Paquetá terá um sábado agitado. Mas não é pelo turismo e muito menos pela visita de algum bloco de carnaval. Conhecida pelo seu bucolismo, a área de 1,2 km quadrado situada ao nordeste da Baía de Guanabara entrou no mapa do futebol graças a duas crias. Famoso principalmente pelo seu trabalho como treinador nas categorias de base de clubes e da seleção, Marcos foi o primeiro a levar o nome do bairro para o esporte. Com a ascensão do jovem Lucas, hoje o principal jogador do Flamengo, a região entrou de vez na boca dos torcedores. Neste sábado, os dois se enfrentam no clássico entre rubro-negros e botafoguenses, às 19h. E a ilha ganha um holofote inédito no Maracanã.

A origem em comum não é a única interseção nas vidas dos dois. Levando-se em consideração o tamanho da ilha, é comum que os habitantes se conheçam. Ciente de que o potencial dos netos Lucas e Matheus — duas promessas do Municipal Futebol Clube de 11 anos atrás — não poderia ser desperdiçado, Seu Mirão, como era conhecido Altamiro Lima, entrou em contato com Marcos. O técnico, que já havia comandado a base do Flamengo, autorizou que usassem seu nome como referência na ficha de inscrição dos jovens.

O talento conduziu o restante desta história. Os dois foram aprovados no teste. Pela pouca idade, Lucas passou primeiro pelo futsal do Flamengo. Hoje, aos 20, o meia é talvez a maior ameaça ao Botafogo de Marcos, que voltou a comandar um clube brasileiro após 14 anos fora do país. A reportagem entrou em contato com o camisa 11 rubro-negro. Por meio de sua assessoria de imprensa, ele não quis falar sobre Marcos, já que a história se passou quando ele era muito novo, e os dois nunca se conheceram. Matheus, dois anos mais velho, lembrou com carinho do conhecido da família.

— Nunca fomos muito próximos, mas sabia quem ele era. Até porque todo mundo na ilha se conhece. Meu avô tinha mais contato com ele e arrumou um teste para a gente no Flamengo — recorda o também meia, hoje no Avaí. — Mas sei que, mesmo de longe, ele sempre procurou saber de mim e do meu irmão.

A reportagem também tentou contato com Marcos, mas o Botafogo não autorizou que o treinador falasse sobre o assunto. Com passagem pelo rubro-negro na década passada, o treinador sequer concedeu entrevista coletiva na véspera do clássico. Vindo de uma derrota para o Corinthians, o clube entende que os jogos contra o arquirrival têm peso diferente. Este ano, já foram três: duas derrotas e uma vitória. Um dos tropeços levou à saída de Felipe Conceição do comando. Já o único triunfo serviu como afirmação do trabalho de Alberto Valentim. Um novo resultado positivo pode fazer a diferença para o terceiro técnico do time no ano.

— O último encontro serve de exemplo para nós porque vencemos, mas cada jogo é um jogo. Vamos precisar fazer uma grande partida para sair com a vitória — disse o volante Matheus Fernandes.

O Botafogo segue sem Brenner, que não se recuperou da dor na coxa direita. Kieza permanece na frente. Já o Flamengo terá a volta de Cuéllar, mas não conta com Éverton Ribeiro, suspenso. Matheus Sávio, Jean Lucas e até Fernando Uribe surgem como opções. Mas as atenções estão voltadas é para o lado esquerdo do ataque. Após as saídas de Éverton e Vinícius Júnior, o clube tenta dar apoio a Marlos, que ainda não convenceu.

— Todo jogador tem seu momento de adaptação. Tem o ambiente de jogo, a pressão. Quando o Vinícius começou, também teve. Paquetá, Léo (Duarte)… vários tiveram. (Jogadores que chegam) vão ter esse período. Fazemos de tudo para que a adaptação seja a mais rápida — disse o goleiro Diego Alves.

Fonte: Extra Online