As relações conturbadas entre as diretorias de Botafogo e Flamengo seguem bem vivas. Em entrevista ao GLOBO, na tarde desta terça-feira, o presidente do alvinegro, Carlos Eduardo Pereira, fez um balanço positivo do uso do Estádio Luso-Brasileiro, utilizado pela primeira vez na temporada justamente contra o rival, em 16 de julho, e que terá a última partida neste sábado, 26, contra a Ponte Preta. Na entrevista, o dirigente parecia que desejaria boa sorte ao rubro-negro, que mandará jogos no local a partir do ano que vem, mas mandou uma mensagem para a Portuguesa da Ilha do Governador, dona do estádio.

— O Botafogo teve a criatividade de conceber, realiza e ter bons resultados, tudo dentro de uma prazo determinado, até 31 de dezembro de 2016. Não vou querer assumir essa ideia, já que tinha ocorrido anteriormente (no Brasileiro de 2005, justamente num acordo entre Botafogo e Fla). Foi uma repetição da fórmula que teve relativo sucesso e, agora, teve bastante sucesso. Eu só desejo bastante sucesso à Portuguesa — disse Pereira, que garantiu não ter ficado chateado com o contrato de exclusividade por três anos assinado com o Flamengo para o uso do estádio. — Não temos qualquer reclamação. A casa do Botafogo é a mais moderna e bem equipada do Rio de Janeiro.

O presidente alvinegro ressaltou que o contrato com a Portuguesa da Ilha do Governador sempre teve caráter temporário. Na época, o clube não podia utilizar o estádio devido ao período em que o Engenhão estava entregue ao Comitê Olímpico e Paraolímpico Internacional.

— Foi extremamente positivo. Acreditávamos que o time precisava de uma casa que tivesse proximidade da torcida, boa localização, bons acesso e que fosse um estádio capaz de ser regularmente utilizado. Foi muito bom tecnicamente e a torcida abraçou — disse.

No estádio, o Botafogo fez 13 jogos, com oito vitórias, dois empates e três derrotas (uma delas pela Copa do Brasil). O local é considerado por Pereira como um fator importante para a reabilitação do clube no campeonato.

— Foi um conjunto de fatores que passa pelo elenco, comissão técnica, esforço da diretoria da manter os salários em dia. Todo esse conjunto permitiu a presença da torcida, que deu um forte apoio. Temos certeza que trilhamos um caminho muito positivo e muitas pessoas que apostaram no provável rebaixamento do Botafogo tiveram que rever suas posições. Hoje, o time disputa uma classificação para a Copa Libertadores, coisa que ninguém apostava. Foi um trabalho de muitos autores — disse.

BOTAFOGO LONGE DA ILHA NO CARIOCA

O Botafogo não jogará na Arena da Ilha durante o Campeonato Carioca. Os times se enfrentam na 4ª rodada da Taça Guanabara, no dia 11 ou 12 de fevereiro, mas o clássico tem campo neutro. O regulamento da competição diz que as partidas entre os quatro grandes do Rio devem ser disputadas no Maracanã ou, caso não exista a possibilidade de utilização do estádio, no Engenhão.

— Isso é um caso para ser visto só no Campeonato Brasileiro. Os clássicos no Carioca serão disputados no Maracanã ou no Nílton Santos (Engenhão) — afirmou o Pereira.

Na atual edição do Brasileiro, Botafogo e Flamengo jogaram pelo primeiro turno no Estádio Luso-Brasileiro, onde, por decisão da Polícia Militar, a torcida visitante pode ter no máximo 10% dos ingressos. Com isso, no returno, o rubro-negro levou o jogo para o Maracanã e cedeu apenas 10% das entradas para os alvinegros, quebrando a tradição de divisão de torcida no estádio e irritando a diretoria do clube.

— O cenário para a abertura da Arena Botafogo (no clássico com o Flamengo) foi a indisponibilidade do uso de outro estádio no Rio de Janeiro — disse Pereira, justificando o motivo de não ter levado o jogo para fora do Rio. — É claro que não estamos aqui para rasgar dinheiro.

Questionado se o rubro-negro não acertou ao repetir o mesmo esquema de vendas na partida em que teve o mando de campo, o presidente do Botafogo foi curto e grosso.

— Não foi reciprocidade. Demonstrou que há uma dificuldade…

Fonte: O Globo Online