A final da Copa do Brasil de 1999 é um dos capítulos mais decepcionantes para o torcedor do Botafogo. Não apenas para os fãs, mas muitos jogadores que estavam em campo naquela ocasião também lamentam a perda do título para o Juventude. O caso de um desses é de Rodrigo Beckham, que falou ao LANCE! sobre os trunfos do Alvinegro, que acabou com o vice-campeonato.

– O maior segredo daquela equipe foi o conjunto e a mescla de jogadores. Tinham atletas experientes, que eram os líderes, como Bebeto, Sergio Manoel, Wagner, e, ao mesmo tempo, tinha a impetuosidade e a juventude, como eu, que estava começando a carreira, e o Reidner, que buscavam espaço, e isso fez com que o time realmente criasse um conjunto muito especial. Era uma equipe que sabia jogar na defesa e assustava contra-atacando – analisou, por telefone.

Rodrigo Beckham foi um dos principais protagonistas daquela final. Na partida de ida, realizada na Região Sul, o meio-campista chegou a balançar as redes em duas oportunidades, porém ambas foram anuladas por impedimento. O ex-atleta manifestou o descontentamento em relação às decisões tomadas pela equipe de arbitragem daquela época, capitaneada pelo juiz Márcio Rezende de Freitas.

– O jogo de Caxias do Sul foi duríssimo, onde o Botafogo fez uma grande partida e eu nunca vou esquecer, porque eu fiz dois gols legítimos naquela decisão que foram muito mal-anulados. Existem correntes por aí que tem convicção desses gols terem anulados de forma muito esquisita, porque eram completamente legais, e isso acabou nos frustando na conquista do título no jogo seguinte – afirmou Beckham.

Agora, a história, em partes, se repete: o sorteio colocou Botafogo e Juventude novamente frente a frente em uma Copa do Brasil. Dessa vez, o confronto será válido pela terceira fase da competição e terá início nesta quinta-feira, no Estádio Nilton Santos. O ex-meia-atacante destacou que os jogadores podem dar um basta nesse “fantasma” e precisam melhorar o conjunto.

– Para nós, que amamos o Botafogo, com certeza esse jogo tem um sabor especial e uma oportunidade do Botafogo, de certa forma, apagar esse gosto azedo de 99 nessa nova oportunidade contra o Juventude. Para os jogadores, acho que é mais importante é ter um conjunto forte, uma estratégia bem definida para conquistar a vitória e passar a próxima fase – completou.

A visão do Juventude

Do lado da equipe gaúcha, o LANCE! entrevistou Picoli, um dos zagueiros da equipe campeã da Copa do Brasil em 1999. Ele afirmou que, atualmente, os dois times vivem realidades distintas​, mas que tudo pode acontecer.

– É engraçado como o tempo voa. Faz tanto tempo que isto aconteceu, mas veio esse novo jogo, é muito legal. A gente sabe que os dois estão em momentos diferentes. O Botafogo vem se reestruturando, o Juventude, então, nem se fala! Mas eu ainda acho que o destino está aprontando alguma coisa para este jogo… – garante Picoli.

O defensor garante que o Estádio Alfredo Jaconi, palco da segunda partida do confronto da Copa do Brasil de 2019, foi importante na campanha de 1999. Picoli relatou que todos os jogadores do Juventude encararam o duelo no Rio Grande do Sul como o mais importante, já que a pressão em solos cariocas se faria presente.

– Fomos nos fortalecendo com o decorrer da campanha e, para o jogo no Jaconi, foi impressionante. Estava todo mundo focado, dizendo: “aqui, vamos vencer, porque depois no Rio vai ser uma batalha”. A gente sabia que era final contra um time grande. Foi um jogo de muita polêmica, pegada, conseguimos sair com o 2 a 1 muito graças a termos um elenco bom. O Fernando, que fez o primeiro gol, tinha entrado no lugar do Maurílio, que estava suspenso. Mas, mesmo com a vantagem, sabíamos que ia ser um jogo difícil – afirmou.

Fonte: Terra