Você pôde ler, na semana passada, que o Botafogo contratou o meia-atacante Alessandro. O jogador de 21 anos chegou com um contrato de baixo-custo, mas o que chamou mais atenção foi o apelido pelo qual ele ficou conhecido no mundo do futebol: Gatinha. Nas linhas abaixo, você vai conhecer a história do Zé Gatinha “original”, e a surpreendente relação dele com o Glorioso.

Hoje aposentado dos gramados, José Geraldo Braga Favoreto, está com 53 anos e comanda a secretaria de esportes de Muniz Freire (ES), a 200 quilômetros da capital, Vitória. Ele nasceu neste mesmo município, de 19 mil habitantes, e foi por ajudar a levar o nome da cidade para o cenário nacional que esta história começa. À época meio-campista, ele foi jogador de destaque no futebol do Espírito Santo, e campeão.

O Muniz Freire Futebol Clube conquistou o Estadual de 1991, e Zé Gatinha era um dos principais jogadores. Aquela geração disputou a Copa do Brasil de 1992, e enfrentou o Internacional logo de cara. O jogo, disputado no Estádio Mário Monteiro, em Cachoeiro do Itapemirim (ES), terminou 3 a 1 para o Colorado. Zé Gatinha marcou o gol dos mandantes. E no goleiro Gato Fernández, pai de Gatito, do Botafogo.

Mas como surgiu o apelido com o qual não só ele fez carreira como inspirou alcunha dada a um atleta tão mais jovem? De acordo com o próprio José Geraldo, foi um radialista que observou suas características em campo.

– Surgiu na época em que eu joguei na Desportiva Ferroviária-ES, na Série B do Campeonato Brasileiro, em 1991. O radialista Horácio Carlos falou: “O cara tem muita disposição, muito fôlego, tem fôlego de gato.” E, na verdade, eu corria muito mesmo. Foram 12 anos no futebol do Espirito Santo e sempre com esse apelido – conta.

Isso foi nos anos 1990. Mais recentemente, sobre o “Zé Gatinha” Alessandro, José Geraldo diz não tê-lo visto jogar ainda, por isso não sabe avaliar se a comparação que justificou o apelido ao mais novo se dá pela semelhança técnica ou pela capacidade aeróbica em campo.

Porém, a relação com a Estrela Solitária começa antes. O time de infância de José Geraldo é o Botafogo. Ele, inclusive, já esteve no Estádio Nilton Santos (jogo contra o Nacional-URU, ano passado). Mas quando dava os primeiros passos no futebol, nos anos 1980, chegou a ser atleta da base botafoguense.

– Cheguei a fazer um período de testes no Botafogo em 1982, na base. Lembro que era em Marechal Hermes. Eu pegava o trem na Central do Brasil, parava por lá e tinha que trabalhar depois. Mas após sete, oito meses eu não consegui conciliar. Aí voltei para o Espírito Santo – conta o ex-jogador, que também tentou a sorte no Vasco, no Fluminense e no Juventus-SP.

E se o sentimento do Zé Gatinha “original” é botafoguense, o sangue também está no clube até hoje. Dailson Paulucio, primo de segundo grau, é fisiologista da comissão técnica alvinegra. De acordo com José Geraldo, foi ele quem fez chegar ao goleiro titular do Glorioso que um parente havia feito gol no pai.

Se Alessandro, o novo Zé Gatinha, terá sucesso no Botafogo é muito cedo para dizer. Mas ele tem um longo caminho para trilhar antes de ter tanta história para contar quanto o “xará”.

Fonte: Lancenet!