ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Ser campeão da Taça Libertadores e enfrentar o Botafogo nesta edição definitivamente não tem sido um bom negócio. Colo-Colo. Olimpia. Estudiantes. Atlético Nacional. E agora o Nacional do Uruguai. Um elenco que não é brilhante tecnicamente. Nem numeroso. Mas que faz das tripas coração para seguir à risca as instruções do ótimo Jair Ventura.

Hoje, sofreu a pressão inicial do time uruguaio. Falhou especialmente em algumas das muitas bolas levantadas sobre a sua área. Suportou a pressão da torcida e dos próprios jogadores adversários. Doidos para cavar uma expulsão de João Paulo ou de Bruno Silva, amarelados cedo.

Mas o Botafogo de hoje sabe sofrer. Como se defendeu com unhas e dentes! Deu bico para tudo quanto é lado quando precisou. Por incrível que pareça, Gatito Fernández não fez sequer uma defesa o jogo todo. Quase todas as chances criadas ou foram para fora ou aliviadas por um sistema defensivo impecável. O Nacional ameaçou em apenas dois lances. No primeiro, a bola bateu na trave. Depois na zaga. E finalmente, foi para fora. Na segunda, o caneludo Silveira perdeu cara a cara com o goleiro alvinegro. Claro que ainda houve o pênalti não assinalado pelo árbitro chileno. Victor Luiz meteu a mão na bola de maneira infantil. Deu sorte da infração não ter sido marcada.

Além de defender, o time sabe atacar quando precisa. Sabia que teria espaços nas costa de Fucile. Aos 37, no contra-ataque, a bola foi esticada para Pimpão justamente neste setor. Ele cruzou. Bruno Silva bateu. O tiro explodiu na zaga e sobrou limpa para João Paulo marcar seu primeiro gol com a camisa da Estrela Solitária.

Na etapa complementar, o time carioca se postou mais atrás ainda. O objetivo era exatamente esse. Povoar o meio. E fazer o Nacional achar uma brecha. Sem criatividade, a equipe uruguaia seguiu alçando bolas na área. Cruzamentos esses que consagraram Carli e Emerson Silva. Dois dos heróis em Montevidéu.

Agora, jogando em casa e podendo usar o contragolpe como se sente mais confortável, o Botafogo tem tudo para avançar às quartas de finais da competição. Um resultado extraordinário de um grupo humilde e que deixa a alma em campo. E se o próximo adversário já tiver conquistado uma Libertadores, muito cuidado. O Fogão exterminador de campeões vem aí!

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Fonte: Blog do Mauro Beting - UOL