Rafael Marques, novo reforço do Vasco, já passou por poucas e boas quando atuava pelo Botafogo e tinha que enfrentar seu novo clube. Um dos jogadores que mais davam trabalho ao defensor era Romário. Ele tinha a missão de anular o “Baixinho”, que estava com 41 anos, e queria de todas as formas chegar ao milésimo gol na carreira, em 2007.

“Tinha visto ele na Copa, era meu grande ídolo e decidi ser jogador por causa do título. Então, alguns anos depois eu estava no Maracanã marcando aquele cara. Eu falava para mim mesmo que tinha pegar a camisa dele de qualquer forma, mesmo que fosse à força (risos)”, disse o zagueiro, ao ESPN.com.br.

“Todos os repórteres perguntavam: Como você se sente de estar presente no milésimo gol dele? Eu respondia: ‘Ainda não acabou o jogo e espero que ele não marque’ Era muita pressão”, contou.

O eterno camisa 11 não estava muito disposto a jogar os 90 minutos e tentou fazer um acordo com o jovem de 23 anos.

“A gente ia para o jogo com aquele peso, tendo que marcar o cara que era o maior ídolo do futebol brasileiro à época. Não esqueço que brincou comigo logo de cara: Ô guri, deixa eu fazer o gol que já já vou sair'(risos). Eu respondi: Pô, Romário, não posso. Você tá doido?’. Ele era figura demais”, prosseguiu.

Para sorte do zagueiro, o campeão do mundo com a seleção brasileira não balançou as redes nenhuma vez diante do Botafogo naquele ano. Com isso, conseguiu seu tão sonhado presente.

“Ele foi super tranquilo. Quando acabou o primeiro tempo ele não trocou com ninguém, então eu pedi. Ele respondeu: ‘Pô, se eu fizer o milésimo gol no finalzinho eu te dou, mas se não fizer eu também vou te dar (risos). Ele não marcou, daí ganhei a camisa e guardei até hoje na minha casa, tenho foto também, foi demais”, comemorou.

Outro duelo que não sai da memória de Rafael foi quando o “Baixinho”, grande criador de frases, soltou uma de suas pérolas dentro de campo.

“Nesse mesmo ano, uma vez estávamos jogando contra o Vasco na Ilha do Governador porque estávamos sem estádio e ele brincava comigo: ‘Que é isso, joguei no Maracanã lotado e agora estou aqui no Estádio da Ilha do Governador (risos)’. Para você ter uma noção, acabava o jogo ele era o primeiro a sair de campo sem falar com ninguém de imprensa. Entrava no carro dele, mesmo todo sujo, e ia embora”, garantiu.

O milésimo gol de Romário só sairia de pênalti na vitória por 3 a 0 contra o Sport, em São Januário, no dia 20 de maio daquele ano.

COMEÇO NO BOTAFOGO

Rafael Marques Pinto começou no futebol depois de ver a seleção comandada por Carlos Alberto Parreira e Zagallo vencer a Itália nos pênaltis, nos Estados Unidos.

“Subi todas as categorias até os profissionais, em 2002. O Mauro Galvão era o treinador e me chamou para o time principal. Fiquei muito feliz, era um dos maiores zagueiros da história do Brasil e comecei minha trajetória”.

Ele foi campeão em 2006 com o time carioca. Em 2007, foi deixado de lado pelo treinador Cuca e acertou com o Goiás. No Serra Dourada virou um dos homens de confiança do técnico Hélio dos Anjos e foi para o Grêmio.

Ele permaneceu por três anos em Porto Alegre até ir para o Atlético-MG, sendo campeão da Copa Libertadores da América, em 2013. Foi então para o Hellas Verona, da Itália, por duas temporadas. Rafael voltou no ano passado ao Brasil para atuar pelo Coritiba, clube no qual fez 22 jogos e marcou um gol.

Nesta semana, ele rescindiu seu vínculo com a equipe paranaense e assinou contrato com o Vasco até o final de 2017.

Fonte: ESPN.com.br