Frieza, no dicionário, não é bem uma qualidade. É comparada a indiferença, insensibilidade ou indiferença. A característica, no entanto, é muito bem-vinda para Henrique Dourado, do Fluminense, quando vai cobrar um pênalti, e para Gatito Fernández, do Botafogo, quando vai defender um. E os dois a utilizam tão bem que, amanhã, no clássico entre os dois times, se acontecer um pênalti a favor do Flu, todos pararão para ver algo mais que uma reles cobrança: será o duelo entre o melhor baterdor, contra o melhor defensor de penalidades do Brasil.

Para Dourado, são onze acertos em onze cobranças, deslocando o goleiro em 82% das vezes. Gatito pegou oito de 14 cobranças, com um incrível desempenho de 89% de defesas quando acerta o canto. Enquanto o atacante tricolor espera até o último segundo para escolher um lado, o goleiro alvinegro aguarda até o fim para saber de que lado a bola virá. Se acontecer, é um duelo de titãs.

— Claro que o Dourado é um grande especialista e procuro estudar seus métodos, como tento fazer contra todos os adversários. Não tem algo especial ou diferente a fazer, somente mesmo elevar ainda mais o nível de concentração diante de um batedor como ele — diz Gatito.

E mais dados colocam mais expectativas em um possível duelo. Apesar de variar muito, a maioria das cobranças de Dourado são rasteiras, as preferidas de Gatito para pegar.

Gatito também é o recordista de defesas de pênalti no campeonato
Gatito também é o recordista de defesas de pênalti no campeonato Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo/22.02.2017

Notícia boa para os alvinegros, o desempenho de Gatito contra cobradores canhotos é perfeito: quatro cobranças, quatro defesas em 2017. Dourado só bate pênalti com a perna esquerda.

— Deve ser coincidência. Não tenho preferência ou facilidade de acordo com o pé que o jogador usa para bater na bola. Os canhotos costumam até serem mais habilidosos — diz o goleiro do Botafogo, surpreso com a estatística apresentada.

Os alvinegros, claro, não querem ver o duelo na marca da cal, afinal, mesmo com Gatito tentando desvirtuar a lógica, um pênalti contra é uma situação que é sempre melhor evitar. Tanto que, se acontecer, as chances de Gatito defender são bem menores, segundo o professor Gilcione da Costa, do Departamento de Matemática da UFMG, que calcula probabilidade no esporte.

— As chances de defesa são pequenas normalmente. A inércia do goleiro e a velocidade da bola fazem com que seja muito difícil um goleiro parado alcançá-la. Então, as chances de sucesso de Dourado são superiores as do Gatito — diz o professor, que ressalta que a amostra é baixa para criar uma probabilidade certeira, mas crava um número — Uma aproximação simples, obtida pela aritmética analisando o desempenho dos dois, fala de 79% de chances para Henrique Dourado e 21% para Gatito.

A conferir.

Fonte: Extra Online