Na longa entrevista que concedeu ao “Canal do Anderson Motta” neste sábado (9/5), John Textor também separou alguns minutos para rebater Carlos Augusto Montenegro, que tem feito críticas à atuação do empresário norte-americano à frente da SAF do Botafogo. Textor deu a entender que o ex-dirigente passou a agir contra por inveja e falou que Montenegro está em contato direto com a Ares Management e Michele Kang, que estariam devendo dinheiro ao clube.
– Lembramos que logo após a Libertadores, depois de engraxar as chuteiras do ex-presidente, muito cedo, começamos a ouvir vazamentos de gravações de áudio no WhatsApp, onde ele se mostrava muito negativo contra mim. E o primeiro sinal de contestações em 2025, já ouvíamos: “Ah, o Textor não tem dinheiro suficiente. Aprecio tudo o que ele fez, mas talvez seja hora de seguir em frente.” Essa campanha do ex-presidente já dura 18 meses. Não começou apenas com os problemas recentes com Ares. E muitos amigos dele e pessoas próximas me disseram que fizemos algo para ofender sua honra ou seu legado.
– Durante muitos anos, ele foi o único grande presidente do Botafogo que desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro como campeão. E como grupo, depois de ganharmos o Campeonato Brasileiro, a Libertadores, e termos ido tão bem no Super Mundial de Clubes, só posso dizer que acho que isso pode ter ofendido seu legado. Então, tentei ao máximo incluí-lo, lustrando os sapatos, abraçando-o, dando-lhe carinho. Convidei-o para a cerimônia da Bola de Ouro para se sentar comigo e celebrar essa grande conquista, de ser reconhecido entre os cinco melhores clubes do mundo. Ele estava em Paris naquele dia, mas não compareceu – disse Textor.
O ex-controlador da SAF do Botafogo, que segue tentando comandar o futebol do clube, disse que a influência de Montenegro tem atrapalhado na relação com o associativo.
– Essa é apenas a relação com um homem. Não é a relação com o clube social. Mas acho que Carlos deveria ser honesto com todos. Ele tem trabalhado contra a minha liderança desde os primeiros meses após a nossa conquista dos títulos. Gostaria de dizer que, como todos sabem, meu clube favorito é o Botafogo. Carlos fez declarações recentes dizendo que eu escolhi o Lyon em vez do Botafogo, ou que escolhi o dinheiro em vez do Botafogo. Ninguém acredita nisso, ninguém, além de Carlos Montenegro. Estou em conflito com meus sócios da Eagle porque o sistema de multiclubes que nos ajudou a ganhar um campeonato se tornou um dos nossos maiores problemas. Não foi o multiclube que causou esse problema. Foi a ruptura do multiclube que criou esse problema. E eu não previa que isso pudesse acontecer. Então, esse foi realmente o meu erro.
– Agora tive que confiar no clube social em algumas ocasiões, porque estou brigando muito com meus sócios na Eagle. Em julho de 2025, não tive escolha a não ser assinar documentos que davam mais poder ao clube social. Porque eu acreditava que o clube social me protegeria, protegeria a SAF Botafogo e protegeria tudo o que havíamos construído. E isso funcionou por um ou dois meses. JP [Magalhães Lins, presidente] tem se esforçado para me apoiar. Mas ele tem sofrido muita pressão do Montenegro e de certas pessoas do clube social, a ponto de eu não ter conseguido que o clube me confiasse apoio do clube. E o clube social tem trabalhado com Ares, com a Michele Kang. As mesmas pessoas que causaram o problema. Montenegro entrou em contato com eles, indiretamente ou por meio de seus associados. E tem sido muito difícil confiar no clube social. Mas eu não tinha escolha. Porque eu estava lutando contra o Eagle – completou.
– O que me deixa feliz agora é que minha remoção já era esperada. Estivemos trabalhando com os advogados para tirar o poder da Eagle Bidco, porque a Eagle Bidco estava tentando prejudicar Botafogo. E eu só tenho proteção mesmo por parte da Eagle Bidco. E se eu brigasse com eles, isso ia levar a uma situação em que eu seria removido. Mas votei com convicção para colocar o Durcesio no meu lugar, porque eu confio nele. O clube social confia nele. Os torcedores confiam nele. E ele tem uma tarefa muito difícil. Ele precisa se colocar entre todos nós e decidir o que é melhor para o Botafogo. E eu confio que ele tomará ótimas decisões – finalizou.
Por fim, John Textor fez mais críticas a Montenegro e ao modo de gestão que funcionava antes da SAF.
– Ouço as pessoas que me criticam, como Montenegro. Ele está me dando lições de finanças. Não sei se é verdade, mas ouvi dizer que ele não pagou os jogadores por seis meses seguidos no mesmo ano em que ganhou o título [1995]. E no ano seguinte dispensou metade do elenco. E agora ele quer me dar lição de moral, sendo que fui eu quem ganhou o Brasil, ganhou a América do Sul, venceu o melhor time do mundo e desfilei no tapete vermelho representando todos os torcedores. Eu estava representando todos os torcedores no tapete vermelho entre os cinco melhores clubes do mundo. Então, para aqueles que querem me expulsar, o que vocês vão ganhar depois? Mais 30 anos de frustração? Vocês sabem o que vão ganhar comigo. Vocês vão ganhar um gringo maluco, disruptivo, que virou carioca e que proporcionou a você, me proporcionou o melhor dia da minha vida. Então, para quem quer que eu saia, não sei o que vocês acham que vai acontecer, mas, sabe… Boa sorte com isso – encerrou.