Sem espaço no Bota, goleiro renasceu na Série B e atua em campeão no leste europeu

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Após passar mais de uma década no Botafogo e o ano passado no Avaí, o goleiro Renan partiu no começo de 2017 para  o Ludogorets, um verdadeiro “bicho papão” na Bulgária.

A equipe, que é conhecida por ter uma legião de jogadores brasileiros, venceu as últimas seis edições da Liga Búlgara e participa nesta temporada da Uefa Europa League.

“O Ludogorets veio no fim do ano passado e se interessou por mim. A proposta e o projeto eram muito bons. Somos em dez brasileiros no clube e por isso a adaptação é muito boa. Está tudo dando certo aqui”, contou, ao ESPN.com.br.

“A língua é bem difícil, mas aos poucos vamos pegando. O clube é muito bem estruturado e sempre campeão. Por tudo que estão me proporcionando estou muito feliz”.

O clima é a maior dificuldade que Renan enfrenta no leste europeu. “Eu cheguei aqui com menos 15 graus e muita neve. É totalmente diferente do Rio de Janeiro onde estava com 40 graus”, comparou.

O time búlgaro faz um revezamento entre os goleiros na equipe titular. Cada um atua por duas partidas antes de ir para o banco de reservas.

“Estou jogando aqui e vivo um momento muito bom. Estou feliz, mas esse revezamento me incomoda, pois para goleiro o ideal é ter uma sequência direto, mas faz parte. Estou aguardando o que vai acontecer daqui pra frente”, falou o goleiro, que jogou 12 vezes nesta temporada.

O jogo contra o Braga pela Liga Europa é considerado o mais especial pelo brasileiro.

“Nós conseguimos assumir a liderança do grupo e vencemos por 2 a 0 fora de casa. Fui muito exigido e fiz boas defesas ajudando ao time”, comemorou.

Vendeu até churros

 

Antes de ser jogador de futebol, Renan batalhou em várias outras funções para ajudar sua família.

“Trabalhei vendendo picolé na feira e em lava jato limpando carros. Nessa época aprendi a dirigir. Também vendi churros que nem o Chaves [personagem criado pelo ator mexicano Roberto Gomes Bolaños] em uma barraquinha. Eu passei um período que foi muito proveitoso porque aprendi demais a valorizar tudo que conquistei”, reconheceu.

Aos 12 anos, o goleiro começou em uma escolinha e abandonou os outros empregos quando entrou no CFZ, clube do Rio de Janeiro. Após dois anos, ele foi para o Botafogo.

Em 2008, Renan subiu para o time profissional do time alvinegro com apenas 18 anos.  Com a lesão do titular Juan Castillo, o garoto precisou assumir a meta nas finais da Taça Rio e do Campeonato Carioca.

“O treinador era o Cuca, que ia ver uns jogos da base e me promoveu. Foi bem marcante para mim. Pouco depois, joguei contra o Flamengo numa final de Taça Rio em um Maracanã lotado. Foi uma experiência muito bacana”, afirmou.

Para tristeza de Renan, porém, sua equipe saiu derrotada para o clube rubro-negro e amargou o vice do Estadual. O goleiro conseguiu atuar por 28 partidas naquela temporada. No ano seguinte, entre altos e baixos no Botafogo, ele jogou mais 19 vezes até o meio de 2009.

Perda de espaço

 

Com chegada de Jefferson, que virou titular absoluto e ídolo da torcida, Renan perdeu espaço. Mesmo assim, os goleiros desenvolveram uma ótima relação.

“O Jefferson é meu amigão e até hoje nos falamos. É um excelente profissional e uma pessoa melhor ainda. Nas férias nós reunimos as famílias”, contou.

Atuando em alguns jogos nos anos seguintes, geralmente quando o titular se contundia ou estava na seleção brasileira, o arqueiro teve seu grande momento na semifinal do Campeonato Carioca de 2015.

O Botafogo perdeu para o Fluminense por 2 a 1, mas venceu o segundo jogo pelo mesmo placar e a decisão foi para os pênaltis. Renan foi o herói da classificação da equipe alvinegra.

“Esse foi o jogo mais importante e especial do qual participei. Eu pude pegar duas penalidades e ainda fiz um gol na última cobrança. Classificamos para a final do Estadual”, recordou.

Na decisão, porém, o time de General Severiano foi derrotado pelo Vasco.

Renan ficou na equipe alvinegra até o começo de 2016 (somou 130 partidas no total) antes de ir ao Avaí.

“Resolvi mudar por estar muito tempo no Botafogo na condição de reserva do Jefferson e meu contrato estava no fim. A gente resolveu encerrar o vínculo para eu buscar coisas novas e jogar mais vezes”.

A escolha não poderia ser melhor. Na equipe de Florianópolis, o goleiro foi um dos destaques na campanha que terminou com o vice-campeonato da Série B do Brasileiro.

“Fizemos um ano fantástico e conseguimos subir para Série A do Brasileiro. Recebi apoio de todos no clube. É um time que sou muito grato por ter acreditado em mim”, finalizou.

Fonte: ESPN.com.br

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