Chay revela real motivo de saída para o Cruzeiro e nega rusgas com Luís Castro: ‘Minha ideia é voltar. Botafogo é minha casa’

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Por FogãoNET

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Chay, do Botafogo
Reprodução/Resenha com TF

Eu vi o Chay. De destaque do Botafogo em 2021 na campanha do título da Série B a um 2022 irregular, o meia foi emprestado ao Cruzeiro, onde conquistou novamente a Segunda Divisão, mesmo sem atuar em tantos jogos devido a uma lesão. No início de dezembro, ele volta a ser jogador alvinegro. E é no Glorioso que ele quer ficar.

Em entrevista ao canal “Resenha com TF”, Chay contou histórias do tempo de Botafogo, revelou o real motivo da saída por empréstimo e negou ter qualquer problema com Luís Castro.

Tenho contrato até o final de 2024. A minha ideia é voltar para o Botafogo, aí ver a ideia que o Luís Castro tem para a frente, se vai contar comigo ou não. Assim que cheguei, fui lá no Lonier ver minha rapaziada, grandes amigos, tive contato com ele. Falou “bem-vindo de volta”, me parabenizou pelo título, conversamos um pouco sobre a lesão. Diferente do que todo mundo acha (risos), nosso relacionamento era muito bom. Ele é uma pessoa muito focada no trabalho, mas sempre tivemos bom relacionamento. Eu sair não teve nada a ver com Luís Castro ou não. Achei que precisava de respirar novos ares. Criou-se uma pressão em cima do Chay que eu não estava entendendo. Foi uma semana que ocorreram vários problemas que eu não conseguia explicar. Parecia que tudo que ocorria era culpa do Chay, isso porque tinham mais 30 jogadores no elenco. Achei que tinha que sair, respirar novos ares, passar um pouco a pressão, a ideia da torcida que eu era o problema. Sou um ser humano, como outro qualquer – disse.

– Teve um fato de eu estar em um aniversário, não estava enchendo os córneos, mas para minha infelicidade um babaca me pediu foto, eu atendi, do nada ele quis fazer um vídeo para aparecer para um grupo de torcedores, passou uma impressão… Aquilo era 7h, 8h da noite, 10h30 eu estava em casa. Nunca me atrasei, nunca faltei um dia de trabalho. Começou a haver uma ideia de um cara que não sou. Tenho meus momentos de lazer, quando estou na minha folga, mas começaram a passar impressão que Chay não está rendendo por isso ou aquilo. Sou ciente que as coisas não estavam acontecendo, mas são N fatores, um novo grupo, novo método de trabalho, um novo treinador, acho que como estavam tendo paciência com várias atletas podiam ter comigo, para eu poder me enquadrar no novo modelo de jogo – explicou.

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Pressão da torcida

– Não faço ideia (de como começou). Não sabia em qual momento tinha feito algo errado para o torcedor achar que tudo era culpa minha. Esse fator (de não comemorar) foi no meu gol, que era o da virada. Não deu nem tempo de comemorar, fiz o gol, entrei em posição que nunca tinha jogado, aquele ar de soberbinha, pensando sou foda (risos), de repente pinta o apito, gol anulado. Tem muito torcedor de Twitter, quer saber o que está passando na minha cabeça. Eu estava indo em direção ao banco. Tanto que depois que ele anula o gol eu saio reclamando. Se estivesse cagando ou de rebeldia, porque ia reclamar com o juiz depois do gol?

Derrota para o Avaí

– Ali não pensei em nada. Fui para casa com o sentimento de “esse ano está foda”. Estava muito bem na partida, primeira vez que joguei de 10, teve o Coritiba fora e esse contra o Avaí. A torcida foi no Lonier, conversei, expliquei a situação. Acabou o jogo, lembro de uma bola na trave. Depois daquele momento pensei entrei no jogo, foi fluindo, aí do nada o Kevin acerta uma falta no trinco. Ali desmoronou. Quando as coisas acontecem um pouquinho do jeito que a torcida não quer, já começa a vaia, pressão, o fator casa não funciona mais, parece que está contra. Ali já foi um momento que não conseguimos entrar no jogo. Depois Luís faz substituições, passo para o lado, Vinícius vai para a lateral direita. Fui para casa me sentindo um merda. Sabendo que a pressão toda ia se voltar contra mim.

Apoio interno

– Meus companheiros estavam comigo, sabem do meu dia a dia, Luís Castro também. Não conversamos sobre, com o (André) Mazzuco sim, falou que era um momento ruim de fazer, mas entendia que era momento de folga. Ele tem o lado humano. Pode ter sido de um modo que enxergaram que era um momento errado, mas sou um ser humano, tenho que sair um pouco do futebol para poder viver. Cada um faz o que quer, desde que vá lá, se dedique, mostre que o trabalho é primordial na vida. É o que costumo passar para todo mundo. Tive o apoio dos meus companheiros.

Protesto da torcida

– Kanu, Almeida e Diego Loureiro me ligaram, falaram para eu não descer do carro, falei que eu ia descer. Eles são homens, eu também. Ninguém vai me agredir, eles querem conversar. Se agredirem, não tenho o que fazer, são 70 cabeças, ia ter que correr. Cheguei, baixei o vidro, pedi para não quebrarem, falei que ia descer para conversar. Já bateu um momento de felicidade neles, todo mundo estava passando direto. Começaram xingamento dos de fundo, os da frente queriam falar. Todo mundo falou sobre tudo. Eu falei quando citaram comprometimento, ali pesou para mim. Difícil falar para mim, passei o ano passado todo cheio de líquido, treinando e jogando com dor, em momento difícil para o Botafogo. Chegou a SAF, tudo passou? Acabou o comprometimento? Não mudou em nada. Continuava trabalhando, fazendo as mesmas coisas. “Vocês cobrarem comprometimento de mim está errado”. Podem cobrar “está mal, não joga nada, você não presta, é ruim”. É direito do torcedor. Não concordo, mas é direito. Falei “faz o seguinte, vem comigo ao treino todos os dias, pode perguntar do faxineiro ao John Textor“. Nunca faltei no meu trabalho, nunca me atrasei, nunca fiz corpo mole. Estava lá para ajudar o Botafogo. É difícil falar o Chay não é comprometido, falar da minha personalidade e meu caráter é mais pesado. Começaram a me entender, vieram perguntar se grupo estava rachado, se não gostávamos do Luís Castro. Simplesmente os resultados não estavam acontecendo. Hoje você vê o Botafogo, jogando futebol vistoso, porque se encaixou. Hoje disputa vaga na pré-Libertadores. O torcedor tem que ser paciente e entender o lado humano.

Vaias no estádio

– O que ocorreu com o Jonathan (Silva) uma vez, na estreia do Campeonato Brasileiro, contra o Corinthians, como vai jogar? Pegava na bola e “uuuh”, eram 40 mil vaiando. E o lado humano dele? Pode não gostar do jogador, mas se colocar ele para baixo só vai afundando. Acabou afetando todo mundo, porque era um garoto querido por todos nós. Se você é um jogador que arrisca, para de arriscar. Vira um jogador burocrático. Você não quer errar, vai tocar para o lado. E o Botafogo precisando de um gol. O jogador para de tentar e arriscar, mas no futebol você precisa correr um certo risco. Acabou o jogo, quer vaiar, vaia. Durante o jogo, você está indo contra o seu time e ajudando o adversário. É difícil mudar o pensamento do torcedor, é passional.

Desconfiança

– Passei muito isso na minha vida, de verdade. Quando voltei para o campo, falaram que era jogador de Fut7, não prestava. quando saí de time pequeno para grande, falaram que era jogador de time pequeno, não servia. Provei o contrário. Tenho ciência que meu momento não era bom no início do ano, na Série A, tive bons jogos, mas não tive sequência. Jogava um jogo, entrava em ou outro, depois um quarto de jogo. Tenho uma visão clara de futebol. Somos comandados, o técnico tem uma ideia, talvez eu não estava fazendo o que ele queria e ele escolhia outros. Sou bem tranquilo quanto a isso. Quando eu ia bem, contra o Coritiba eu estava bem e fui substituído. Não entendi, mas ele é o comandante, sabe o que quer para a equipe. Saí e torci pela equipe. Me faltou um pouco de sequência. Falta de entendimento sobre o jogo dele? Em alguns momentos sim. Mas lá dentro quem resolve é o atleta, nós que temos que achar os espaços. Não dá para jogar a responsabilidade no treinador, ele dá o comando e você temque achar o melhor espaço. Futebol precisa o jogador ter sequência, não adianta jogar uma, ter lampejos e ficar fora três.

Trabalho de Luís Castro

– Tinha certeza que ia encaixar, todos entendendo o que ele queria, o dia a dia dele é muito bom. Em algum momento ia ocorrer. Está acontecendo. O Botafogo está bem, fui ao Nilton Santos ver, um time mais homogêneo, mais compacto, se defende bem.

Chay cabe no time?

– Tenho certeza que consigo ajudar. Diferentemente do que muitos dizem. Não me acho o craque, mas sei fazer, sei ajudar. Acho que consigo ajudar o Botafogo ainda. Sempre levei como minha casa, tenho contrato e quero ficar. É a minha casa. A recepção que tive quando voltei, todo mundo falando que não era para ter saído. A ideia é ficar, mas não depende só de mim.

Lesão atrapalhou início do ano

– Demorei a pegar o ritmo, a ideia de jogar 90 minutos. A primeira vez foi contra o Flamengo, terminei o jogo até bem, estava bem no jogo. Fui me sentir bem bem, sou eu novamente, contra o Fluminense na segunda semifinal no Maracanã. Bem fisicamente, de conseguir arrastar e deixar o pessoal para trás. Estava conseguindo achar espaço no meio. Fizemos um bom jogo, levamos azar do gol no fim.

Recuperar espaço

– O que eu fiz faria de novo. Meu relacionamento com o torcedor é muito bom, é tipo homem e mulher, um dia está bem, o outro está mal. Mas estamos juntos. Quero paz, futebol e títulos. Estou fazendo tratamento para parar essa dor. Espero que seja um ano de afirmação, parar com isso de Chay não presta, Chay é jogador de Série B. Chay é jogador de futebol, sei da minha qualidade e o quanto posso ajudar. Se vou jogar, se vou entrar durante o jogo, quero é ajudar e que passem esses burburinhos de que não sou bom ou não presto. Jogar para mim é sempre bom. Não vejo o Campeonato Carioca tão ruim, foi lá que consegui espaço em um clube grande.

Relação com John Textor

– Ele tem um carinho por mim que acho bacana. Sempre demonstrou que acredita em mim, que gosta do meu futebol. Ele é o dono, eu sou um funcionário. Estou aqui para trabalhar.

Ida para o Cruzeiro

– É um projeto gigante. Quando chegou a oportunidade, aceitei de cara, pelos fatores Ronaldo e a camisa do Cruzeiro, que é gigante. Passou por momentos difíceis por falta de organização. Cheguei e tive a melhor impressão possível. O clube está se reorganizando, a estrutura é fera, muito bacana. Fiquei megafeliz. Vim fazer parte de mais um projeto gigante e saí consagrado campeão mais uma vez podendo marcar o nome no mural do Cruzeiro.

Reviravolta na carreira

– Em 2019, quando voltei a jogar no futebol de campo, saio do Acre, volto para o Rio, jogo no América, depois na Portuguesa. Nesse período de um ano e meio, já era surpreendente pela minha idade, já era difícil, clube pequeno quer jogador mais jovem para despontar e fazer caixa. Trabalhei com um cara fenomenal, Rogério Correia, mudou minha ideia sobre futebol. Comecei a evoluir. Veio a oportunidade de ir para um gigante, que é o Botafogo, quando eu menos esperava, já com 30 anos. Pensei cara, não tenho responsabilidade alguma. Cheguei aqui, acho que posso ajudar, via o Botafogo precisando de jogadores com a minha característica, vou dar meu melhor. Foi indo naturalmente, consegui ir bem, me destacar onde me sentia bem, inicialmente com Chamusca, que me dava muita liberdade.

Assistência na estreia

– Moral não me deu não. Me deu alívio. Falo dos primeiros momentos dessa estreia, o Vila Nova fica com um a menos, (Marcelo) Chamusca me chama, entro no intervalo. O campo era péssimo, horrível. Tento arrastar uma bola, escapa, contra-ataque, quase gol dos caras. Quando eu acompanhava o Twitter, estava “vai trazer o Chay, quem é Chay da Portuguesa”, pensei “nessa hora está todo me xingando”. A pressão era grande, primeiro momento vestindo a camisa de um gigante, tendo que subir. Pensei “deu merda, já errei, estão falando que sou horrível”. Tenho que entrar no jogo, não dá para carregar bola, fui me acostumando, consegui umas boas arrastadas, ali falei eu e Navarro vamos nos encaixar, conversamos bastante sobre movimentação. Acho o passe, sai o gol. Veio o alívio. Aquele erro passou.

Marcelo Chamusca

– De todos que estavam naquele elenco não vai ter um para falar mal do Chamusca. É um cara sensacional. Quando cheguei, falou “não tem responsabilidade, não tem pressão, não estou te trazendo para mudar a história, vejo qualidade em você, vai ajudar a gente fazendo o que sabe de melhor”. Nos primeiros treinos me colocou pelos lados, perguntou se eu tinha dificuldade de jogar na direita, eu disse que não, mas preferia o lado esquerdo. Ele já usava o Marco Antônio. Falei tudo bem, durou um ou dois treinos, logo em seguida já me aproximou do Navarro, passei a jogar de meia. Nos dois primeiros jogos começo pela esquerda, depois virei 10.

Duelo duro com o Goiás

– Aquele foi o jogo que mais apanhei na minha vida. Tive bastante dificuldade porque era um árbitro que não gosta de resenha, ele tem que comandar. Ele é bem difícil. Eu conversava com ele bastante. Eu costumo falar não reclamo quando levo a pancada, jogo com a bola, acontece. Reclamo quando ele não protege o atleta, leva três porradas, o adversário não quer jogo. Falei para ele que não tinha jogo, a ideia dos caras era bater.

Lesão no Cruzeiro

– Foi apenas uma. Pegou porque era bem complicada. Uma inflamação no tendão, difícil desinflamar. Comecei a sentir essa dor após o jogo com a Chapecoense em Brasília. Contra o Grêmio, logo no início do jogo dou um drible, o adversário acerta meu tornozelo, dá uma girada de novo. Era uma dor chata. Ali piorou tudo. Levo o terceiro amarelo, fico suspenso, o técnico me poupa no outro jogo, depois fui eu e a lesão. Quando conseguimos o acesso, conversei com ele que precisava tratar. Estou no processo final de tratamento. Não sinto dor.

Fonte: Redação FogãoNET e Resenha com TF

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