Santos e Esporte Interativo teriam chegado a um acordo sobre os direitos de transmissão em TV fechada do Brasileiro entre 2019 e 2023. A informação é da Folha de São Paulo. É o primeiro passo para a implosão do monopólio da Globo e uma grande ação em prol da democratização das transmissões esportivas no Brasil. Entenda.

O namoro entre Santos e Esporte Interativo – EI terminou em final feliz. Segundo apuração da Coluna Painel FC, da Folha de são Paulo, assinada pela jornalista Camila Mattoso, o contrato entre Santos e Esporte Interativo teria sido assinado durante o carnaval e vale para as transmissões do Campeonato Brasileiro na TV fechada de 2019 a 2023. O EI deve pagar cerca de 9 vezes o que foi oferecido pelo canal Globosat. Ao longo dos últimos meses publicamos uma série de postagens sobre as negociações e sobre a importância de um desfecho positivo, que contrariasse o monopólio da atual detentora dos direitos de transmissão, para um quadro mais justo no que se refere aos direitos de transmissões esportivas no Brasil.

Como já mencionamos anteriormente, as informações veiculadas na mídia seriam de que a Globo desejaria uma renovação de 2 anos, com redução substancial, que seria compensada por um adiantamento, se aproveitando, é claro, da situação deficitária pela qual passam a maioria dos clubes no futebol brasileiro. Soma-se a isso o fato de que Globo e Corinthians teriam desenhado uma cláusula que obriga a manutenção da diferença para os demais clubes no contrato celebrado entre os dois para o repasse dos valores referentes aos direitos de transmissão do Brasileirão. Essa informação foi apurada pelo jornalista Ricardo Perrone ainda em novembro de 2015. Como os contratos têm cláusula de confidencialidade, não será possível confirmar, a princípio, essa informação. Nos balanços divulgados pelos clubes, no entanto, essa informação será evidente. O problema é que, com o sigilo na negociação individual dos contratos, os clubes só terão a certeza do tamanho do favorecimento ao Corinthians, em detrimento aos demais clubes, quando os contratos já estiverem ativos e, nesse caso, não haverá mais o que fazer.

Também levantamos nas postagens anteriores que a lei nº 9615/1998 institui o direito de arena: “Art. 42.  Pertence às entidades de prática desportiva o direito de arena, consistente na prerrogativa exclusiva de negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a emissão, a transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou processo, de espetáculo desportivo de que participem.”. Com isso, temos o seguinte impasse, caso dois clubes negociem com duas emissoras diferentes os seus direitos, não há possibilidade de transmissão televisiva. Algo que só poderia ser amenizado com a adesão de clubes em bloco a uma opção ao canal que hoje representa o monopólio.

Com a decisão do Santos, esperamos que outros clubes que estiveram em negociação com o Esporte Interativo também assinem seus contratos, provocando a ruptura nesse panorama nefasto que assola o futebol brasileiro. De qualquer modo, o Santos é novamente vanguardista e escolhe a melhor opção para o clube, mesmo com o risco imediato de sofrer retaliações quanto ao espaço nas transmissões até 2018. É um risco inevitável, mas necessário, os santistas devem se orgulhar. O Santos deu esperanças para imaginarmos que o futuro do nosso futebol pode envolver relações mais transparentes e democráticas.

Atualização às 20h50:
Informações quentes de bastidores revelam que mais cinco clubes irão fechar com o Esporte Interativo neste final  de semana. Outros quatro planejam concluir as negociações na próxima semana.

Fonte: Torcedores.om