parte de alguns torcedores para que o jogo contra o América ocorra no estádio Nilton Santos, como uma preliminar para o clássico entre Botafogo e Fluminense, pelo campeonato brasileiro masculino. O que acha da ideia?

Se a Federação autorizar (a partida no Nilton Santos) é uma ótima ideia. As meninas após a goleada disseram: “vencemos por 8 a 0, mas queríamos ter vencido por 8 a 0 junto com a torcida”. Elas gostam disso porque estão acostumadas. É uma chance de apresentar as meninas para a torcida. O futebol feminino chegou ao Brasil para ficar. E ele chegou no Botafogo também para ficar. As meninas querem a torcida. Pedem isso o tempo todo.

As alvinegras voltam a campo no sábado para enfrentar o Tupy pela terceira rodada do carioca. Uma vitória simples garante o Botafogo na fase final da competição. O jogo acontece às 15h no estádio Caio Martins, em Niterói.

Fonte: Seleção Alvinegra