Carlos Roberto recorda histórias no Botafogo e conta por que geração de ouro não ganhou Libertadores: ‘Não tinha importância nenhuma’

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Por FogãoNET

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Carlos Roberto, ídolo do Botafogo
Reprodução/Samba que é Gol

Campeão pelo Botafogo como jogador e técnico, Carlos Roberto é ídolo e personagem marcante da história do clube. Convidado do programa “Samba que é Gol”, com o cantor botafoguense Leo Russo, ele respondeu porque o Alvinegro não conquistou a Libertadores na década de 60, mesmo com duas gerações fantásticas.

Na verdade, não tinha a importância maior, que era dos Campeonatos Estaduais. Quando ia jogar contra outros times, tinha uma rivalidade, mas não tão intensa como com times cariocas. A Libertadores não tinha importância nenhuma, teve anos que o Botafogo nem foi, ninguém queria disputar. Para ser campeão do mundo, era campeão da América do Sul contra o da Europa, mas os europeus não queriam vir aqui. Esvaziou isso. Depois teve crescimento grandes dos campeonatos sul-americanos e do Mundial, tudo por força do poder financeiro. Perdemos muito nisso, de ter uma história maior. Pelos times que teve, o Botafogo até ganhou poucos títulos – afirmou Carlos Roberto.

O ex-jogador lembrou, porém, que o Botafogo conquistou um tricampeonato mundial no Torneio de Caracas e sempre se destacou em excursões internacionais.

– São Mundiais sim, quando chegávamos nesses países era estampado nos jornais como Copa do Mundo. O Botafogo ganhou muitos torneios internacionais e jogos internacionais difíceis. O Botafogo era visto como um verdadeiro selecionado brasileiro, queriam medir força, porque era um parâmetro – explicou.

Leia outras declarações:

Início no futebol

– Comecei jogando futebol de salão, sempre acompanhei muito o futebol, mais o Botafogo. Venho de família com todos vascaínos, eu era o único botafoguense. Sempre me inspirei na estrela, no preto e branco e nos ídolos, que o Botafogo sempre teve. Me lembro que meu pai me levava muito na praia da Urca, falava para ver o treino do Botafogo, era aberto em General Severiano, tinham 1.500 pessoas vendo treino com Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo, Zagallo, tudo de graça. Hoje não se consegue ver, é tudo fechado, treino secreto. E eram craques de Seleção Brasileira.

– Fui para a escolinha do Botafogo com 13 anos, minhas referências eram os jogadores da época, center-half, médio-apoiador, volante, hoje é cabeça-de-área, cão de guarda… Minhas referências foram Airton e Pampolini. Falaram quer jogar no Botafogo por muito tempo? É só jogar simples e fácil. O Botafogo sempre teve grandes jogadores, é só manter. Futebol é simples, é fácil para ser jogado, claro, por quem sabe.

– O Botafogo teve a geração de Garrincha, Nilton Santos, Didi, Amarildo, Zagallo, Quarentinha, depois veio a do Manga, Leônidas e o Gerson. Os demais todos eram feitos no Botafogo. Por isso é importante fazer o jogador em casa, adquire amor, não sei se ainda prevalece isso. Antigamente, nosso treinador Neca incutia isso na nossa cabeça, ter amor pelo clube em que se está crescendo.

Rivalidades pelo Brasil

– A rivalidade era grande aqui no Rio porque todos os times eram bons, com jogadores bons. Tinha os clássicos no mesmo dia juvenil, aspirantes e profissional. Quem ganhava todos fazia barba, cabelo e bigode. Os times considerados pequenos também eram muito bons, por isso os jogos davam as rendas que davam. Era futebol bom e que atraía. Em relação ao Santos, eles ganharam mais na primeira geração, nós (na segunda geração) já ganhamos muito mais deles. Foram os dois times que mais contribuíram para a Seleção Brasileira.

6 a 0 sobre o Flamengo

– O Botafogo viajava muito e já entrava em campo, na maioria das vezes, cansado pelos compromissos. Jogávamos no exterior com a camisa oficial, no dia seguinte tinha um jogo-treino com a camisa azul, para burlar a lei de 48 horas de descanso. Chegamos no 6 a 0 no final de uma temporada. Normalmente o time tocava muito a bola, aí começou o olé no México com o Botafogo, com a geração do Garrincha. Toda vez que jogávamos no México o pessoal pedia. Contra o Flamengo, apesar do que irritava eles de dar olé, pediam para tocar a bola. Mas queríamos fazer mais gols, tanto que fizemos mais dois gols quase no finzinho.

Garrincha ou Pelé?

– Foram os dois melhores. Vou ficar com Garrincha, porque apesar de Pelé ter todo o potencial, jogador mais completo que vi, nunca vi ninguém marcar o Garrincha. Já vi o Pelé não brilhar, mas nunca vi ninguém marcar o Garrincha, jogando pelo Botafogo e pela Seleção Brasileira. Gostaria de ter jogado com Garrincha. Só vi, até de perto, mas nunca treinei junto.

Título carioca de 2006

– Nós tínhamos um bom time, com jogadores pontuais em determinadas posições que foram de fundamental importância. Ia fazer nove anos sem ganhar um título, que ainda tinha algum valor, hoje nem valorizam Campeonato Carioca ou Taça Guanabara. Eu vinha do exterior, estava recém-chegado, não sabia muito como estava o nível. A coisa estava preta, salários atrasados, a organização não era das melhores, refletia dentro do campo. Foi acertado logo no fim de 2005 minha ida para o Botafogo, conversando com o Bebeto (de Freitas), que foi um ótimo presidente, adiantamos exames e logo que o grupo se apresentou fomos para Itu, fizemos uma preparação de quase três semanas que foi muito proveitosa, uniu bem o time. Entramos no campeonato, ganhamos a Taça Guanabara e o Carioca. Mas não tínhamos um time para o Brasileiro, saí em poucas rodadas. Veio o Cuca, trouxeram mais uns sete jogadores, deu liga.

Botafogo x arbitragem

– O Botafogo sempre foi o time mais prejudicado por arbitragem. Não sei o motivo. É impressionante. Flamengo e Corinthians são os mais beneficiados. O Botafogo nunca foi forte na Federação, nunca teve um representante forte na Federação e na CBF. Sempre ouvi que era um time muito forte em campo, mas fora não. Basta dizer que perdemos um campeonato em 71 em que empurraram o goleiro. Os caras se reforçavam fora de campo, quando tinha uma dúvida o Botafogo era prejudicado. Tanto que até hoje é assim, contra o Inter o Botafogo teve que ganhar do Inter, do árbitro e do VAR.

SAF

– Do jeito que ficou o futebol brasileiro, não tinha outra maneira de fazer futebol profissional, mais sério, em que acabasse com feudos dentro de clubes, de dono. Tem que ser uma coisa estritamente profissional, o caminho é esse, com as SAFs que vão alavancar o futebol profissional. Houve globalização, mas não acompanhamos, em relação a investimento e marketing.

Veja o vídeo:

Fonte: Redação FogãoNET e canal Samba que é Gol

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