Ter dado adeus ao sonho do hexa em casa não seria nenhum absurdo. O problema foi o vexame… A seleção brasileira foi dominada no Mineirão. Uma supremacia alemã tomou conta da semifinal e fez com que a partida de futebol se tornasse um verdadeiro baile. A goleada por 7 a 1 ainda dói no coração dos brasileiros e, para os campeões Jairzinho e Pepe, só existe uma solução em busca da volta por cima: a renovação.

Na coletiva após o jogo, Felipão descartou a necessidade do futebol brasileiro em se “reinventar”, mas Jairzinho, Furacão da Copa de 1970, não esconde o desejo de ver a equipe com novos moldes: “Não sei se será a mesma comissão ou se virá outra, mas digo que é preciso uma renovação. Vimos jogadores que mostraram que não têm capacidade de jogar na Seleção, mas aí é critério de quem estará no comando. Acho que tem que ter, sim, uma reforma, uma renovação. Parar para analisar tudo e aproveitar os jogadores que fizeram um bom procedimento. Mas digo que 80% da Seleção foi negativa”.

Campeão em 1970, o ex-jogador ainda ressaltou que a dor maior foi a maneira como a eliminação aconteceu. Uma goleada deste nível nunca havia sido vista na história da Seleção: “Ser eliminado faz parte, mas a forma como foi é que é muito triste. Acho que dentro da história do futebol brasileiro nunca tomamos uma goleada neste nível. É evidente que todos nós estamos tristes, pois queríamos ver a seleção brasileira conquistar o hexa, mas agora acho que tem que ser feita uma reavaliação desde a comissão técnica até os jogadores para podermos definir um novo cronograma visando à classificação para a próxima Copa do Mundo.”

O que é deixado de lado é qualquer tipo de comentário que possa crucificar a seleção brasileira num momento como este. A mesma dor que atinge os torcedores também afeta os integrantes da delegação na Copa do Mundo. O pedido do craque é por paciência. Agora não é a hora de sacramentar culpados ou vilões para o sonho adiado.

“Não quero queimar ninguém. Não é o momento de colocar o pessoal na guilhotina. É uma fase sensível, com uma derrota na nossa casa. É momento de dar apoio e começar a reavaliar as condições de trabalho. Não podemos bombardear o Felipão e os jogadores. Não adianta culpar as pessoas, a comissão, os jogadores… Todos nós erramos, agora temos de reavaliar e buscar uma nova Seleção para a próxima Copa”, comentou.

Para tentar explicar o vexame da última terça-feira, Jairzinho cita os problemas táticos como cruciais para o time de Felipão: “Acho que cometemos um erro fatal, que foi justamente jogar muito aberto deixando a Alemanha partir para dentro da nossa defesa com uma superioridade numérica. Forçamos demais a parte ofensiva e esquecemos o meio de campo”.

Pepe também não esconde a tristeza com a derrota. O resultado também é o que mais atinge o craque campeão em 1958 e 1962. Um novo fracasso numa Copa disputada em casa foi ainda pior em razão das circunstâncias. A vergonha será eterna: “Estou muito chateado com esse 7 a 1. Eu joguei cerca de 40 partidas pela Seleção e nunca tive um resultado tão inexpressivo. Agora é um momento de definições para o futuro. Alguma coisa precisa ser feita. Não é normal um futebol como o do Brasil ser humilhado desta forma, foi um desastre total. Não jogamos nada, fomos totalmente dominados… Lamentável: uma tarde que nunca será esquecida”.

O que Pepe não perdoa são os vacilos de Felipão durante o Mundial. A falta de variação tática e até a ausência de alguns jogadores considerados mais completos pelo craque são alguns dos motivos enumerados como responsáveis pelo vexame da Seleção.

“Houve falhas na configuração do esquema. Tivemos um time sem criatividade, que não teve armador. Hoje, o futebol sem meia-armador é difícil de acontecer. Tínhamos muitos volantes e nenhuma cabeça pensante. Alguns jogadores experientes como Robinho e Ronaldinho Gaúcho ficaram fora e é difícil de entender: são melhores dos que lá estão. Um jogador como o Alex, do Coritiba… Foi eleito o melhor do futebol brasileiro e não foi convocado. São coisas que só acontecem com a gente. Se bem que agora já era”, disse.

Agora, Pepe reforça que a missão é uma só: “É preciso de tudo um pouco. É difícil falar o que precisa ser feito num momento desses, precisamos de muita coisa. Os homens da CBF precisam se reunir e pensar bem”.

Fonte: O Dia Online