Doze anos depois do primeiro rebaixamento no Brasileiro, o Botafogo se vê novamente na Série B e em um cenário ainda mais preocupante do que o vivido em 2003. Integrantes do time que reconduziu o Glorioso à Primeira Divisão, o zagueiro Sandro e o volante Túlio acreditam que a situação financeira na qual o clube se encontra será o principal adversário a ser batido em 2015.

A nova diretoria, dizem, precisa reconquistar a confiança do elenco para que o acesso aconteça sem sustos. Para Túlio, a grande diferença de 2014 para 2003 será a relação de apoio mútuo entre jogadores e direção, o que não aconteceu nesta temporada.

Botafogo de Túlio enfrentou Brasiliense de Túlio Maravilha

Foto:  Arquivo O Dia

“O comandante de um clube não pode deixar os comandados à deriva. E foi exatamente isso o que aconteceu este ano. O presidente Maurício Assumpção virou as costas para o elenco e não deu a cara a tapa na hora que precisava. Naquela época, sabíamos que tudo melhoraria com o acesso, mas agora o Botafogo precisa se organizar para não penar na Série B. Assim como foi o Vasco em 2014. Se o Botafogo não se organizar e se preparar o ano que vem vai ser complicado, tem que priorizar a Série B, o Carioca vai ser apenas experiência, se for possível dar chance para os jovens no Estadual para mostrar se podem ajudar durante a temporada. É ruim pro torcedor ver o time sofrer no Carioca, mas seria bom para o planejamento. O presidente deveria externar isso, que o Estadual não vai ter tanta importância”, advertiu Túlio, que elogiou o comando de Levir Culpi e Bebeto de Freitas.

“A contribuição do Levir foi imensa, talvez com outro treinador que não tivesse a capacidade deles a gente não conseguisse o acesso. Desde o Carioca tivemos muita turbulencia até o fim da Série B, altos e baixos. O Levir pode não ter sido meu melhor treinador dentro de campo, mas em relacionamento ele foi um dos melhores com o grupo, ninguem perdia o foco. Não tinha briga interna, se tivermos um treinador em 2015 sem essa capacidade, vai ser dificil, dificuldade financeira vai ter, esse ano foi um desastre total. O Mancini não tem culpa, acho que nenhum outro treinador teria capacidade”, opinou.

Seguindo a mesma linha, Sandro destacou a presença do presidente Bebeto de Freitas no apoio ao elenco: “O Bebeto trouxe um treinador que era bom para todo mundo, não era fechado com empresário e acabou que o Levir formou tudo aquilo ali (ambiente bom no vestiário). Nunca joguei em um time igual ao de 2003, talvez o Sport em 94 quando eu estava começando no profissional. Mais aí no Sudeste é muito difícil pegar um time como aquele Botafogo. O salário é maior ai. Pessoal acaba ficando mais afastado, aqui no Nordeste é mais unido nessa questão de grupo. Mas era muito boa a amizade naquele grupo, a gente se fala até hoje”, disse.

Disputar a Série B na ocasião não era novidade para Túlio. Identificado com o Goiás, o jogador já tinha vivido a experiência de conquistar um acesso com uma equipe acostumada a Séria A. Apesar disso, o volante afirma que estar no Botafogo coloca o patamar de disputa em um nível bem mais elevado.

Sandro foi capitão do Botafogo em 2003

Foto:  Arquivo O Dia

“Em termos de historia é maior que o Goiás, eu sai com aquela expectatitva de estar chegando em um time grande como o Botafogo. Com o peso da camisa, era outro status pro atleta. Quando eu cheguei no Botafogo, eu me apresentei na Granja, eles estavam lá, tudo que eu pensei estava se concretizando. Depois de 10 dias fomos paro Caio Martins, encontramos problemas de estrutura. Não tinha água, não tinha energia e era o unico local que tínhamos. Depois disso, ficamos rodando de campo em capo, treinamos no CFZ, em Niterói, aquilo me assutou muito. O elenco foi totalmente reformulado, o Carioca foi desastroso, entramos em uma Série B totalmente desacreditados. Tivemos empates, derrotas, até o time encaixar, começou a subir e conseguimos um acesso dificil porque só subiam dois. Tivemos dificuldade financeira, o Bebeto assumiu sem saber o que devia e tudo mais, ele tinha que se virar sozinho. Ele foi bem transparente, nós sabiamos de tudo que acontecia, era o meio que ele tinha. Não era questão de entender, mas sabíamos da dificuldade do clube, ele não tinha má intensão”, disse.

Em 2003, o apoio da torcida foi decisivo na luta para voltar à Primeira Divisão. Sandro destaca que a presença e a paciência do torcedor serão fundamentais em 2015. “Espero que a torcida faça como fez em 2003. A gente nem patrocínio na camisa tinha, mas havia apoio nas arquibancadas. O Botafogo é para a vida inteira. Treinador passa, presidente passa, mas o clube fica. Peço que o torcedor tenha paciência com o time, pois momentos difíceis vão sempre existir”, disse Sandro.

Fonte: O Dia Online