Depois do empate do Botafogo com o Palmeiras em 0 a 0, o presidente do clube social, João Paulo Magalhães Lins, chamou alguns influenciadores para conversar na zona mista do Estádio Nilton Santos. Um dos que estava presente foi Daniel Braune, que contou em seu canal no YouTube como foi o papo franco.
Segundo Braune, João Paulo pediu apoio dos influenciadores e torcedores no momento de transição que o clube passa na SAF para a entrada da GDA Luma. O presidente alvinegro também confidenciou que vazou de propósito um áudio em que defende Thiago Alves para “proteger” o gerente de futebol, que trabalhou com ele no Boavista e nem sequer foi anunciado oficialmente pelo Botafogo.
Braune disse também que sugeriu que o presidente falasse nos canais oficiais do clube sobre como anda o processo de transição para a chegada de Gabriel de Alba. Leia o depoimento do jornalista:
– Eu estava participando de uma live do Anderson Motta e fui abordado pelo João Paulo Magalhães, presidente do Botafogo: “Pô, posso falar com você?” Falei: “Claro, lógico, chega aí.” E ele falou: “Cara, porra, vamos apoiar”, não sei o que… Falou sobre alguns vídeos que temos feito aqui em aspectos de crítica, falou sobre as coisas que eram necessárias de serem feitas a respeito do Textor, da ruptura, do RCE, da recuperação judicial, que uma mudança de rota era necessária. E aí falei para ele: “Cara, a todo momento, no meu canal em específico, a gente sempre deixou claro que essa parte foi fundamental de ser feita. Então, quanto a isso, acho que ninguém questiona.” E ele falou: “Não, essa parte eu realmente não vi”. Ok.
– E aí ele falou sobre, por exemplo, as escolhas que foram adotadas para contratar alguns profissionais, como, por exemplo, o Ronaldo Torres, o Paulo Bonamigo, que acabou não vindo para o Botafogo, o Thiago, que é o gerente que não foi anunciado. E aí ele falou: “Aquele áudio eu vazei de propósito para blindar o cara.” Eu falei: “Mas aí você blinda o cara e você não se blinda. Pior, você levanta uma suspeita desnecessária a respeito do teu trabalho”. Eu falei exatamente isso para ele. É a coisa mais fácil do mundo você pegar: “Olha só, estou contratando, esse é o Thiago, ele já trabalhou aqui, aqui e aqui, confio nesse cara, e ele vai participar do processo de transição porque é um cara que eu confio, ponto.” Você vai ter gente concordando, gente discordando, mas quando você não anuncia isso, quando a gente fica sabendo através de uma imagem, até explicar que focinho de porco na tomada, fodeu. A gente vai ter todas as desconfianças de um torcedor que já está olhando e vendo muitos caras que trabalharam com ele no Boavista reclamando disso e levantando suspeita, de “é uma afinidade ou é realmente profissionalismo? É uma confiança pessoal ou é uma confiança num trabalho no currículo dos caras?” E aí falei exatamente isso para ele.
– Aí ele falou: “Ah, não, eu sou um cara que eu não quero mais falar, eu vou evitar falar”. Eu falei: “Cara, eu discordo completamente. Você não tem que evitar falar, porque você vai fazer, não vai falar e a torcida vai ficar puta e vai levantar suspeitas.” E aí ele falou: “Ah, mas essa suspeita não é uma culpa minha, eu tenho dois anos de política do Botafogo.” “Beleza, irmão, mas você representa, não só representa o social, como você já defendeu o social em diversos momentos, em diversas falas. Então, a partir do momento que você é o presidente do associativo, você representa, indireta ou diretamente, uma galera que afundou o Botafogo em dívidas, independente do Textor também ter feito isso. Então, a partir do momento que você não se comunica de maneira adequada a respeito daquilo que tem que ser feito, que tem que ser falado, você levanta mais suspeitas de que o social está querendo comandar o futebol do Botafogo, de que o social está querendo colocar gente que é ligada a eles, de que o social está querendo colocar gente que tem afinidade com eles…” Ele falou: “Mas você acha que a nossa ideia é pegar o futebol para a gente? A gente quer fazer uma transição para o Gabriel.”
– Eu falei: “Então fale isso publicamente. Você tem que se comunicar, e não é para o meu canal. Você não tem que falar para o Braune isso, você não tem que falar para o TF isso, para o Manel isso, para o Arena, para o Gentile, para o Fabiano, para o Medeiros… Você tem que falar isso para a Botafogo TV. Você tem que ligar a câmera da Botafogo TV e falar ‘Ó, gente, está acontecendo isso, isso e isso. A gente renovou com o Telles, a gente colocou o RCA em dia, a gente conseguiu fazer um monte de coisa que vocês não viram e que é importante de ser ressaltada. E agora a gente vai fazer isso, isso e isso, a GDA chega tal dia, a gente está querendo fazer uma transição para que eles façam essa gestão'”. E o principal de tudo: quem vai fazer essa gestão com a GDA, quem é que vai fazer essa gestão adequadamente? De que maneira essa gestão vai ser feita? E o Gabriel, de algum modo, vai tocar, colocar profissionais da qualidade dele, do gabarito dele, do crivo dele para tocar? Ou o João Paulo Magalhães vai ser um cara que é um cara de confiança do Gabriel e ele vai ter poder, voto, poder de decisão, caneta para tocar decisões do futebol do Botafogo, até mesmo depois da SAF? Essa é uma dúvida que eu tenho e que, infelizmente, eu não consegui tirar porque o presidente João Paulo Magalhães estava…
– Em nenhum momento ele foi desrespeitoso comigo, deixando claro, ele foi respeitoso, papo reto, só que ele não me deixou falar. [risos] Eu ia falar, mas ele atropelava: “A gente tem que apoiar, vamos apoiar o time, vamos apoiar o Bellão, todo mundo é Botafogo.” Falei: “Óbvio, todo mundo quer, de alguma maneira, que o Botafogo prospere. Ninguém aqui quer que o Botafogo caia de divisão. Mas o que tem que ser elogiado vai ser elogiado e o que tem que ser criticado vai ser criticado.” E eu falei para ele: “Discordo dessa porra de que você não quer falar, vai fazer e não vai falar”. “Ah, mas eu não consigo falar porque eu sou muito expansivo e tudo mais.” “Pô, meu irmão, presidente do Botafogo. Você tem que se comunicar com a torcida. E é diretamente com a torcida do Botafogo.” É isso.