A irregularidade foi a marca do Botafogo no ano, mesmo com Zé Ricardo. Mas foi com o técnico contratado em agosto que a equipe escapou do rebaixamento no Campeonato Brasileiro e sonhou com uma vaga na Copa Libertadores. Não foi possível e o time joga contra o Atlético-MG, neste sábado, podendo chegar, no máximo, à oitava colocação. Mas houve evolução. Tanto que já são seis jogos de invencibilidade. Nesta segunda parte da entrevista exclusiva concedida ao LANCE!, o treinador analisa o crescimento individual e coletivo do Glorioso, e exalta a alta competitividade que a equipe voltou a ter.

Uma das suas mudanças mais nítidas foi a troca de posição do Valencia. Primeiro no meio, depois na ponta e, agora, um pouco mais recuado. Como se deu a evolução tática do time?
Temos alguns jogadores que jogam ali naquela posição. Chegou um momento em que tivemos os três meias fora por lesão (Marcos Vinícius, Renatinho e Valencia). Passei a utilizar uma trinca de volantes. Eu admito que prefiro trabalhar com apenas um homem (volante) por trás e dois mais à frente, com liberdade para pisarem na área. Mas tudo é trabalhado e testado dentro do plantel à disposição. Trabalhamos com sistemas diferentes. Estávamos em uma crescente do Luiz Fernando, chegando o Erik, e vi que não poderia abrir mão do Valencia, que tem qualidade individual, uma bola parada muito boa e que viveu a sua melhor fase na carreira atuando por dentro. O Luiz Fernando tem boa solução no um contra um, ajudou demais. Assim como o Erik, que, depois de jogos mais abaixo, voltou a crescer. Desta forma, encontramos mais equilíbrio, mesmo perdendo a combatividade com a saída do Jean. Além, é claro, das boas participações do Matheus Fernandes, que muito bem nas últimas partidas, e o fator experiência, com o Rodrigo Lindoso.

O João Paulo falou que o seu grande mérito foi recuperar a competitividade do time. Você concorda?
Não tenho a menor dúvida (de que a competitividade é o maior mérito de seu trabalho). Jogar contra o Botafogo, até na base, era difícil. Não me lembro de ter vencido o Botafogo de maneira tranquila, sempre teve muita entrega, luta até o fim, mesmo com equipes, no geral, menos badaladas. Foi assim contra mim esse ano, foi assim na Libertadores do ano passado, quando por muito pouco não eliminou o Grêmio… por algum motivo isso não vinha acontecendo. Fico feliz por ter resgatado essa competitividade – o que não é um mérito só meu – mas, principalmente, por o Botafogo estar mostrando um futebol de qualidade. Começamos a desenhar um nível que eu considero o ideal.

Alguns jogadores cresceram recentemente, como Moisés, e o Luiz Fernando, já citado, evoluiu contigo? Houve uma conversa específica com eles?
O Moisés é um jogador extremamente potente. Ainda necessita de algumas formações técnicas e de capacidade de leitura de jogo na fase defensiva. Por ser muito jovem, ainda tem muito potencial a ser trabalhado. Já sobre o Luiz, desde que o Botafogo contratou eu via muito potencial nele. Houve um investimento do clube. O (Alberto) Valentim o aproveitou, já tinha um bom espaço. Eu achei que ele iria compor bem no que precisávamos. Está se soltando, com mais tempo no clube e tem ficado mais leve no dia a dia, entendendo que o treinador lhe dá confiança, cobrando e sinalizando no que melhorar. Ele é humilde e escuta bastante. Um acerto do Botafogo.

Os centroavantes receberam críticas pelo baixo número de gols. Eles te satisfizeram neste período?
O Aguirre é um jogador que ataca muito bem o espaço; o Kieza estava machucado. Depois, vi que precisava oportunizar o Brenner, que era um dos artilheiros do time na temporada. Num determinado momento, ficamos quatro, cinco rodadas sem um meia de ligação e o centroavante sofre sem esse jogador (meia). Ficamos muito tempo com jogadores de características mais defensivas. Mas posso dizer que os três jogadores (centroavantes) me deram retorno na parte tática. Ajudaram na recomposição e na bola parada defensiva, por exemplo. Há várias maneiras de o centroavante ajudar, mas sabemos que a pressão por gol é natural, mesmo com questões que atrapalham isso. Que bom que a ausência de gols não pesou.

Fonte: Terra