Segundo relatório da Fifa, 40% do dinheiro envolvido nas transações de jogadores não são declarados. Todos já sabiam disso. É uma das maiores lavagens de dinheiro do mundo. Mais um desencanto. O porteiro do mundo deveria fechar as portas e colocar uma placa: “Fracassamos”.

Em todo início de Libertadores, ressurgem os chavões, tipo “é um campeonato diferente, de muita pegada”, “na Libertadores, não dá jogar bonito”, “fulano tem a cara da Libertadores”. Parece até outro esporte. Essa visão estreita empobrece o futebol sul-americano.

Botafogo e Atlético-PR estreiam hoje. Dizem que Jorge Wagner, que sempre foi um jogador comum, será o craque do time, o camisa 10, por causa das cobranças de faltas diretas para o gol e dos cruzamentos para a área, ainda mais com o grandalhão Ferreyra de centroavante. Se colocassem um zagueiro alto no ataque, teria o mesmo efeito. A tática do bololô na área será uma das principais jogadas na Libertadores. Troca de passes será um luxo.

O jovem técnico Eduardo Hungaro, que era auxiliar de Oswaldo de Oliveira, disse que o volante argentino Bolatti (não joga hoje) será o iniciador das jogadas ofensivas do time, atuando atrás de dois volantes, como Pirlo, da Juventus, pois tem um ótimo passe. Nas vezes em que vi Bolatti atuar, nunca notei essa qualidade.

Minha exigência deve ser outra. Estou bem acostumado. Lembro de Zé Carlos, volante do Cruzeiro, que, sem dominar a bola, com um toque, a colocava na frente, do outro lado, nos pés do companheiro. Essa rapidez destrói qualquer marcação.

Ao falar de Bolatti, lembro de Valdivia, outro gringo. O técnico da seleção chilena, Sampaoli, ficou impressionado com a péssima forma física e técnica do jogador, no amistoso contra o Brasil, no ano passado, quando Valdivia entrou no segundo tempo e foi substituído antes de o jogo terminar. Naquela época, Valdivia era muito elogiado por suas atuações na Série B, como foi após o jogo de domingo, contra o Atlético Sorocaba, que não está nem na segunda divisão do Brasileirão. Sampaoli está de olho nele. Não quer ser novamente enganado.

A grande missão de Paulo Autuori na Libertadores será fazer com que o Atlético-MG mantenha a eficiência no Independência e melhore fora de casa.

No Independência, no estilo Galo Doido, o Atlético-MG sufocava o adversário e, principalmente nas jogadas aéreas, vencia quase todas as partidas. Fora, não fazia nada disso e mostrava suas deficiências individuais e coletivas. Não conseguia trocar passes da defesa para o ataque, além de deixar enormes espaços nas costas dos laterais e entre os volantes e os zagueiros. Foi o que ocorreu no Mundial de Clubes.

Paulo Autuori tem sido muito criticado pelos últimos fracassos. Não é o técnico que ganha e perde. É o time.

Fonte: Coluna do Tostão - Folha de S. Paulo