Com o apoio de ídolos do Botafogo como Zagallo e Jairzinho, por exemplo, além do ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, Thiago Cezário Alvim ganhou força na eleição do clube. Formado em direito, ele atuou por 15 anos como advogado e agora é empresário, proprietário da tradicional casa de samba e pizzaria Carioca da Gema, no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Aos 54 anos, ele disputa o pleito pela chapa azul “Por Amor ao Botafogo”.

Em entrevistas realizadas pelo ESPN.com.br na última semana, os candidatos responderam às mesmas perguntas sobre assuntos pré-definidos. A eleição para presidente do Botafogo acontece nesta terça-feira, e quem tiver mais votos vai comandar o clube no triênio de 2015, 2016 e 2017.

Thiago Alvim foi vice-presidente de comunicação social do Alvinegro nos últimos cinco anos, mas deixou de fazer parte da atual gestão e também virou oposição ao Maurício Assumpção. O candidato cita a transparência, governância corporativa, descentralização, categorias de base e programa de sócio-torcedor como sua prioridades. Ciente dos problemas financeiros do clube, ele sabe que terá que reduzir os gastos com a folha de pagamento do futebol.

“O Botafogo tem um elenco caro, que dá pouco resultado. É a nossa visão. Jogadores caros, supervalorizados e que dão pouco resultado de expressão”, afirmou Alvim.

Confira abaixo a entrevista completa com Thiago Cesário Alvim:

PRIORIDADES E PRINCIPAIS PROPOSTAS

Transparência, governância corporativa, a descentralização, o futebol de base, o sócio-torcedor, a nossa torcida, um tratamento legal. E patrimônios, sustentabilidade das sedes e projetos incentivados em parcerias privadas no remo e nos outros esportes.

PLANEJAMENTO PARA O FUTEBOL

O clube vai estar com as finanças arrasadas, as despesas vão estar adiantadas, a capacidade orçamentária vai ser muito baixa. O presidente vai ter de estar preparado, com pessoas influentes, superando os obstáculos. Represento a chapa azul, de união do Botafogo. Dentro dela tem muita gente que milita dentro do futebol há mais de duas décadas, pessoal da MFD (fundo de investimento). A gente vai conseguir fazer contatos. Clube gigante como Botafogo pode ter jogadores no elenco dele que estejam atuando para ganhar visibilidade. Depende do bom trânsito com empresários e nível de conhecimento. Vamos aproveitar a base, temos 40 jogadores oriundos das categorias de base e temos as pessoas que vamos conseguir trazer com o networking da Chapa Azul. Três jogadores têm contrato como Botafogo, dos mais velhos. Jefferson, Airton e Gabriel. Os outros jogadores vão estar se encerrando no final de dezembro. O Botafogo tem um elenco caro, que dá pouco resultado. É a nossa visão, a visão da Chapa Azul. Jogadores caros, supervalorizados e que dão pouco resultado de expressão. Com relação a treinador e comissão técnica, quem vai decidir vai ser o próximo vice-presidente de futebol. Vai ser uma gestão descentralizada, vamos dar poder e cobrar resultados. O vice-presidente de futebol vai ter amplos poderes. O Botafogo vai ter o futebol verticalizado e integrado. Vamos estar do sub-13 ao profissional falando a mesma linguagem. Não de esquema tático, mas forma de ver o futebol. Queremos essa verticalização. Quem vai decidir sobre nomes, permanência ou novidades será o próximo vice-presidente de futebol, um homem que tem trânsito na CBF, na Federação Carioca, na TV Globo, que é de onde vêm as maiores receitas. A posição do Botafogo dentro desses contratos não respeita a grandeza do clube. Temos de ter uma pessoa que tem trânsito e fornecem valores econômicos.

PLANOS PARA ENGENHÃO

Penso que o Engenhão é nossa casa, a casa do Botafogo. É o Estádio Olímpico João Havelange e que gostaríamos de chamá-lo de Nilton Santos. Ele vai ter a nossa cara, o retorno vai ser bem-vindo para o Botafogo Futebol e Regatas. Está demorando a tê-lo de volta. Temos de sentar com o prefeito e negociar a entrega, a carência, o prazo que permanece conosco e negociar ressarcimentos. Essa parada do Engenhão teve prejuízos incríveis para o Botafogo e para os moradores de Engenho de Dentro e adjacências. Certeza que sentem falta do Botafogo. O prefeito é pessoa de responsabilidade, de bom senso. O caminho é o Botafogo, senão vira um elefante branco. Ele tem que ser uma fonte de receita e não de despesa. Temos planos, conceito de shopping center, utilização do estacionamento para feira de carros, palco de shows com já houve com Paul McCartney, Justin Bieber. Temos comprovadamente uma arena multiuso. Precisamos ter um estádio funcionando modularmente. Abrir o que for necessário. Quando a expectativa for até 10 mil pessoas você abre o Leste Inferior. Isso dá todo mundo, uma cara bonita na televisão e uma união bonita da torcida para que os cânticos empurrem o time. Em jogos com apelo a gente abre tudo. E o Engenhão proporciona um plano de sócio-torcedor mais aos anseios de nossa torcida. E podemos fazer da maneira que achamos correta. No Maracanã, através de concessionária, você não consegue fazer como você quer e acaba sendo deficitário. Os clubes têm de ganhar dinheiro para impedirem.

PROJETOS DE MARKETING E DE SÓCIO-TORCEDOR

Programa de sócio-torcedor hoje é muito ruim, não respeita os torcedores, é difícil de pagar, difícil de entrar no estádio. Botafogo muda local dos jogos fazendo que o torcedor se sinta enganado. A gente sabe que precisa de respiro financeiro. Temos a melhor agência de publicidade do Brasil, a Binder, que está fazendo estudo com integrantes da Chapa Azul. Levantaram três pontos: sócio-torcedor quer desconto em produtos oficiais, como camisa. Segundo, ele quer votar; terceiro, quer ser bem tratado, com rede de associados. Queremos que ele possa adquirir produto numa loja como a Centauro. Porque ele não pode comprar. Essa facilidade tem de existir dentro do plano de sócio-torcedor. Temos planejamento de quadruplicar. Hoje são oito mil adimplentes. Queremos chegar ao final do mandato a 36 mil sócios-torcedores, que representa 80% da capacidade do Engenhão. Os 20% vende na hora. Hoje ele está na área comercial no futuro vai ser no marketing. O foco vai ser em oito anos, nessa hora que desgruda do pai e decide. Vamos continuar rodando o Brasil, programas de relacionamento, Feijão do Fogão, ida do presidente. Temos uma pesquisa que 50% da torcida do Botafogo está espalhada pelo Brasil. Mas vamos focar no Rio, queremos a valorização dos nossos ídolos. Outra área é a de licenciamento. Vemos que temos uma enorme área que está para ser preenchida e gerar receitas. Temos de buscar receitas em 2015. Vai ser um ano difícil.

Getty Images

Candidato Thiago Alvim tem planos para aumentar o programa de sócio-torcedor
Candidato Thiago Alvim tem planos para aumentar o programa de sócio-torcedor

DIVISÕES DE BASE, CT EM MARECHAL HERMES E CAIO MARTINS

A base vai ser um foco da nossa administração. Um clube que não tem dinheiro para ir às compras tem de fabricar em casa. Pelos estudos que fazemos, o Botafogo tem uma metodologia implantada, que vai de encontro às outras agremiações de sucesso, como times espanhóis, alemães, Atlético-PR, Cruzeiro e Vitória. Ela é implantada desde janeiro, a estrutura é péssima, inexistente. Caio Martins está (arrendado) até 2023, Marechal até 2031 com possiblidade de renovação. Problema é que nenhum dos lugares tem metragem fazer um CT inteiro. Hoje começa no sub-13 e vai até sub-20. Estudos nos mostram que será necessária uma área de 33 mil metros quadrados. Marechal Hermes dá no máximo para duas categorias. Interessa pela localização. Chega-se de trem, de ônibus. A metragem de hoje não permite que tenhamos um CT definitivo com todas as categorias. Temos ainda o terreno de Vargem Grande, doado pela prefeitura, mas que não permite investimento nessa área. Temos o terreno que dona Terezinha doou, mas é montanhoso e são seria mais custoso. Vamos ver qual melhor se adequa. Com relação à base, o Botafogo vai ter em parceiro um CT ótimo, dos melhores do Rio para treinar. Virá em parceria. Vamos procurar com parcerias da iniciativa privada construir o CT definitivo. Não vou falar sobre o CT acertado. Só na eleição.

Fonte: ESPN.com.br