Não é só a briga entre torcedores antes mesmo de a bola rolar que mostra que a rivalidade entre Botafogo e Flamengo está acirrada para além das quatro linhas. Episódios ocorridos fora de campo, protagonizados pelas duas diretorias, serviram para esquentar o clima de animosidade entre os clubes.

Da controversa contratação de Willian Arão, passando por um vídeo do canal “Porta dos Fundos”, até os estádios nos quais cada time manda seus jogos, são várias as pequenas disputas que fizeram com que Botafogo e Flamengo parecessem, cada vez mais, inimigos fora de campo do que só rivais dentro dele.

O episódio mais famoso da queda de braço nos bastidores é o que envolve Arão. O meio-campista se destacou com a camisa alvinegra em 2015, mas resolveu se transferir para o Flamengo ao final de seu vínculo. Uma cláusula contratual, porém, fez com que o Botafogo levasse o caso para os tribunais.

A polêmica se deu porque o contrato previa renovação automática em caso de depósito de R$ 400 mil, valor que o Botafogo chegou a depositar duas vezes, mas que Arão devolveu para acertar com o rival. O clube acionou o jogador na Justiça, mas vem levando a pior nas decisões que foram tomadas até aqui.

A equipe alvinegra ainda recorre e levou o caso para o Tribunal Superior do Trabalho. O Flamengo, embora não seja parte do processo na Justiça, no entendimento do Botafogo, assediou o atleta, e o relacionamento entre os clubes, em qualquer outro assunto, ruiu completamente depois do episódio.

O “caso Arão”, por exemplo, está por trás das discussões – ou falta de diálogo – envolvendo Engenhão e o Luso-Brasileiro, opções avaliadas pelo Flamengo para ser sua “casa” enquanto não tem o Maracanã.

A primeira possibilidade foi negada oficialmente pelo Flamengo, mas o Botafogo, ao ser questionado sobre a hipótese em 2016, adiantou que não permitiria que a equipe rubro-negra jogasse no estádio.

Em relação à arena na Ilha do Governador, casa botafoguense em parte da última temporada, o Flamengo chegou a um acordo com a Portuguesa, dona do estádio, para utilizá-la em 2017, mas não contou com a ajuda dos alvinegros, que desmontaram as arquibancadas que haviam sido instaladas para que o rival não as aproveitasse após uma breve negociação frustrada entre as duas direções.

Outro episódio da rivalidade de bastidor entre os clubes envolve o canal “Porta dos Fundos”, que tem como um de seus fundadores Antonio Tabet, hoje vice-presidente de comunicação do Flamengo.

Em vídeo chamado “Patrocínio”, postado no Youtube, o canal satiriza os patrocínios nas camisas de clubes de futebol, na mesma época em que um parceiro do Botafogo usava o espaço o uniforme alvinegro para fazer promoções com queda de preço entre o primeiro e segundo tempos do jogo.

Os clubes no vídeo são justamente Flamengo e Botafogo, sendo o segundo justamente o alvo da piada, com o uniforme cheio de patrocínios na sátira. A direção alvinegra entende que o clube foi lesado e acionou o Porta dos Fundos na Justiça, em caso que também se arrasta sem uma decisão definitiva.

Tabet, aliás, se manifestou sobre a mais recente troca de farpas entre os clubes, após o clássico do último domingo, vencido em campo pelo Flamengo, por 2 a 1, mas marcado também pela morte de um torcedor do Botafogo, Diego Silva dos Santos, de 28 anos, que foi baleado nos arredores do Engenhão.

Após uma postagem da conta oficial do Flamengo no Twitter, o Botafogo acusou o rival de “apologia à violência”, e Tabet rebateu dizendo que os alvinegros tentavam “camuflar a derrota inventando uma apologia” e que a atitude “seria infantil se não fosse tão inconsequente e irresponsável”.

Os ecos do clássico de domingo ainda culminou em mais uma decisão controversa envolvendo as direções dos dois clubes, com o Botafogo anunciando que o Flamengo não jogaria mais no Engenhão.

Fonte: ESPN.com.br