Cria do Botafogo, Almir despontou bem e se destacou especialmente na campanha do acesso na Série B de 2003. O meia tem o carinho de torcedores até hoje, mas guarda mágoa de dirigentes por dois episódios: um pela saída em 2006 e outra por não ter conseguido retornar em 2015. Foi o que ele contou em entrevista ao canal “Resenha com TF”.
Hoje morador de João Pessoa e aposentado do futebol, Almir explicou principalmente como foi a ida para o Flamengo em 2015, após passagem pelo Bangu. O ex-meia lamenta como foram construídas as narrativas sobre o episódio.
– É até uma mágoa que eu trago. É uma oportunidade de poder explicar. Em 2015, eu estava muito bem no Bangu, eu fui ali aquele ano, eu tinha acabado de perder meu pai, então eu já queria me aposentar naquele período, mas o presidente do Bangu insistiu para que eu fosse disputar aquele Campeonato Carioca. Eu fui e fui muito bem, joguei o campeonato todo, só que eu não tinha expectativa nenhuma, pela idade, 32 anos, de voltar para um grande clube. Então, no meio do campeonato ali, quando o Antônio Lopes, que era diretor (de futebol do Botafogo) na época, me procurou, aquilo ali para mim foi sensacional. Eu falei “meu Deus do céu, minha casa, Botafogo, eu vou voltar para um time grande”. Naquele momento eu falei que eu tinha muito interesse de voltar para o clube. Beleza. Acabou a conversa ali, eu falei “maravilha, pô, eu vou voltar para o Botafogo, vou voltar para clube grande” – contou Almir.
– Só que o campeonato foi desenrolando ali, foi caminhando para o final, e eu não recebi mais nenhum contato. Nem eu, nem meu empresário, e eu naquela ansiedade, eu falei, “caramba, será que desistiram?” Eu não entendi muito bem, porque normalmente quando você tem interesse, você negocia, fala de valores, tempo de contrato, e isso não aconteceu. Então o campeonato foi caminhando e eu continuei muito bem. Foi quando o Flamengo surgiu, e já veio com a proposta. Entendeu? Se pelo menos o Botafogo tivesse me dado uma segurança ou assinado um pré-contrato, eu não teria fechado com ninguém. Até porque o meu desejo era retornar para o Botafogo naquele momento. Mas não me deram nada, não falaram mais nada, aí o Flamengo já veio com um contrato pronto. Então eu, com 32 anos, né, eu não tinha como, entende? Era a última oportunidade da carreira. E eu falei, “caramba, não teve nenhuma procura, nada do Botafogo”, e aí eu acabei fechando com o Flamengo – explicou Almir.
No mesmo ano, ainda houve outra oportunidade frustrada de ir para o Botafogo.
– Pouca gente sabe disso, quando, já no Campeonato Brasileiro pelo Flamengo, o Antônio Lopes me procurou de novo, dizendo que o Botafogo tinha interesse ainda. Aí eu falei para ele, “eu tenho interesse. Agora, eu posso conversar com o diretor no Flamengo (Rodrigo Caetano) peço para rescindir meu contrato e fecho com vocês”. Aí eu fiz isso. Chamei o Rodrigo Caetano, falei do interesse do Botafogo, estava quase tudo certo, só que no meio disso tudo o Botafogo desistiu. Depois que eu já tinha pedido para rescindir com o Flamengo para ir para o Botafogo, o Botafogo desistiu. Eu fiquei chateado. Eu não entendi muito bem, eu acredito que possa ter sido a rejeição da torcida, ficou chateada achando que eu decidi ir para o Flamengo e não para o Botafogo, mas nunca existiu isso – disse Almir.
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Se as propostas fossem iguais, iria para o Botafogo?
– Sem dúvida nenhuma, mas sem pensar. Comecei no clube, a forma que eu saí me machuca, magoa. Eu tenho essa mágoa, eu não saí do jeito que eu queria do Botafogo em 2006, então eu queria muito retornar. Eu queria muito aquele ano ter voltado com o Botafogo para a primeira divisão pela segunda vez, isso para mim, para a minha carreira, seria muito importante. E o carinho da torcida, cara, todo o canto que eu vou, até hoje, Rio de Janeiro, as pessoas lembram dos gols. Então, assim, eu tinha toda essa história, eu não teria como escolher Flamengo nunca, entendeu? Então, essa situação me deixou um pouco triste do torcedor não saber da verdade, né, e achar que ali eu fui mercenário, ou que não dei importância para o Botafogo em nenhum momento. E teve essa situação que eu contei, que depois disso tudo, no meio do campeonato, eu fui procurado, pedi para sair do Flamengo e não existiu ali no meio da negociação. De certa forma, isso acabou me atrapalhando até no próprio Flamengo, que ali eu já acabei perdendo espaço. Imagina, você pede para rescindir um contrato para ir para outro clube, daqui a pouco o negócio não sai. Sempre quando eu tenho oportunidade, eu conto os detalhes dessa história toda aí, porque é importante o torcedor saber o que de fato aconteceu. Infelizmente, eu queria muito, né, naquela época ali, que tivesse dado tudo certo para o meu retorno.
Saída em 2006
– Em nenhum momento fiquei chateado com a torcida, não. A minha chateação foi mais com a diretoria mesmo. Porque eu lembro que eu fui emprestado para a Ponte Preta em 2006 e, sabe, eu não tive contato nenhum depois com ninguém. Eu tinha mais um ano de contrato com o Botafogo, e eu saí e não tive mais contato. Ninguém me procurou pra falar “Almir, a gente não vai renovar, obrigado por tudo”, um abraço, nada. Não teve nada disso. Então, eu não saí da forma que eu queria. Não era isso que eu queria. Entendeu? Então eu guardei essa mágoa. Guardo essa mágoa. O desejo de retornar para mudar tudo isso era muito grande. Mas, de verdade, depois que eu saí, nunca passou pela minha cabeça que isso poderia acontecer, de retornar para o Botafogo. Então, a vontade era muito grande de ter ido, né? Eu não entendi o porquê que teve a primeira procura, mostraram interesse e depois sumiram. Eu não entendi, de verdade. E eu não entendi o porquê teve essa procura ali no início, quando eu tava no Bangu, e sumiram. Se o Botafogo tivesse dado essa segurança ali, eu não teria fechado com ninguém. E o assédio ali foi muito grande, eu recebi muitas propostas. Mas, enfim, aconteceu, né? Já passou e estou tendo a oportunidade mais uma vez aqui de explicar o que aconteceu, para que os torcedores mudem essa imagem, saibam da verdade. Em nenhum momento eu fui ingrato, mercenário, longe disso. É sempre bom participar, contar história, falar um pouco do início de carreira, de tudo que eu passei no Botafogo, onde eu tenho uma história, um clube que eu tenho um carinho muito grande.