Ídolo do Botafogo, Jairzinho deu uma verdadeira aula de futebol em entrevista ao “Charla Podcast”. O Furacão da Copa de 70 recordou o início no Glorioso e exaltou a importância do clube alvinegro na história.
– Bom, eu nasci em Caxias e fui criado no bairro de Botafogo, na Rua General Severiano, em frente ao nosso querido estádio do Botafogo de Futebol e Regatas. O meu aprendizado e o meu direcionamento ao grande futebol foi justamente a minha presença pulando o muro do Botafogo para chegar e ver Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo, Zagalllo e Nilton Santos. Esses foram os meus professores, foram quem me fizeram ser o Jairzinho que eu sou hoje. Continuam sendo meus ídolos até hoje, com respeito a todos os outros, mas eles foram o meu ensinamento, eles foram justamente as escadas da vida do futebol. Eu aprendi também com o Manguinha, o Manga era fantástico. Então, cada um foi dando para mim uma orientação e um comportamento – contou Jairzinho.
– O Botafogo é de fato um premiado, né? Essas gerações que ele teve, ele conseguiu colocar para o futebol brasileiro pelo menos umas quatro gerações de alto nível, de gênios da bola. Que ajudaram o Brasil a ter essa sustentação desses títulos todos. Eu acho difícil nós termos outro time igual ao Botafogo de 58, ao Botafogo de 62. Que coisa maravilhosa. Nós temos que agradecer muito ao Botafogo. Porque o Botafogo fez o Brasil ser conhecido como futebol. Já havia antes, mas não tanto como o Botafogo. Eles colocavam o Botafogo como o país do futebol. Não era nem o Santos. Eram de longe os dois maiores times do mundo – destacou.
– Eu quero agradecer a esse grande clube, o Botafogo de Futebol e Regatas, que abriu as portas para que eu pudesse dar continuidade à popularidade do Botafogo e fazer o Botafogo ser, para mim, o maior clube brasileiro de todos os tempos – disse.
Garrincha melhor que Pelé
Com o conhecimento de quem jogou com ambos, Jairzinho colocou Garrincha em patamar superior ao de Pelé.
– Com o maior respeito ao nosso rei Pelé, mas o Garrincha, para mim, foi o maior jogador. É, foi e é o maior jogador do mundo. O Garrincha teve um certo momento, em algumas partidas, que ele perfilava os defensores. Eu contei um dia de jogo, lá em General Severino, tinham cinco beques marcando ele, perfilados, e ele passou pelos cinco e fez o gol. Com o maior respeito ao nosso rei Pelé… E o Garrincha tinha uma deformação física, as pernas tortas e o lado direito, o pé direito dele era para dentro. Ele pisava mais em cima do pé direito, nos dedos, do que no calcanhar. A direita para dentro, a esquerda para fora. E ele usava todas as artes possíveis e impossíveis. Uma delas era quando ele esperava o beque olhar as pernas dele, disso quando o adversário olhava ele já estava fazendo o gol. “Como é que esse aleijado pode ter essa explosão toda, esse arranque, esse drible, finalização?”, eles pensavam. Impressionante, era completo, não precisando nem da esquerda. Eu sou um cara feliz, né? Vocês me perdoem, mas eu sou um cara feliz de ter jogado com o meu ídolo. Com respeito ao rei Pelé, a todos os outros, mas o Garrincha é um fenômeno da natureza, vai demorar não sei quantos anos, eu não vou estar vivo para ver, porque isso não acontece todo dia, não – afirmou.
– Eu sou feliz que joguei com os dois. Quer que eu te diga o quê? Eu sou um privilegiado. Eu joguei com os dois. Mas ali fica difícil saber quem era melhor. Mas quem que fazia o torcedor vibrar? Era o Pelé ou era o Garrincha? O Maracanã era preenchido com mais de 100 mil pessoas. Era por causa de quem? Tinha um dos colegas de vocês que dizia assim, ó “torcedor carioca, se você quer ter um domingo feliz, vá ao Maracanã para assistir ao Garrincha, é a alegria do povo”. Pô, eu sou um cara felizardo, vocês me perdoem. Eu joguei com o meu ídolo e o maior jogador do mundo. Rapaz, você tem ideia o que é você apreciar no Maracanã um jogador igual ao Garrincha, que não fazia força para driblar. Ele era tão inocente, mas era a alegria dele. Garrincha jogava para jogar, ele não entendia nem quem ele era, eu posso dizer. Lá em Pau Grande ele fazia fila, os caras saíam daqui da zona sul para ir lá assistir. Ele treinava. Eu sou um cara privilegiado. Joguei com o meu ídolo, pô, que jogador – enalteceu.