Com 74,2% dos votos, Nelson Mufarrej foi o escolhido para presidir o Botafogo até o fim de 2020. O principal pilar da candidatura foi a manutenção do trabalho da gestão anterior – da qual ele era vice-presidente e cujo presidente, Carlos Eduardo Pereira, passa a ser o vice a partir de janeiro – portanto, é de se esperar mais a continuidade do que a mudança.

Entretanto, é inevitável que, com uma troca na presidência, haja também mudanças de gestão – se não nas políticas, ao menos na forma de gerir o clube. Abaixo, uma relação do que deve permanecer igual e do que deve mudar na administração que toma posse em 1º de janeiro de 2018.

MUDA TEMPERAMENTO

Mufarrej é descrito por pessoas de dentro do Botafogo como mais agregador do que o atual presidente, Carlos Eduardo Pereira. Enquanto CEP se utiliza mais do confronto – com credores, clubes rivais, empresários de atletas e opositores dentro do clube – Mufarrej é mais afeito ao diálogo. “Se parece mais com um político tradicional”, segundo um membro da oposição. Ele, aliás, precisará ao menos ter um pouco de diálogo com a oposição, pois esta conquistou 24% dos votos e terá direito a 14 cadeiras no corpo transitório do Conselho Deliberativo.

RELAÇÃO COM OUTROS CLUBES

Justamente por ter um temperamento menos mercurial, espera-se que Mufarrej tenha uma relação mais amistosa com os outros clubes. Especialmente o Flamengo, já que o momento entre os dois é de conflito após uma série de embates públicos entre os presidentes Carlos Eduardo Pereira e Eduardo Bandeira de Mello. A relação com Vasco e Fluminense já é mais amistosa, e assim deve permanecer – deve ser assim também com a Ferj e a CBF.

MENOS APARIÇÕES

Enquanto Carlos Eduardo nunca teve problemas em aparecer diante da mídia, Mufarrej tem uma personalidade mais discreta – dá menos entrevistas, está menos acostumado a aparecer e a falar em público. Ele não participou de debates durante a campanha, em parte, por causa disso. Portanto, é provável que as aparições e os pronunciamentos públicos fiquem menos frequentes com o novo presidente.

PERMANECE DIRETORIA

A intenção de Mufarrej é manter praticamente todos os vice-presidentes atuais do clube. Resta apenas saber se todos aceitarão permanecer – até agora, não houve indicação de alguém que deseje sair. A única mudança certa é que, sob o novo estatuto, a vice-presidência Social, de Comunicação e Marketing – ocupada hoje por Márcio Padilha – será desmembrada e dividida em três. Os nomes ainda não foram anunciados; sabe-se apenas que Padilha continuará ocupando um dos três cargos.

COMANDO DO FUTEBOL

Entre os vice-presidentes, um dos mais importantes, Cacá Azeredo – o de futebol – tem permanência certa. Mufarrej afirmou durante a campanha que desejava mantê-lo, assim como o gerente de futebol Antônio Lopes. A intenção é manter também o técnico Jair Ventura – resta saber se ele aceitará ou se prefere ir para outro clube. O contrato atual do treinador vai até o fim de 2018, mas outras equipes estão interessados em contar com ele no ano que vem e, caso paguem a multa rescisória, podem tirá-lo do Botafogo.

ELENCO

Enquanto Marcelo Guimarães pregava um elenco com mais nomes vencedores e um foco maior em títulos importantes, a intenção de Mufarrej é manter o esquema atual: um elenco mais modesto enquanto o Botafogo se reestrutura financeiramente. Para 2018, deve haver um aumento na folha salarial do clube, mas a intenção é manter a base do time atual.

Fonte: O Globo Online