A comoção em torno do adeus de Mendonça marcou quem conviveu com o meia. Morto nesta sexta-feira, aos 63 anos, no Rio de Janeiro, o ídolo do Botafogo e com passagens por Santos, Palmeiras, Portuguesa e Grêmio deixou boas lembranças em quem conviveu com ele no Glorioso:

– A gente tem de lembrar das coisas boas que aconteceram. No Botafogo, a gente conseguiu um feito histórico, de ficar 52 jogos invictos, sendo 42 deles no Brasileiro. E, em um time que tinha Mário Sérgio, Rodrigues Neto, Gil e eu, o Mendonça era o craque – recorda, ao LANCE!, o ex-atacante Dé, que completa:

– Mas, além do jogador muito talentoso, eu tive o privilégio de conviver com ele como pessoa. Mendonça sempre foi um cara extremamente doce, do bem, brincalhão e uma pessoa ótima. Até o fim da vida dele, tivemos o privilégio de convivermos. Lembro que, no Estádio Nilton Santos, entramos em campo para ser homenageados e ficamos muito emocionados naquele dia. Por isto, em vez de lamentar, só tenho a agradecer a Deus por ter convivido com o Mendonça. Tenho certeza de que o Senhor vai acolhê-lo com muito carinho.

Ex-goleiro do Botafogo entre as décadas de 1970 e 1980, Paulo Sérgio também não poupou elogios ao craque:

– Era um grande ídolo, uma referência para a torcida do Botafogo. Vivemos grandes momentos no clube. Tínhamos uma jogada ensaiada para engatar contra-ataques, dormíamos no mesmo quarto na concentração. Na época em que a gente jogava, passamos por percalços.

Em seguida, Paulo Sérgio lamentou:

– É uma pena ter morrido tão novo. Mas fica a lembrança de ter sido uma pessoa de ótima conduta.

O ex-meia também deixou lembranças em quem foi seu adversário. Anos após ter sofrido o célebre “gol Baila Comigo” no Campeonato Brasileiro de 1981, o ex-goleiro do Flamengo, Raul, falou sobre o adeus de Mendonça:

– É uma situação que a gente sempre lamenta. Acima de tudo, foi nosso companheiro. Um cara muito amado e que conviveu com muitas dificuldades.

Ao falar depois de tantos anos sobre a jogada do gol, na qual Mendonça deu um drible em Júnior e estufou a rede do Flamengo na vitória por 3 a 1 do Botafogo no Maracanã, o ex-goleiro detalhou:

– É claro que, no momento, a gente lamentou. Mas vejo que, naquela hora, foi uma jogada de talento, de um craque se sobressaindo em cima da nossa defesa. E olha que, em meio ao atual deserto do futebol, é bom lembrar de gols como os desta época.

Fonte: Terra