Paulo Autuori chegou ao Botafogo e teve que encarar, de cara, um teste de alta responsabilidade. A partida contra o Náutico, pela segunda fase da Copa do Brasil, com menos de uma semana no cargo foi uma verdadeira “prova de fogo”. No fim, o Alvinegro conquistou o objetivo principal: a classificação, com Gatito Fernández sendo herói. Agora, o técnico terá tempo para desenvolver seu trabalho.

O treinador reconheceu que a questão da logística de calendário foi um ponto negativo na partida diante do Náutico. Por conta do pouco tempo de treinos diante da mudança de comando, Paulo Autuori encarou uma partida decisiva com poucas sessões e sem o conhecimento adequado do elenco. Após o jogo, o comandante reclamou deste cenário.

– Eles (jogadores) me mostraram algumas coisas que a gente tentou orientar. Foi pouco tempo para treino. Tinham alguns dias, e colocam o jogo em uma data como essa, que quase não temos voos por conta do Carnaval. Fizeram de uma hora para outra. Essas coisas precisam ser faladas. Só falar se o jogador jogou bem ou jogou mal ou se o técnico mexeu bem ou mexeu mal é fácil. É preciso tocar em pontos importantes – afirmou.

Depois da partida no Aflitos, o Botafogo está passando por um período de dez dias sem jogos, já que o próximo compromisso será apenas no dia 1º de março, diante do Boavista, pela rodada inaugural da Taça Rio, o segundo turno do Campeonato Brasileiro. Vale ressaltar que os jogadores tiveram um dia de folga neste intervalo – ou seja, o tempo de treinos é, de fato, de nove dias.

Para efeito de comparação, Alberto Valentim teve 12 dias de pré-temporada antes dos compromissos oficiais do Botafogo, no hotel-fazenda China Park, em Domingos Martins. Por mais que o Alvinegro tivesse dois períodos de treinos por dia longe do Rio de Janeiro, a quantidade de datas é similar. Cabe a Paulo Autuori aproveitar o tempo.

CAMINHO A SER PERCORRIDO…

O Botafogo, de três vitórias, dois empates e três derrotas em 2020, ainda não impressionou em termos de performance na temporada. Com Alberto Valentim, antecessor de Autuori, a goleada de 3 a 0 para o Fluminense foi o estopim para a demissão, mas o fato da equipe não ter uma identidade dentro de campo também pesou para a decisão da diretoria.

Quando foi apresentado, Paulo Autuori fez questão de dizer que as equipes ao seu comando buscam o jogo e atacar, mas, ao mesmo tempo, condenou a tendência de um time ofensivo precisa, necessariamente, pressionar a equipe adversária no campo de ataque e trocar passes com paciência. Contra o Náutico, por exemplo, o Alvinegro assustou acelerando as jogadas e explorando as bolas longas na direção de Pedro Raul.

Ainda não se sabe qual será o estilo do Botafogo de Autuori, mas é fato que o treinador terá tempo para buscar tal identidade dentro de campo.

Fonte: Terra