Acionista do Botafogo, John Textor explica ideia da Eagle Football: ‘É uma colaboração entre vários clubes para melhorar a estratégia de competição. É sobre ter sucesso juntos’

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Por FogãoNET

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John Textor, acionista de Botafogo, Lyon, Crystal Palace e RWD Molenbeek
Twitter/Lyon

Investidor do Botafogo, Crystal Palace, Lyon e RWD Molenbeek, John Textor explicou qual a ideia da Eagle Football. O empresário americano pontuou que não gosta do termo “estrutura multiclube” e detalhou como pensa um sistema de colaboração entre os clubes para que todos cresçam e tenham sucesso.

Em trecho de entrevista divulgado no perfil oficial do Lyon no Twitter (a íntegra irá ao ar no aplicativo da equipe francesa), o acionista da SAF alvinegra reafirmou que “nenhum clube irá alimentar o outro”.

Leia a resposta de John Textor abaixo:

“São muitas as dúvidas sobre onde está o Eagle Football e como o Lyon se encaixará no projeto. Não gosto do termo estrutura multiclube, embora nos definam assim porque temos vários clubes. Mas não estamos em uma abordagem de “sinergia” como outros investidores que procedem comprando muitos clubes e aumentando a receita compartilhando operações, patrocinadores…

Não estamos em um processo de fusão, não sou eu, não é a razão pela qual estou fazendo isso. Eu vejo isso mais como uma colaboração adicional para melhorar a estratégia de competição. Dinheiro é a palavra de ordem no futebol hoje em dia, quebrou algumas ligas profissionais, com a chegada de estados petrolíferos ou oligarcas que criaram clubes que dão resultados, em todo o mundo.

Prefiro uma colaboração entre vários clubes que tenham uma marca global na identificação de talentos. Os diretores esportivos podem desenvolver vínculos pessoais e conhecer os níveis dos jogadores em cada parte do mundo. O futebol está muito concentrado localmente para revelar seus talentos, seja qual for a região do mundo, na Europa ou na África. Existem muitas regiões no mundo que amam o futebol, que gostariam de entrar no futebol europeu e que não têm acesso ao sistema.

Gosto desta colaboração entre as comunidades, entre os clubes. Gosto quando os torcedores brasileiros veem os clubes Crystal Palace ou Lyon como “irmãos” nas redes sociais, mesmo que nem todos os torcedores sejam assim neste caso. Alguns estão interessados ​​apenas em sua equipe e isso é normal. Mas acho que é isso que nos diferencia das estratégias multiclubes: nenhum clube está ali para alimentar os outros, não existe clube pequeno ou grande.

Quando as pessoas me perguntam como o Lyon vai se integrar ao Eagle Football, eu respondo que não é uma integração, o Eagle não é uma caixa ou uma casa. Lyon continua sendo Lyon e sua comunidade quer que o clube seja campeão. No Rio, a torcida quer que o Botafogo seja campeão. Alguns torcedores me desafiam nas redes sociais a investir todo o meu tempo e dinheiro no clube deles. Eu posso entender, mas acredito nessas relações maravilhosas que estão sendo forjadas entre scouts, dirigentes de futebol, clubes. É sobre jogadores, é sobre ter sucesso juntos.

Meu diretor esportivo no Brasil me ligou recentemente para me dizer que há um problema com nosso lateral-esquerdo, e eu disse a ele “do que você está falando, nós temos o Marçal, ele veio do Lyon, ele é ótimo!” E ele me responde, “não, adoramos o Marçal, estou a falar do nosso lateral-esquerdo da Bélgica! Nós gostamos dele, mas acho que ele pode melhorar isso…”.

Gosto da ideia de que nossos staffs no Brasil estão preocupados com nossos jogadores na Bélgica e que estão preocupados com a melhor maneira de ajudar o Lyon ou o Crystal Palace. Nenhum clube existe para alimentar os outros, os benefícios das relações são recíprocos e claro que nem todos entendem isso. Alguns torcedores não se importam com o Brasil e só estão interessados ​​em seu time na França e devem seguir nessa direção. Mas existem métodos alternativos de competição que precisamos explorar, colaboração e capital podem se combinar para nosso sucesso.”

Veja o vídeo:

Fonte: Redação FogãoNET e Twitter do Lyon

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