O Botafogo tinha a chance de deixar, de vez, a briga contra o rebaixamento do Campeonato Brasileiro, mas falhou. A derrota por 3 a 0 sofrida para o Grêmio, em Porto Alegre, trouxe velhos erros da equipe que foram figuras constantes durante a temporada à tona. O time, que apresentou certa mudança nos jogos de Alberto Valentim, retrocedeu e tropeçou em velhos equívocos.

O Grêmio incomodou a saída de bola do Botafogo. Com um estilo de jogo baseado na intensidade, Renato Gaúcho travou qualquer tentativa de criação por meio de toques curtos vindas de Alberto Valentim. Na primeira metade da etapa inicial, o Alvinegro mal saiu do próprio campo e o Tricolor foi soberano nas ações, principalmente no sentido da marcação no campo ofensivo.

Não é de hoje que o Botafogo sofre com equipes que marcam alto. Inclusive, esta era uma das características mais comuns da equipe de Eduardo Barroca, antigo treinador. Diante do Grêmio, as melhores chances nasceram por meio da bola parada, mas pararam em Paulo Victor. A atuação, apesar disto, passou longe de ser convincente.

Com a vantagem no placar, construída no primeiro tempo, o Grêmio jogou no erro do Botafogo. Os gols do Tricolor na etapa complementar nasceram de jogadas parecidas: pressão no campo ofensivo, roubada de bola após o vacilo de um jogador do Alvinegro, aceleração usando os jogadores pelas pontas e a chegada ao gol adversário com poucos toques. Assim, Thaciano e Everton completaram a goleada.

– Os jogadores de beirada do Grêmio são de muita qualidade. Estamos falando do Alisson e, principalmente, do Everton, um jogador de Seleção Brasileira. São atletas que precisávamos ter uma atenção muito grande. Sabíamos desse jogo individual, que eles traziam esse jogo pela beirada, por dentro. Tínhamos que ter diminuído mais a primeira linha para que a bola chegasse menos vezes ali para esse confronto ali da minha última linha de quatro – analisou Alberto Valentim, após a partida.

Se a defesa deixou a desejar, o ataque foi ainda pior. Em certos momentos, o Botafogo até teve oportunidade de contra-ataques após uma roubada de bola, mas a primeira escolha de passe era voltar a bola para a defesa do que uma tentativa de verticalizar a jogada – o que dava tempo suficiente para a defesa do Grêmio recompor e, desta forma, não oferecer mais espaços.

Com a bola no pé, o Botafogo foi, mais uma vez, uma equipe inofensiva. Salvo em um lance criado por Victor Rangel, que Paulo Victor defendeu um chute de Diego Souza, o Alvinegro nada fez quando foi obrigado a criar. Ao todo, nove finalizações, mas duas no alvo – contra 21 do Grêmio. O saldo é negativo e a goleada traz um choque de realidade para Alberto Valentim.

CARLI TEM TARDE PARA ESQUECER

O Botafogo teve apenas uma alteração em relação ao time que venceu o CSA na rodada anterior: Joel Carli substituiu Marcelo Benevenuto, fora por lesão. O argentino, capitão da equipe, não jogava desde a derrota para o Palmeiras, em 12 de outubro e fez sua primeira partida desde o retorno de Alberto Valentim.

A relação do treinador com o zagueiro é positiva. Carli foi um dos heróis do título carioca em 2018, a primeira conquista da carreira de Alberto Valentim. Em tese, desta forma, a equipe titular não sentiria a alteração. Dentro de campo, porém, a falta de ritmo do argentino pesou e o atleta ficou marcado negativamente pelo placar negativo.

Carli falhou nos dois primeiros gols do Grêmio. No primeiro, não acompanhou a linha defensiva e deu condição para Maicon sair sozinho com Gatito e abrir o placar. Posteriormente, errou o passe no campo defensivo que gerou o contra-ataque terminado no gol de Thaciano.

Fonte: Terra