O Botafogo estável e, aparentemente, bem administrado na SAF durou de 2022 a 2025. Foi quando acabou o modelo de caixa único da Eagle Football, e o clube alvinegro passou a conviver com mais dificuldades, como vendas de jogadores e transfer bans.
Ex-diretor de gestão esportiva do Botafogo, Alessandro Britou deu entrevista à ESPN e falou sobre esse processo de mudança.
– Até o Mundial, a gente ainda tinha reuniões com a Eagle, tínhamos participações com o Lyon, fazíamos muitas trocas. Pós-Mundial, tem essa quebra, e aí o John (Textor) tem várias ações para tentar resgatar o Lyon, para ajudar o clube, e a gente não teve esse retorno mais. O Botafogo teve que começar a caminhar com suas próprias pernas, sem o apoio e a ideia que o John tinha de fazer uma coisa só. Quando a gente vê que não tem mais esse apoio, internamente a gente se reúne e fala que precisávamos caminhar com as próprias pernas, e só tinha três caminhos: venda, patrocínio ou televisão – iniciou Alessandro Brito.
– A gente tinha muitos ativos, e a gente começa a entender que poderíamos fazer a venda de alguns ativos e trazer outros ativos para que pudéssemos potencializar e fazer o clube caminhar sozinho. Essa era a ideia que a gente teve desde o rompimento: vender, buscar outro ativo para o clube e fazer a equipe continuar performando. Só que as coisas começaram a acontecer de um jeito que ninguém esperava: briga de sociedade, de não poder colocar aporte, não poder ajudar o clube financeiramente. Então foi o momento de a gente querer blindar o clube e nós, os diretores e o CEO, resolvemos blindar o futebol e deixar o John resolver essa parte corporativa. E foi isso que a gente fez – contou.
A parte dos transfer bans ficou a cargo de John Textor solucionar.
– A ideia sempre foi tentar estancar esses buracos que foram deixados com a venda de atletas, não teria outra maneira. Só que como as dívidas foram ficando cada vez maiores, a gente resolveu estancar a parte estrutural do dia a dia, não deixar os atletas, estafe, colaboradores, categorias de base, futebol feminino com saldo negativo, e deixar o transfer ban para que o John pudesse resolver – explicou Brito.
– Ele tinha nos passado que ia resolver e ia sair disso. Ele consegue sair do primeiro, a gente registra jogadores, só que a gente não imaginava que ele não conseguiria estancar esses outros compromissos que foram assumidos. Claro, quem perde com isso é o clube. A partir do momento que vão surgindo transfer bans, brigas, John está, John não está, a gente resolve blindar o elenco, deixá-los tranquilos, e deixar o John cuidando da parte administrativa do clube – acrescentou.
Perda de jogadores importantes
O Botafogo perdeu para esta temporada jogadores considerados referências internas. A razão foi financeira.
– A situação específica de 2026, quando saíram Savarino, Marlon Freitas, Alexander Barboza, tivemos que fazer por questão de sobrevivência. A gente não gostaria de perder os atletas, essa é que é a verdade, somos muito gratos por tudo que os três fizeram no clube. Foram atletas que pegamos em pré-contrato e o clube conseguiu transformar as carreiras deles de uma maneira vitoriosa. A gratidão e amizade que eu criei com eles é fora das quatro linhas. Chega um momento em que a venda desses atletas ajuda o clube como um todo. Paga o salário dos atletas, dos colaboradores – destacou Alessandro Brito.
– A gente não tinha outra saída a não ser a venda e saída desses atletas. Não tinha o que fazer, ou a gente vendia ou atrasava salários. Foi questão de sobrevivência. A melhor proposta é a oficial. Não adianta querer vender o jogador por 20 milhões. Se vem uma proposta de cinco, é a única que a gente tem. A melhor proposta é a que está na mesa. Não podemos só se atrelar ao querer, é diferente do acontecer. O que chegou e o que a gente precisava fazer, a gente teve que fazer – concluiu.