Depois de cinco jogos, Marcos Paquetá não é mais técnico do Botafogo. A demissão precoce não chega a ser uma supresa no futebol brasileiro, mas demonstra uma desorientação da diretoria do Botafogo, que resolveu apostar no treinador, mas não concedeu um ambiente estável para a realização do trabalho. A equipe realmente não jogou bem desde a volta da Copa do Mundo, mas vem de um mês com atraso de salários e tem um elenco com pouca profundidade. Situações que não justificam que a responsabilidade pelo momento ruim caia inteiramente sobre o ex-treinador.

As dificuldade que a equipe enfrentou enquanto dirigida por Paquetá não são novas, já eram conhecidos desde a época de Alberto Valentim, que teve uma sequência bem ruim em seus últimos jogos – incluindo dois empates em casa contra Vitória e Ceará e uma derrota para o América-MG- e também já enfrentava um desgaste antes de ir para o Egito. Pouca variação tática, dificuldade para criar oportunidades de gol e reposição pobre de peças vêm sendo pontos fracos do time no ano, independente de quem esteja na área técnica.

Até mesmo as derrotas de Paquetá não fogem do padrão, foram todas fora de casa. Reflexo da campanha do Campeonato Brasileiro, torneio em que o time ainda não venceu fora do Rio. Na única partida que fez em casa com o ex-comandante, veio a vitória solitária, contra a Chapecoense.

Entretanto, o time não apresentou uma melhora com Paquetá. Em alguns momentos até piorou – a atuação contra o Internacional foi a pior do ano -, mas é difícil enxergar a demissão do treinador como uma solução. Com os salários atrasados, Paquetá estava encontrando dificuldade para motivar seus atletas e erros técnicos infantis marcaram as atuações recentes. Dos cinco gols sofridos nos últimos dois jogos, três aconteceram depois de bolas perdidas no campo de defesa. A missão do treinador que vai chegar é conseguir tirar mais de cada peça do elenco e entender a melhor maneira de explorar os pontos fortes da equipe, como as bolas paradas e as jogadas em velocidade pelas laterais.

Além dos salários atrasados, a dificuldade financeira também não ajuda na formação do elenco. Durante a parada da Copa, além de ter perdido seu técnico, o clube não fez nenhuma contratação e sente muito quando perde um jogador titular como Moisés, que lesionado ficou fora do jogo contra o Nacional. Única contratação do ano que contou com uma operação financeira mais elaborada, o uruguaio Aguirre ainda não correspondeu.

O momento que se apresenta ao Botafogo é chave para a temporada. Os próximos resultados vão servir para traçar o caminho que o time vai seguir até o fim do ano. Depois de boas campanhas na Libertadores e na Copa do Brasil no ano passado, chegar em dezembro de 2018 preocupado com a zona de rebaixamento será uma grande decepção para o clube, que tinha como meta clara e aberta voltar a principal competição da América do Sul.

Quem quer que for o escolhido para ser o quarto treinador alvinegro no ano vai precisar apagar um incêndio, mas é preciso que a diretoria tenha um pensamento a longo prazo e tente oferecer um pouco mais de estabilidade do que pôde proporcionar para Paquetá, que, se tinha algo a mais para mostrar, precisaria de paciência e mais tempo para inserir suas ideias, algo que o Botafogo não conseguiu oferecer em um ambiente onde a pressão sempre existiu. O ex-treinador nunca foi consenso nos bastidores.

Apesar da fase ruim, não houve uma grande queda na classificação do Campeonato Brasileiro, onde o Botafogo é 11º, e uma classificação na Copa Sul-Americana não é nenhuma missão impossível. Como marcou fora de casa, basta uma vitória simples.

Fonte: O Globo Online