Novidade na atual edição do NBB, o Botafogo não quis ficar para trás dos rivais Flamengo, Vasco e Fluminense, que classificaram nos últimos anos equipes para as principais competições de esportes olímpicos do Brasil.

Em meio às dificuldades financeiras, a meta para os próximos anos é captar novos investimentos e expandir cada vez mais as outras modalidades.

À frente deste desafio desde 2015, o ex-jogador de basquete Gláucio Monteiro Cruz sonha alto. Em entrevista ao LANCE! , o diretor geral de esportes do Alvinegro falou sobre a reestruturação do setor e traçou as próximas metas.

Como foi o processo de reestruturação dos esportes olímpicos no clube, em especial no basquete, nos últimos anos? 
O que tentamos fazer foi uma reestruturação geral em cada esporte. No basquete, como fui atleta, tratei mais diretamente do que os outros. O início foi difícil. Viemos com um projeto para mudar, de excelência, enxugar determinadas áreas nas quais tínhamos muita gente, mas não tantos resultados esperados. Acabamos de ser campeões sub-12, que era algo que queríamos. Mantivemos o vôlei, mas mudamos a estrutura. Acabamos com o basquete feminino. E o ginásio está completamente diferente. Hoje, temos cinco vestiários. Antes, eram dois.

Qual a perspectiva do clube para os outros esportes? 
No vôlei, estamos aguardando a Superliga masculina B (o time, que tem o levantador Marcelinho, foi vice da última edição, ao perder para o Corinthians/Guarulhos). Desta vez, acredito que a vaga virá. O foco é ir para a Superliga A, assim como o Fluminense foi, no feminino. O objetivo é termos nossos esportes olímpicos nas ligas principais do país.

Por que a decisão de voltar a investir no basquete? 
O futebol é um marca do clube já registrada. Como você a expande? Primeiramente, com um time de futebol mais forte, mais competitivo. Em segundo, com outros esportes na mídia. Se você só tem o futebol, terá um espaço no LANCE! , por exemplo. Se tem o basquete, o vôlei e o remo, terá outro espaço além daquele, com a marca do clube. Na televisão, vale o mesmo. Nossa visão é de, cada vez mais, expandirmos a nossa marca.

Está valendo a pena investir em uma equipe de basquete no NBB? 
Com certeza está valendo investir no basquete. Estamos conversando com outros patrocinadores, que está no futebol e tem interesse no basquete, mas a negociação é demorada, porque envolve os dois esportes e o valor é maior. Vai ser uma negociação única. E outras marcas, que já estão estampadas. O retorno tem sido muito bom para eles. A Pega Carga, que entrou recentemente, falou que em um dia eles tiveram mil downloads do aplicativo deles na tarde em que o clube anunciou a marca em uma coletiva.

O que se pode almejar com o nível de investimento do time que disputa o NBB? 
Estamos bem tranquilos e esperamos fazer uma boa temporada. Foi muito difícil até aqui e continua sendo, no dia a dia, para fazer o Botafogo chegar mais perto do nível das equipes que estão há mais tempo no NBB. Mas estamos no caminho. Fizemos contratações pontuais para reforçar o elenco e temos boa expectativa. Nosso objetivo sempre é ser campeão. O playoff depende muito do momento em que você chega, com o time inteiro ou não, dos cruzamentos, de pegar um time com uma forma de jogar que encaixe. O nosso investimento ainda é abaixo, mas esperamos com os patrocinadores que estão entrando que isso aumente e, no ano que vem, cheguemos no patamar que os outros apontem como favorito, assim como Flamengo e Vasco. Na Liga Ouro, nosso orçamento era por volta de R$ 60 mil. Para o NBB, nós triplicamos este orçamento.

Como criar uma cultura do basquete para os torcedores? 
A primeira coisa é ganhar. Não tenho dúvidas de que, se vencermos nossos jogos, o torcedor virá. O botafoguense vinha muito ver o basquete na década de 1990 e 2000, quando tínhamos um time. Passamos quase 20 anos ser ter. Para mim, era muito difícil não termos uma equipe no clube. Eu não conseguia entender. Nas finais da Liga Ouro, criamos um pouco essa cultura. Se houver uma sinergia boa do elenco com a torcida no ginásio novamente, acho que a ideia vai decolar. Com o sócio-torcedor, criamos uma fonte de receita específica para o esporte, que luta contra as dificuldades financeiras.

Como foram as negociações para os clube usarem a Arena Carioca 1 nesta edição? Há uma contrapartida de vocês? 
Foram muito boas. O pessoal da Arena fez todas as condições para levarmos os clássicos para lá. O Carioca só não aconteceu porque não teríamos como usar lá, já que o espaço estava reservado para o Rock in Rio. Eles cederam boa parte da estrutura e estão fomentando o esporte. Os clubes entraram com doações que ficarão na arena, como estrutura de mesa e vestiário, e montagem e preparação dos jogos.

QUEM É ELE 

NOME 
Gláucio Monteiro Cruz

Idade 

45 anos

Ocupações 

Diretor Geral de Esportes do Botafogo e empresário
Formação superior
Tecnologia de Informação

No Botafogo 

Atleta de basquete dos 10 aos 19 anos. Se tornou emérito e entrou na política do clube há dez anos. Na atual gestão, assumiu o cargo.

Fonte: Terra