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Dívida total de clubes brasileiros cresce 65,8% em cinco anos; Botafogo é quarto em ranking

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Por FogãoNET

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Bandeira do Botafogo no Estádio Nilton Santos (Engenhão) - Botafogo x Castelo - Campeonato Brasileiro Sub-20
Fabio de Paula/BFR

Abalado em todos os setores da sociedade pela pandemia do novo coronavírus, o ano de 2020 foi especialmente ruim para os clubes brasileiros na parte financeira. Um estudo do escritório de advocacia Marcello Macêdo sobre os balanços financeiros das equipes, divulgados até o mês passado, revelou um aumento de 18,4% no endividamento total dos 20 clubes que disputaram a Série A do Brasileirão na temporada passada.

A situação agrega a um cenário ainda mais dramático, de aumento de 65,8% entre 2015 e 2020. Com perda de cerca de 20% das receitas totais, os clubes passaram de uma dívida total de 8,7 bilhões em 2019 para 10,3 bilhões no ano seguinte, o maior patamar da história.

Segundo o estudo, as agremiações seguem muito dependentes de direitos de transmissão, e boa parte das dívidas é de natureza tributária. Dívidas herdadas, frutos de decisões de gestões anteriores, pesam nos balanços atuais das equipes.

— Na grande maioria dos clubes, o passivo trabalhista não representa um grande percentual. Se você parar de pagar (as dívidas num geral), o único que você “pode” dever é o Estado. É uma divida herdada — diz Uri Wainberg, um dos autores do estudo.

Os autores explicam que as dívidas com o Estado são mais difíceis de serem negociadas, uma vez que dependem de decisões de caráter governamental. Eles citam o Profut como um dos exemplos de iniciativa de renegociação.

— Hoje, você tem o Profut, é diretamente com o Estado. Volta e meia há renegociações. Não é tão simples como negociar (uma dívida trabalhista) com um jogador. Com o Estado, você depende sempre de um decisão unilateral, parcelamento, Refis — diz Guilherme Macêdo.

Os especialistas veem um cenário de insustentabilidade em relação a renegociações, mas acreditam no potencial de geração de receitas dos clubes brasileiros como motor contra possíveis pedidos de recuperação judicial, medida mais extrema. Ressaltam, também, a importância de uma gestão baseada em governança e responsabilidade, que resumem como um “autoconhecimento interno”.

— É um passo inevitável. Fundamental para que os clubes tenham mais credibilidade e consigam gerar essas receitas — encerra Guilherme.

Confira o cenário do crescimento das dívidas, clube por clube (em milhões), no estudo “Panorama Econômico dos clubes”:

Dívida líquida em 2020 / Dívida Líquida em 2019 (Variação)

1. Atlético-MG – R$1.209 / R$ 746,6 (62%)
2. Cruzeiro – R$ 962,5 / R$ 799,1 (20%)
3. Corinthians – R$ 949,2 / R$ 783,7 (21%)
4. Botafogo – R$ 946,2 / R$ 826,4 (15%)
5. Internacional – R$ 882,9 / R$ 794,3 (11%)
6. Vasco – R$ 830,6 / R$ 741,3 (12%)
7. Flamengo – R$ 680,8 / R$ 509,5 (34%)
8. Fluminense – R$ 649,1 / R$ 642,5 (1%)
9. São Paulo – R$ 575 / R$ 503,2 (14%)
10. Palmeiras – R$ 565,2 / R$ 501,2 (13%)
11. Santos – R$ 539,8 / R$ 440,2 (23%)
12. Grêmio – R$ 396,1 / R$ 410,4 (3%)
13. Coritiba – R$ 299,7 / R$ 307,9 (3%)
14. Bahia – R$ 268 / R$ 224,2 (19%)
15. Athletico-PR – R$ 200,3 / R$ 278,5 (28%)
16. Red Bull Bragantino – R$ 144 / R$ 125,4 (15%)
17. Goiás – R$ 63 / R$ 48,6 (30%)
18. Fortaleza – R$ 38 / R$ 25,1 (51%)
19. Atlético-GO – R$ 33,3 / R$ 28,4 (17%)
20. Ceará – R$ 26,5 / R$ 14,3 (86%)

Fonte: Balanço dos clubes/Marcello Macêdo Advogados

Fonte: O Globo Online

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