Athletico-PR, Globo e Flamengo. Dois artigos no jornal Folha de S. Paulo de sábado (14), na seção Tendências/Debates, responderam com visões totalmente diferentes à questão colocada:

‘O modelo de divisão de cotas de TV para os clubes de futebol é adequado?’

E o trio de instituições acima esteve neles. Duas delas, o clube paranaense e a emissora, com seus representantes assinando os textos, e o time carioca como diretamente citado.

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SIM e NÃO

O artigo com a resposta ‘sim’ é do diretor de direitos e relacionamento com futebol da TV Globo, Fernando Manuel Pinto, enquanto o do ‘não’ é do presidente do Conselho Administrativo do Athletico-PR, Mário Celso Peraglia.

Com o título ‘Equilíbrio e Meritocracia’, Pinto defende em seu texto o atual formato argumentando, entre outras coisas, o que segue abaixo:

“Em 2016, em meio a maior concorrência já ocorrida por direitos da Série A, a resposta da Globo foi um novo formato de contratação, atendendo a anseios dos clubes, que batizamos de ‘Novo Modelo 2019-24’.”

“Chegamos a acordos individuais com 37 clubes, mas que levam, pela primeira vez, a um formato coletivo e disponível a todos, onde critérios ligados a equilíbrio e meritocracia é que determinam a remuneração de cada clube na Série A, em vez dos valores predeterminados do formato anterior, vigente até 2018 e com apenas 18 clubes sob acordos plurianuais.”

“Esse processo funcionou como ‘unir o útil ao agradável’: a abordagem foi capaz de promover um modelo coletivo para os clubes”.

“O ‘Novo Modelo 2019-24’ jamais teve a pretensão de ser perfeito, seria impossível diante dos enormes desafios. Miramos um grande passo!”

“Aprimoramentos, a partir de agora, dependem do reconhecimento dos avanços conquistados, e, sobretudo, dos passos que a partir deles podem ser dados.”

Por outro lado, Petraglia ataca o Flamengo logo no título de seu texto: ‘Flavorecimento

O homem forte do Athletico-PR bate forte no atual sistema, no clube carioca e na Globo.

“Uma vez favorecido, sempre favorecido. Todo monopólio parte do princípio de que não é aberta a outros a participação no grupo daqueles que controlam um sistema e determinam as regras que o operam. Toda iniciativa para mudar qualquer ordem nessa dinâmica tende a ser frustrada, pois o teto de cada um é preestabelecido pelos próprios organizadores desse sistema.”

“Nós, do Athletico Paranaense, estamos há mais de 20 anos dizendo que não [ao modelo de divisão de cotas de TV].”

“Mas parece que ainda vivemos no Brasil que liga a TV para ver um só canal, com uma só linguagem e abordagem. É algo que permanece há mais de meio século – e os mais favorecidos dizem que ‘tem que manter isso aí’, agindo pesado contra qualquer mudança.”

“O sistema não tem interesse em desenvolver o futebol brasileiro, mas em desenvolver um ou dois clubes como se eles representassem todo o país.”

“Criou-se uma narrativa de que toda audiência nacional se interessa e quer ver o Flamengo. Uma euforia fomentada por matérias em clima de mobilização, de que há algo muito importante acontecendo quando o time da ponta da pirâmide joga.”

“Como um time com tanto apoio teve tão poucas conquistas, ao longo das décadas, em proporção às suas possibilidades? Os títulos e o domínio técnico à altura do seu favorecimento só vieram quase 40 depois do primeiro campeonato de expressão…”
Mário Celso Petraglia durante coletiva do Atlético-PR, em junho de 2018 Gazeta Press

“Nada foi construído para que os mais organizados alcançassem os resultados, mas para que ‘os escolhidos’ possam ser beneficiados de várias formas até que confirmem finalmente sua força. É a típica meritocracia à brasileira.”

“Fica clara a necessidade de redistribuição dos valores, mais em linha com o cenário esportivo e tecnológico atuais. Fica gritante a urgência de mudança na legislação que permita o aporte de capital internacional nos clubes, como é há tempos nos maiores centros do futebol, e fazer com que os melhores atletas do mundo joguem em uma liga forte aqui no Brasil.”

Fonte: ESPN Brasil e Folha de S. Paulo