Cinco gols anotados, quatro sofridos, futebol apático em 90% do tempo e uma queda precoce para o Paraguai. Assim o Brasil passou pela Copa América 2015 sem deixar saudades.

O futebol desenvolvido pelo time de Dunga o Chile esteve longe de convencer. Deixou ainda mais questionamentos sobre uma seleção que claudica após o fatídico 7 x 1 para a Alemanha, ainda na Copa de 2014.

A seguir, PLACAR faz a sua sua avaliação sobre cada um dos convocados, mais o técnico, que estiveram em ação no torneio. Para isso, baseamos nossa análise em três ícones: “quem se salvou”, “quem ficou na mesma” e “quem se ‘queimou'”.

QUEM SE SALVOU:

Miranda – Numa defesa marcada pela fragilidade, Miranda foi o único que se safou. Sem enfeite, mostrou mais segurança que Thiago Silva e David Luiz. Além disso, saiu da Copa América como capitão do time.

Elias – Do meio-campo, foi quem menos comprometeu. Mais contido que no Corinthians, resumiu boa parte do seu jogo no Chile a passes para o lado. Das poucas vezes que usou de sua principal característica, o arranque ao ataque, deixou a seleção mais concisa.

Robinho – Sem Neymar, Dunga apostou na experiência de Robinho. E o santista não decepcionou. Contra a Venezuela, colocou a bola no chão e ainda fez o cruzamento para Thiago Silva abrir o placar. No duelo ante o Paraguai, fez um primeiro tempo exemplar, com um gol, mas depois caiu. Inexplicavelmente, foi sacado de campo quando o Brasil tentava o segundo gol.

Robinho saiu da Copa América com moral recuperada na seleção
Robinho saiu da Copa América com moral recuperada na seleção | Crédito: Mowa Press

QUEM FICOU NA MESMA:

Neymar – De herói a quase vilão. Neymar fez uma estreia promissora, levando a seleção praticamente nas costas. No jogo seguinte, contra a Colômbia, passou em branco e ainda foi expulso após o apito final. Sua ausência prejudicou a campanha brasileira, que perdeu qualquer referência técnica.

Neymar foi expulso no segundo jogo e vetado pro restante da Copa América
Neymar foi expulso no segundo jogo e vetado pro restante da Copa América | Crédito: Mowa Press

Marcelo Grohe – Não entrou em campo. Segue sendo boa opção para o gol.

Neto – Não entrou em campo. Só foi chamado por conta da lesão de Diego Alves.

Gefferson – Não entrou em campo. Surpresa na lista de Dunga, é nome quase certo para as Olimpíadas.

Fabinho – Não entrou em campo. É alternativa mais defensiva a Daniel Alves e Danilo.

Casemiro – Não entrou em campo. Foi convocado às pressas em virtude da lesão de Luiz Gustavo.

Marquinhos – Somou seus minutos na vitória apertada contra a Venezuela. Entrou no final do jogo, como lateral direito, posição em que já figurou no PSG.

Fernandinho – Fernandinho foi Fernandinho na Copa América. Volante de chegada, que se arrisca pouco. Bateu e converteu o primeiro pênalti brasileiro na decisão contra o Paraguai.

Fernandinho não teve sua titularidade ameaçada na Copa América
Fernandinho não teve sua titularidade ameaçada na Copa América | Crédito: Mowa Press

Filipe Luis – Não tivesse sido cortado por lesão e Marcelo, de boa temporada pelo Real Madrid, seria o titular. Filipe Luis, reserva de um destro no Chelsea – neste caso Azpilicueta -, não mostrou tanta segurança na retaguarda nem volúpia no ataque. Do setor defensivo foi quem menos errou.

Daniel Alves – Danilo era o dono da camisa 2, mas foi tirado da lista por lesão. Daniel Alves, que ‘voou’ no Barcelona nesta temporada e era carta fora do baralho depois da Copa de 2014, voltou a ser lembrado. Na estreia, foi bem ao colocar com precisão na cabeça de Neymar, que marcou. Nos jogos seguintes, pouco apresentou. Falhou na recomposição defensiva e errou muitos cruzamentos.

Daniel Alves foi de descartado a titular na seleção de Dunga
Daniel Alves foi de descartado a titular na seleção de Dunga | Crédito: Mowa Press

Thiago Silva – Até o jogo contra a Venezuela, quando fez um belo gol, Thiago Silva vinha fazendo uma Copa América dentro das expectaticas. Mas contra o Paraguai, cometeu um erro crasso ao espalmar uma bola dentro da própria área. Acabou saindo chamuscado do torneio, mas a regularidade ainda é um dos seus trunfos.

Éverton Ribeiro – Entrou ‘gelado’ contra o Paraguai e não fez muito para mudar o panorama nos minutos finais. Na disputa por pênaltis desperdiçou sua cobrança. Lúcido e bom de bola, Éverton deve ter novas chances na seleção, a menos que continue por muito tempo no Oriente Médio.

Douglas Costa – O início de Douglas na Copa América foi promissor: gol com muita frieza, e de perna direita, para decidir um apertado duelo contra o Peru. Depois disso, Douglas desapareceu. No jogo contra o Paraguai, mandou pra muito longe a sua cobrança de pênalti.

Douglas Costa fez gol na estreia, mas saiu como 'vilão' nas quartas de final
Douglas Costa fez gol na estreia, mas saiu como ‘vilão’ nas quartas de final | Crédito: Mowa Press

Roberto Firmino – Nos amistosos pré-Copa América, Firmino fez o necessário para justificar um lugar entre os onze. Na Copa América, a camisa amarela parece ter pesado para o novo reforço do Liverpool. Pouco móvel e descalibrado, errou muito nos três primeiros jogos, incluindo o contra a Venezuela, quando balançou as redes. A verdade é que Firmino não deixou a marca que se esperava dele.

QUEM SE ‘QUEIMOU’:

Philippe Coutinho – Esqueça o jogador lúcido, que desestabiliza defesas com seus dribles e assusta goleiros com disparos venenosos de fora da área. No Chile, Coutinho não foi nem sombra do que apresentou no Liverpool na última temporada. Com poucos lampejos, ofereceu um repertório ofensivo pobre à seleção de Dunga.

Willian – A passagem de Willian na Copa América se resume a uma bela enfiada para Firmino marcar contra a Venezuela e a um belo chapéu na estreia contra o Peru. E só isso. Aberto pela direita, Willian foi presa fácil para os seus marcadores. Seu rendimento despencou de vez quando Neymar foi vetado do torneio.

Diego Tardelli – Tardelli vinha se mantendo com a 9 da seleção graças aos seus dois gols marcados em amistoso contra a Argentina, em 2014. Mas sua carga de créditos se esgotaram nessa Copa América. Lento e sem poder de definição, Tardelli foi facilmente batido pelos zagueiros rivais e por Firmino.

Tardelli não levou perigo ao gol rival no Chile
Tardelli não levou perigo ao gol rival no Chile | Crédito: Mowa Press

Fred – ‘Queridinho’ de Dunga, Fred era o volante de saída que Dunga esperava ter na seleção. O que se viu do meia, no entanto, foi desolador. Ele mais destruiu que construiu. Acabou perdendo uma vaga no time inicial contra a Venezuela.

David Luiz – Não é de hoje que David Luiz é questionado na seleção. Sua má fama permanece intacta desde a Copa do Mundo, quando foi abaixo da crítica nos jogos contra Alemanha e Holanda. Na estreia da Copa América, contra o Peru, falhou feio no gol do adversário, ao recuar imprudentemente uma bola para Jefferson. Contra a Colômbia, foi sacado para o retorno de Thiago Silva.

Jefferson – Insegurança. Foi isso que Jefferson passou na maior parte do torneio do Chile. Na estreia, foi pivô do gol peruano, ao ‘entregar’ a bola no pé de Cueva, que não teve trabalho de fazer. Com os pés, Jefferson beirou o desastre. Teve lá suas intervenções, mas não foi definitivo em momento algum. Com Diego Alves em forma, Jefferson ganha uma sombra e tanto no gol.

Fonte: Placar